Celular

NOTA tt
9.0

Review iPhone 6

Testamos o top de linha da Apple e as notícias são boas. Ele ganhou uma tela maior, novos recursos e se mantém no pódio de melhores smartphones do mercado. Mas será que vale a pena investir R$ 3.199 no aparelho? Descubra no review do TechTudo.

Anna Kellen Bull
por
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O iPhone 6 marca uma nova fase na linha de smarts da Apple. Com a pressão dos concorrentes em ter uma tela maior, a empresa se rendeu e fez um celular com display de 4,7 polegadas. Mesmo sendo grande, a sua usabilidade não foi prejudicada. O top de linha consegue manter a simplicidade e qualidade já conhecida em gadgets da companhia. Mas será que suas qualidades justificam o preço de R$ 3.199? Confira tudo sobre o iPhone 6 no review do TechTudo.


Testamos dois modelos do iPhone 6: um de 16 GB de armazenamento interno, na cor cinza espacial, e outro dourado, de 128 GB. 

Design

O maior diferencial do iPhone 6 com certeza está no design. Ele cresceu em relação ao seu antecessor: o 6 tem tela de 4,7 polegadas, contra 4 do iPhone 5S. O novo top da Apple faz o seu irmão mais velho parecer bem pequeno. Lado a lado, há mais diferenças além do tamanho: bordas arredondadas, botão liga/desliga em nova posição, câmera em alto relevo e mais detalhes que veremos adiante.

iPhone 6, novo top de linha da Apple (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)iPhone 6, novo top de linha da Apple (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



Apesar de ter aumentado de tamanho, o dispositivo conseguiu se manter bem leve e confortável. Não há dificuldade em manuseá-lo com apenas uma mão: o polegar alcança os dois lados extremos da tela sem problemas. A Apple acertou em cheio ao aumentá-lo na medida ideal para isso. Além disso, a empresa ainda adicionou um recurso que desce as informações da tela até a metade do espaço, o que facilita ainda mais o uso com apenas uma mão. Para ativar a função, basta dar dois toques leves no botão Home.

Botão home do iPhone 6 com Touch ID (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Botão home do iPhone 6 com Touch ID (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



Parece que todo o design foi pensado nos mínimos detalhes. Até o botão liga/desliga foi realocado para a lateral do aparelho para deixar o seu uso ainda mais cômodo . As teclas de ajuste de volume acompanharam o tamanho do aparelho e também cresceram, ficando semelhantes às do iPad mini, e a tarefa de achá-las está mais fácil. Mas, ao contrário do tamanho, um fator que pode dificultar o uso é a traseira reta e lisa. O celular escorrega facilmente das mãos, sendo necessário o uso de capinhas protetoras. Afinal, você não vai querer que seu smartphone de R$ 3.199 espatife no chão.

Botão de liga e desliga do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Botão de liga e desliga do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



Com 129 g, ele é realmente levíssimo. Mesmo com o aumento da tela, a Apple conseguiu manter o peso, graças à espessura do gadget. O dispositivo é apenas 17 g mais pesado que seu antecessor e mede 38,1 x 67 x 6,9 mm, o que o torna o iPhone mais fino já produzido na história. O tamanho (grande na medida certa) e o peso leve tornam simples tarefa de carregar o celular, seja na bolsa ou no bolso. 

Botão de volume do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Botão de volume do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



Falando nisso, é impossível não citar a polêmica que envolve o "iPhone dobrável". É fato que a espessura e o material no qual ele é feito (alumínio) podem, sim, resultar na deformação da carcaça. No entanto, esse não é um problema novo, pois há vários relatos parecidos com aparelhos de outras marcas feitos com o mesmo material. Passamos algumas semanas com o celular e podemos dizer que esse não é um defeito recorrente.

Em questão de qualidade, é inegável o bom acabamento e o uso de bons materiais para revestir o dispositivo. Sete gerações depois, o iPhone 6 traz o design mais arredondado da família. A estrutura da traseira se adapta perfeitamente ao vidro com formato "curvo" das laterais da tela. Porém, há aspectos da parte de trás que tem dado o que falar entre os usuários. 

Traseira do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Traseira do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



Em primeiro lugar, a câmera: ela possui um design um tanto quanto curioso para o "padrão Apple", com uma estrutura que fica projetada "para fora" do corpo. A lente acaba ficando exposta a quedas e arranhões, pois é a parte mais alta da traseira do aparelho. Ao colocar o dispositivo sobre uma superfície lisa, ele não fica equilibrado e ainda acumula sujeiras ao redor da lente frequentemente. O segundo aspecto polêmico são as linhas das antenas na parte de trás do celular, que destoam do visual do aparelho.

Detalhe da câmera traseira do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Detalhe da câmera traseira do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)



No mais, o botão home não sofreu alterações e mantém o recurso de Touch ID, já presente no iPhone 5S. As entradas de fone de ouvido e do carregador, além dos alto-falantes, também continuam no inferior do gadget.

Entrada do carregador e do fone de ouvido do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Entrada do carregador e do fone de ouvido do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)


Desempenho

O iPhone cresceu no tamanho e o seu hardware acompanhou. Falando em números, podemos dizer que ele tem especificações inferiores a de outros gigantes, mas isso não se reflete na performance. Os gadgets e o software da Apple são feitos sob medida pela empresa e, apesar de terem algumas configurações mais "econômicas", o desempenho do smartphone não é afetado.

Testamos o aparelho em diversas situações, de uso mais moderado até o mais intenso. Aplicativos e games pesados, como o Asphalt 8, rodam sem qualquer engasgo. Abrimos dezenas de apps ao mesmo tempo, fechamos e iniciamos de novo: ele tirou tudo de letra e não deixa a desejar em nada se compararmos com outros tops, como o Galaxy S5 e o LG G3.

Bem, nenhuma novidade até aqui. Afinal, o top anterior, iPhone 5S, ainda traz um rendimento de respeito. Mas, então, o que mudou no interior do 6? Agora, ele traz o poderoso chip A8 produzido pela Apple, contra o A7 do seu antecessor. Segundo a empresa de Tim Cook, o novo chip garante um desempenho de CPU até 50x mais rápido e GPU até 84x mais veloz em relação aos mais antigos.

Já o processador é um Apple A8 dual-core de 1,4 GHz. Assim como seu antecessor, ele também é baseado na arquitetura 64 bits. Quanto a GPU, o aparelho é equipado com uma potente quad-core PowerVR GX6450. O dispositivo possui 1 GB de memória RAM que, apesar de parecer modesto, é o suficiente para realizar atividades quase instantâneas dentro do sistema.

iPhone 6 é realmente melhor do que iphone 5s? Veja no Fórum do TechTudo. 

O calcanhar de Aquiles dos iPhones ainda é a bateria. Não é novidade para ninguém que a carga dos gadgets da Apple não é potente e acaba deixando o usuário na mão durante o dia. Nesse aspecto, não houve grandes avanços: o iPhone 5S tem 1.560 mAh e o 6 traz 1.810 mAh. Na prática, a duração da bateria não agradou, pois não sentimos uma melhora significativa em relação ao antecessor.

A bateria não aguenta um dia inteiro com o uso intenso e, com isso, o carregador continua sendo seu companheiro inseparável. Nesse aspecto, há outros tops que garantem melhor usabilidade, como o novíssimo Moto Maxx, que possui 3.900 mAh e promete até 40 horas de duração com uso moderado.

Não podemos encerrar o tópico sem falar sobre o que faz tudo isso rodar: o iOS 8. Problemas de lançamento à parte, parece que a Apple corrigiu os bugs iniciais e apresentou um sistema sólido, com novidades pensadas especialmente para o iPhone 6 e 6 Plus. O iOS é um sistema intuitivo, daqueles que até as pessoas não tão ligadas em tecnologia assim mexem com facilidade.

Comparação de tamanho entre iPhone 6 iPhone 6 Plus (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Comparação de tamanho entre iPhone 6 iPhone 6 Plus (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)


A versão 8 trouxe inovações internas interessantes, mas o visual estreado no iOS 7 não mudou. Entre os novos recursos, há a possibilidade de desenvolvedores criarem apps mais integrados ao sistema. Com isso, os aplicativos de terceiros podem utilizar o sensor de digitais para funções que antes só estavam disponíveis para serviços nativos.

Uma segunda permissão é a disponibilidade de instalar outros teclados. Antes, a Apple não permitia o uso de outros layouts. No novo sistema, é possível instalar aplicativos de teclados já famosos para os usuários de Android, como o SwiftKey. Além disso, uma nova opção é receber widgets personalizados, como calendário e lembrete na tela de notificações.

Outros aplicativos e funções adicionadas foram: o Dicas, que oferece orientações sobre como mexer no sistema; e o Saúde, app que monitora exercícios e fichas médicas. Por último, mas não menos importante, o Handoff também está presente no iOS 8 e no iPhone 6. O recurso é muitíssimo bem-vindo se você tem outros aparelhos da empresa da maçã, além do iPhone. Com ele, é possível iniciar uma tarefa no celular, como editar fotos, e continuar no MacBook, por exemplo. Isso é possível porque a sincronização entre os dispositivos por meio do iCloud Drive é em tempo real.

Um novo sensor adicionado ao celular é o barômetro, que é capaz de medir a pressão atmosférica para indicar a sua altitude relativa. Ele pode determinar a altitude enquanto você se movimenta, seja subindo degraus ou uma montanha. O responsável por gerenciar o barômetro e outros sensores do aparelho é o coprocessador de movimentos M8.

O iPhone 6 traz ainda o Apple Pay, um recurso de pagamento eletrônico da Apple. Ele opera via NFC e usa o Passbook para guardar as informações de cartões de crédito ou débito. Assim, você pode usar o celular para pagar contas em restaurantes e lojas, por exemplo. Não tivemos a oportunidade de testá-lo porque, por enquanto, ele não está disponível no Brasil. 

Tela

Chegamos a outro ponto alto deste review. Há muito tempo a Apple resistia para não crescer o display, como a tendência seguida pelos concorrentes. Finalmente, a empresa cedeu - para a nossa felicidade. A telona de Retina HD com tecnologia IPS LCD de 4,7 polegadas do modelo mais novo é consideravelmente maior que do 5S, que tinha 4 polegadas.

A resolução é de 750 x 1334 pixels, o equivale a uma definição de 326 ppi (quantidade de pixels por polegada). Mesmo sendo inferior a de outros tops, como o LG G3 e do Moto Maxx, é inegável a qualidade das imagens reproduzidas na tela.

A olho nu, é uma tarefa quase impossível ver os pixels que a compõem, uma qualidade essencial para quem procura uma boa tela em celulares. Também não dá para colocar defeitos nas cores, contraste e nitidez: tudo é reproduzido com a maior fidelidade possível. O display do smartphone também proporciona ângulos de visão impressionantes. Isso significa que é possível enxergar o conteúdo da tela mesmo com o celular virado para os lados.

Ele poderia ter um display Full HD? Sim, poderia. Mas a diferença de qualidade quase não é perceptível se não for comparada lado a lado. Por fim, basta resumir que dá gosto de ver fotos e vídeos na telona do novo iPhone.

Câmera

 O que já era bom ficou ainda melhor. É fato que os Lumias ainda ocupam o alto do pódio no quesito de fotografias em smartphones, mas o iPhone não fica muito atrás. Apesar de continuar com resolução de 8 megapixels na lente traseira, a câmera recebeu atualizações que melhoraram sua performance. 

O elemento principal é um recurso do sensor chamado de Focus Pixels, que garante um foco automático mais eficiente, capta a luz do ambiente com mais precisão e também melhora detecção de rostos. Durante os testes, ele se saiu bem e focou objetos com mais rapidez.

Testamos também o modo câmera lenta do dispositivo, que filma em 120 ou 240 FPS, ambos em resolução 720p, e o resultado é bem interessante. Ele ainda traz o modo panorama, time-lapse e contínuo. Esse último permite tirar 10 fotos por segundo em sequência (inclusive na câmera frontal). A abertura do sensor é de f/2,2 com 1,5µ pixels, o que ajuda bastante em termos de captura de cor. A lente grava vídeos em HD de 1080p a 60 qps.

A câmera frontal possui os mesmos 1,2 megapixel, mas também não decepciona. Por aqui, percebemos uma sutil melhoria nas famosas "selfies". É importante ressaltar que a câmera da frente também captura vídeos em HD, mas não achamos a qualidade tão surpreendente assim.

Detalhe da câmera frontal do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)Detalhe da câmera frontal do iPhone 6 (Foto: Lucas Mendes/TechTudo)


Na prática, o iPhone 6 tira fotos com ótima qualidade e foca objetos com rapidez, mesmo em movimento. Em ambientes escuros, o dispositivo também não deixa a desejar. O flash duplo LED consegue dar conta do recado. Veja abaixo algumas imagens feitas com o novo aparelho da Apple.

Foto tirada com o iPhone 6 durante o dia (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)Foto tirada com o iPhone 6 durante o dia (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)
Foto tirada com o iPhone 6 durante a noite (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)Foto tirada com o iPhone 6 durante a noite (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)


Foto tirada em dia nublado com o iPhone 6 (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)Foto tirada em dia nublado com o iPhone 6 (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)


Custo-benefício

O iPhone 6 é um dos melhores smartphones do mercado. Com um design de qualidade, hardware de ponta e câmera potente, não há como negar que a Apple continua caprichando e evoluindo mais a cada iPhone lançado. Mas, como nem tudo é perfeito: o top aterrissou no Brasil com preços bem salgados e nada convidativos. A versão mais "barata", com 16 GB, custa R$ 3.199. 

Já o modelo de 64 GB chega por R$ 3.599, enquanto o de 128 GB sai por R$ 3.999. Bem, não podemos questionar que é possível encontrar smartphones com boas especificações e por um preço mais justo, como o novo Moto X. Mas há quem não dispense o "padrão Apple" de usabilidade e desempenho do iOS, além da possível integração entre os dispositivos Apple.

Tabela de especificações do iPhone 6 (Foto: Arte/TechTudo)Tabela de especificações do iPhone 6 (Foto: Arte/TechTudo)



Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Design
9
Desempenho
10
Tela
10
Câmera
9
Custo-benefí­cio
7

Prós

  • Tela maior;
  • Desempenho top;
  • iOS com novos recursos;
  • Câmera excelente.

Contras

  • Bateria pouco eficiente;
  • Design "escorregadio";
  • Preço salgado.