Nome: Rock of Ages
Gênero: Arcade / Estratégia
Distribuidora: Atlus
Plataformas: Xbox Live Arcade, PC / Mac (Steam)
Exibido entre 1969 e 1974, o programa de comédia britânico Monty Python’s Flying Circus era pontuado por pequenas animações criadas por Terry Gilliam - o único americano da trupe - feitas de recortes, fotografias e gravuras de arte clássica. Aquelas intermissões bizarras caíam como uma luva para o humor anárquico do grupo, e tanto nonsense até poderia virar pano de fundo para jogos eletrônicos - mas na real, isto pouco aconteceu.
Rock of Ages (Foto: Divulgação)Quarenta e dois anos depois, o estúdio chileno ACE Team lança Rock of Ages; mesmo se não houvesse uma influência declarada das intervenções animadas de Gilliam, não dá para evitar a impressão de que o jogo não seria tão “Pythonesco” se fosse feito pelos próprios. E isto não é uma reclamação: se tanto, parece uma grande homenagem ao trabalho de Gilliam - e, indiretamente, ao Monty Python - em forma de jogo eletrônico.
Quer saber? Cansei!
Nesta aventura, o jogador controla Sísifo, personagem da mitologia grega que é condenado a empurrar uma pedra de mármore montanha acima no Hades por toda a eternidade - já que a rocha sempre voltava à base do monte ao final desta tarefa ingrata. Só que este Sísifo aqui se cansa dessa palhaçada e decide usar esta rocha para para fugir deste inferno, voltando à Terra.
O jogador controla a rocha titular em cenários que são verdadeiras homenagens a várias épocas da arte clássica (Grécia antiga, medieval, renascentista, rococó e Goya - no caso, neoclássico / romântico). A mecânica de jogo parece uma mistura bem inusitada de Katamari Damacy, Super Monkey Ball e Marble Madness - afinal de contas, você rola uma esfera em caminhos acidentados enquanto tenta não cair fora da pista. Ah, Rock of Ages é uma inversão do gênero “tower defense”.
Rock of Ages (Foto: Divulgação)Antes de de atacar os portões da fortaleza do seu inimigo, também vale derrubar as construções e unidades menores no caminho. Torres, catapultas, touros e elefantes de guerra valem dinheiro para que você crie suas próprias defesas; afinal de contas, cada fase tem um rival com o mesmo objetivo que você. Além da construção e recrutamento de unidades, também há powerups como bola de fogo, armadura de metal e asas para salto duplo.
Inimigos que vieram direto dos livros de História
Cheias de referências pop, as hilárias intermissões animadas apresentam o inimigo da vez, incluindo figuras históricas como o rei Leônidas de Esparta, o imperador Carlos Magno e até mesmo a Peste Negra (em forma de esqueleto, claro). Os estilos de arte são ligados às suas respectivas épocas, e praticamente tudo do cenário muda de acordo. A apresentação visual é brilhante: do jogo de cores a detalhes como o disco solar no céu da Idade Média, tudo tem estilo de sobra.
Além da campanha principal solo e modos multiplayer, o jogo também oferece modalidades extras como time trials e o “skeeball”. Você sabe, aquele jogo de arremessar as bolas com efeito numa rampa vertical e tentar acertar os buracos em alvos diferentes. Ao juntar todos estes elementos, dá pra dizer que a longevidade deste jogo é bem boa.
Terry Gilliam ficaria orgulhoso
Misturando uma variedade de gêneros de “bola rolante” com um sistema de física convincente e direção de arte fabulosa (sério, dá gosto de ver como os estilos clássicos foram utilizados, e homenagear as animações de recortes de Terry Gilliam funcionou lindamente - até mesmo os efeitos sonoros são engraçados), Rock of Ages é uma das boas surpresas do ano em se tratando de jogos vendidos por download.





