Jogos de aventura

NOTA tt
6.8

Review Never Alone

Game conta diversos aspectos do povo Iñupiaq, nativos que habitam o Alasca desde a pré-história.

Felipe Vinha
por
em

Never Alone (Kisima Ingitchuna) é um jogo de aventura com elementos de quebra-cabeça. O game tem como objetivo divulgar a cultura do povo Iñupiaq, indígenas que habitam o Alasca desde a pré-história. Never Alone foi desenvolvido pela Upper One Games, publicado pela E-Line Media e lançado dia 18 de novembro para PCXbox One e PS4. Confira nossa análise completa.

Never Alone: game traz histórias de nativos do Alasca e sobrevivência

Never Alone (Kisima Ingitchuna) (Foto: Divulgação)Never Alone (Kisima Ingitchuna) (Foto: Divulgação)


A Origem de Never Alone (Kisima Ingitchuna)

Tudo começou com a Cook Inlet Tribal Council (CITC, ou Conselho Tribal da Enseada de Cook), uma organização situada na região de Cook, no Alasca, que fornece diversos serviços para os nativos alasquenses ou índios norte-americanos. Eles buscavam uma forma de divulgar a cultura de seu povo, os Iñupiaq, ao mesmo tempo que tentavam encontrar uma forma de arrecadar fundos para melhorar seus serviços na região, acabando por escolher os jogos.

Foi aí que a CITC escolheu a empresa E-line Media, empresa com sede em Nova Iorque que tem como foco criar jogos educacionais, e que conta com funcionários que trabalharam em jogos de sucesso como Tomb Raider Anniversary e a série SOCOM. Juntos a CITC e a E-line Media criaram o estúdio Upper One Games, a primeira empresa de jogos pertencentes à indígenas nos Estados Unidos, e que foi responsável por Never Alone.

Alguns dos nativos do Alasca que deram depoimentos para a produção de Never Alone (Foto: Reprodução/neveralonegame.com)Alguns dos nativos do Alasca que deram depoimentos para a produção de Never Alone (Foto: Reprodução/neveralonegame.com)


Cultura dos Iñupiaq

O povo Iñupiaq habita a região ocidental do Alasca há muito tempo, desde antes da pré-história. Hoje sua população gira em torno de 13.500 pessoas, e sua milenar cultura pode acabar sumindo em algumas décadas. Never Alone busca difundir diversos aspectos desse povo, e para isso contou com o suporte de quase 40 pessoas entre anciões, contadores de histórias e membros da comunidade.

Never Alone adapta a lenda de Kunuuksaayuka, uma tradicional história dos Iñupiaq, onde um membro da tribo parte em uma jornada para solucionar o problema das fortes tempestades de neve que assolam seu povo.

O game faz a escolha acertada de colocar uma menina, Nuna, no papel de heroína. Em tempos de busca de igualdade entre gêneros no mundo dos games é uma decisão que merece elogios, ainda mais pela lenda original ser protagonizada por alguém do sexo masculino.

Never Alone: Nuna e a raposa-do-Ártico, sua fiel companheira (Foto: Divulgação)Never Alone: Nuna e a raposa-do-Ártico, sua fiel companheira (Foto: Divulgação)

O game possui 24 pequenos vídeos com depoimentos de diversos nativos alasquenses. São quase 30 minutos de conteúdo no total, ensinando aos jogadores aspectos culturais, religiosos e folclóricos dos Iñupiaq. A arte, a música, a localização pela lua no mês negro e a vida compartilhada também são temas abordados, mostrando que apesar de milenar essa cultura tem muito a ensinar.

Jogo educativo

Never Alone e seu viés educativo lembram bastante outro game recente, Valiant Hearts: The Great War, que conta diversos aspectos histórias da Primeira Grande Guerra no decorrer da história. Ambos os títulos usam esse meio para explicar muito do que se passa nas fases, mas parar a cada instante para ver o novo vídeo acaba quebrando o ritmo da partida.

Em Never Alone os conteúdos dos estágios estão bem ligados aos vídeos. Por exemplo, pouco depois de iniciar uma fase noturna com uma aurora boreal no céu um vídeo conta que, na cultura Iñupiaq, acreditava-se que as luzes eram crianças que podiam arrancar (!) a cabeça de quem saísse sem o capuz. Nessa fase essas crianças acabam fazendo parte dos quebra-cabeças a serem vencidos.

Tempestades de Never Alone são usados em boa parte dos quebra-cabeças (Foto: Divulgação)Tempestades de Never Alone são usados em boa parte dos quebra-cabeças (Foto: Divulgação)


Bonito mas pouco criativo

Que fique claro: a cultura dos Iñupiaq é riquíssima e muito bela, muito diferente da nossa, e vale muito a pena percorrer os oito capítulos até o fim para aprender um pouco mais. Never Alone também é poético, e a ausência de interface na tela e as bordas mais escuras ajudam a criar o clima do game.

Os gráficos também ajudam bastante, simples mas bonitos e bem trabalhados, permitindo perceber as emoções dos personagens em suas feições. Algumas animações foram feitas com desenhos no estilo alasquense, ajudando na imersão do game e ficando bastante artísticos.

No entanto, em termos de jogo Never Alone deixa a desejar. Primeiro por 95% do jogo ser relativamente simples, andando para um dos lados e subindo em plataformas. Seus quebra-cabeças lembram, de longe, outro clássico game indie, Limbo, mas Never Alone frustra por permitir que a dificuldade fique por conta não do desafio criado, mas sim pelos seus controles que deixam os jogadores na mão.

Never Alone é belo, mas fases carecem de criatividade (Foto: Divulgação)Never Alone é belo, mas fases carecem de criatividade (Foto: Divulgação)

Nuna conta com a ajuda de uma fiel "raposa-do-ártico" durante boa parte da jornada. O bichinho pode ser controlado por outra pessoa, tornando o game em uma boa experiência cooperativa. Entretanto, jogar individualmente é um problema em diversos momentos chave, seja pela fraca inteligência do companheiro controlado pelo computador (que acaba se matando ou causando sua morte) ou pela lenta transição entre personagens.

Ainda assim, o game melhora bastante em sua parte final, exigindo bastante interação entre os personagens. A raposa pode se comunicar com espíritos, que servem de plataforma para Nunca. Entretanto as fases finais de Never Alone pode acabar frustrando pela sua dificuldade exageradamente superior ao restante do jogo.

Conclusão

Never Alone (Kisima Ingitchuna) é um produto artístico belíssimo, e o fato de ter um viés educacional também é interessante. No entanto, como game, falta algo para Never Alone, que não chega a alcançar níveis muito grandes de diversão, até pela sua curta duração e replay quase nulo. A falta de criatividade no design das fases e quebra-cabeças também é um problema, cabendo aos comandos, às vezes falho, o papel de principal vilão do jogo.


Qual o seu jogo indie favorito?
Opine no Fórum do TechTudo.


Nota TechTudo

NOTA tt
6.8
Gráficos
8
Jogabilidade
5
Diversão
6
Som
8

Prós

  • - Belo trabalho artístico
  • - Audácia para difundir uma cultura desconhecida
  • - Vídeos-documentário muito bem produzidos
  • - Legendas em português

Contras

  • - Curta duração
  • - Fases e desafios pouco criativos
  • - IA do companheiro falha muitas vezes
Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares