Jogos de luta

NOTA tt
8.0

Review Street Fighter III 3rd Strike Online Edition

Os fãs de games de luta podem comemorar: o jogo mais cult da franquia Street Fighter acaba de chegar aos consoles da nova geração. E não foi uma estréia qualquer: em vez de um simples port, a empresa Iron Galaxy Studios, responsável pela adaptação, deu uma repaginada legal no game, fazendo desta a versão mais completa de Street Fighter III já lançada até hoje.

Ingo Müller
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Nome: Street Fighter III 3rd Strike Online Edition
Gênero: Luta
Distribuidora: Capcom
Plataformas: Playstation 3, Xbox 360

Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)Street Fighter III 3rd Strike Online Edition

Os fãs de games de luta podem comemorar: o jogo mais cult da franquia Street Fighter acaba de chegar aos consoles da nova geração. E não foi uma estréia qualquer: em vez de um simples port, a empresa Iron Galaxy Studios, responsável pela adaptação, deu uma repaginada legal no game, fazendo desta a versão mais completa de Street Fighter III já lançada até hoje. 

Elogiar um Street é praticamente chover no molhado, já que a Capcom sabe fazer jogos de luta como ninguém – salvo raras exceções (como o primeiro Street Fighter, a horrenda versão The Movie e a estranha série EX), todos os títulos com Ryu e cia tornam-se referências no gênero. Porém, Street Fighter III e suas versões são um caso à parte: nenhum game da empresa é tão “ame ou odeie” quanto este, que deixou de lado muitos elementos clássicos das versões anteriores. 

Antes de falar de SF III Online Edition, precisamos entender um pouco da história deste game que teve a ousadia de, mesmo sendo a aguardada sequência da mina de ouro chama Street Fighter II, ousou fazer as coisas diferentes, apresentando novos personagens e uma jogabilidade revolucionária. 

Na época de seu lançamento, em 1997, SF III passou batido no Brasil, já que poucos fliperamas tinham máquinas com a nova placa CPS que rodava o jogo. Como todo game da Capcom, Street III recebeu outras versões: 2nd Impact, lançada oito meses depois; e 3rd Strike, que saiu em 1999. Esta sem dúvida foi a mais bem sucedida de todas, sendo convertida para o Dreamcast um ano após seu lançamento, e tardiamente para Xbox e Playstation 2 em 2004, quando tornou-se mais conhecido. Porém, notoriedade e popularidade são coisas diferentes, e a fanbase do jogo – embora fiel – não é grande se comparada com outros títulos da empresa. Será que está versão Online poderia ajudar a corrigir esta injustiça, tornando finalmente 3rd Strike um game popular? Vamos descobrir isto ao longo deste review. 

Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)

Personagens animados e belas paisagens 

No final dos anos 90, 3rd Strike disputava com Garou: Mark of The Wolves (da SNK) o posto de jogo de luta bidimensional com os gráficos mais bonitos da história. Se naquela época a disputa terminava em empate técnico, hoje a balança pende a favor de Street: mesmo que não tenha sido completamente redesenhado, como aconteceu com SF II HD Remix, a nova versão recebeu uma série de filtros gráficos que deixam os belos desenhos de Street III ainda mais evidentes. 

Graças a este tratamento, é possível perceber a exuberância dos cenários, que parecem aquarelas digitais. As animações dos personagens, que foram feitas com capricho desde a primeira versão nos árcades, estão ainda mais fluidas. Para completar, o game deixa você escolher se quer que a imagem seja projetada com proporção 4:3, em widescreen (que mantém pequenas barras laterais, quase imperceptíveis), esticada para pegar tela cheia ou até mesmo deformada como nos antigos arcades que utilizavam monitores de tubo. 

Para completar, a apresentação do jogo está sensacional: os menus foram redesenhados, dando uma nova identidade visual para o game, adequada a modernidade que 3rd Strike representa. Os personagens também ganharam artworks inéditas, todos trabalhos de altíssimo nível, que podem ser destravados com os pontos que o jogador ganha por executar tarefas especiais durante o modo arcade e nos desafios. 

A única crítica é que os finais do jogo ainda estão no antigo padrão de imagem estática e texto. Bem que poderiam ter feito encerramentos animados para os personagens, para recompensar adequadamente o jogador após a batalha contra o chefão Gill, que pode ser bastante frustrante. 

Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)

Trilha sonora marcante 

Street Fighter II apresentou as músicas mais icônicas de qualquer jogo de luta até hoje, um feito difícil de ser superado até por suas continuações. Porém, 3rd Strike não faz feio neste quesito, trazendo batidas de jazz, hip hop e música eletrônica para os cenários do game. A locução do game, feita pelo rapper canadense Infinite, também é muito boa, embora menos empolgante que a de Street Fighter IV

Jogabilidade única 

Quando a gente pega no controle para jogar SF III, percebemos que estamos diante de um jogo de luta diferente. Até mesmo os manjados Ryu e Ken estãoo diferentes e precisam utilizar novas táticas para se destacarem diante de caras novas como os gêmeos Yun e Yang. 

A primeira coisa que se nota é que 3rd Strike é bastante exigente com a precisão. Ao contrário do recente SF IV, este game não possui atalhos de comandos, exigindo precisão no direcional para que o golpe desejado pelo jogador seja de fato executado. Se por um lado isto evita que o jogo interprete alguns movimentos ambíguos como golpes (o que ocorre muito em SF IV), isto pode complicar a vida dos novatos, que terão dificuldades em executar especiais e encaixar combos complexos. 

Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)Street Fighter III 3rd Strike Online Edition (Foto: Divulgação)

A grande sacada do Street Fighter III é o sistema de parry: um movimento de defesa que, se feito no tempo correto, protege o personagem do golpe inimigo e evita qualquer prejuízo na saúde (como o dano mínimo que se toma ao bloquear um golpe especial), além de permitir contra ataques que podem garantir a vitória mesmo nos momentos mais improváveis. 

Porém, se até os movimentos básicos do jogo exigem precisão, fazer parry de forma consistente é questão de muito treino. E como este elemento de jogabilidade é parte importante do jogo, acaba sendo mais um motivo para que iniciantes sintam-se pouco a vontade com o game. De fato, 3rd Strike não é um título para jogadores casuais: ele precisa ser estudado e praticado com afinco, porém, da feita que você vence estas barreiras iniciais, poderá se divertir com um jogo técnico, exigente e cheio de recursos. 

Modos de jogo variados 

Além dos tradicionais modos arcade e versus, presente nas outras adaptações de Street III para consoles domésticos, este game traz uma série de novos modos de jogo, que ajudam a dar longevidade ao título: agora existem Trials, mas infelizmente são poucos por personagem – apenas cinco, enquanto SSF IV apresenta 24 para cada um dos seus trinta e cinco lutadores. Mesmo assim, alguns dos trials conseguem ser mais difíceis do que qualquer coisa que vimos no game anterior, já que os comandos precisam ser obedecidos à risca nesta versão. 

Outra novidade é o modo Challange, que contabiliza as proezas do jogador, como ganhar lutas sem tomar danos e até mesmo repetir o feito do campeão Daigo Umehara na luta antológica contra Justin Wong no Evo de 2004, quando o japonês conseguiu evitar todos os golpes de Justin e garantir uma virada histórica – o famoso Evo Moment #37: 


Online? Ao menos no nome… 

O único ponto em que este game pisa na bola é nas partidas pela internet – uma falha verdadeiramente grave, para um jogo que tem a pretensão de levar “Online” no título. Primeiramente, não existe opção de jogar contra o computador com a opção Fight Request ativada – ou seja, em vez de matar o tempo contra a máquina enquanto um adversário não aparece, você precisa esperar pela sua vez de jogar pacientemente em menus estáticos. 

Para completar, conseguir uma partida pode ser frustrante, visto que desconexões são freqüentes. E, da feita que você consegue jogar, prepare-se para lidar com lags extensos e bugs inexplicáveis, como ser nocauteado por um lutador já morto (isso aconteceu comigo!). Em um game que cobra precisão como Street III, qualquer atraso na resposta pode ser fatal. 

Fora isto, existem as tradicionais disputas rankeadas, duelos casuais e torneios para até oito lutadores. É possível alterar configurações básicas, como a quantidade de rounds, mas um detalhe importante ficou de fora: a possibilidade de esconder do oponente o seu cursor na tela de seleção de personagens – coisa que já existia no SF IV e em Marvel Versus Capcom3, mas que por motivos desconhecidos ficou de fora deste jogo. 

Mesmo assim, o game é imperdível – ainda mais pelo preço que está sendo vendido na Live e na PSN: sai por menos de 25 reais, cerca de sete vezes menos do que o novo SSF IV Arcade Edition nos grandes magazines. Certamente o jogo ainda será apreciado por poucos, mas aqueles que conseguirem superar a surpresa inicial deste Street tão diferente, vão conseguir se divertir com um dos melhores jogos de luta de todos os tempos, e isto não é pouca coisa. 

Conclusão

Finalmente o melhor jogo de luta 2D da história chega aos consoles da nova geração. Com novos modos de jogo e um modo on line (ainda que problemático), Street Fighter III 3rd Strike Online Edition deve agradar principalmente aos fanáticos pela franquia que não gostaram do rumo que a série tomou após Street Fighter IV

Nota TechTudo

NOTA tt
8.0
Gráficos
8
Jogabilidade
9
Diversão
9
Som
8

Prós

  • - Belos gráficos 2D.
  • - Sistema de troféus/conquistas.
  • - Novos modos de jogo.
  • - Extras destraváveis.
  • - Preço camarada.

Contras

  • - Jogabilidade complexa
  • - Modo online ruim.
  • - Poderia ter mais trials.
  • - Faltou uma versão para PC.
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  • Ingo Müller
    2011-09-03T10:56:19

    Paulo, cada um pode ter sua preferência - como você disse, a seu ver SFZ3, SSFIIT e SSFIV são melhores - mas os tops (tirando o Justin Wong, que declaradamente prefere SSFIVAE) consideram SF III o mais refinado da série, e eu honestamente concordo. Com relação as suas observações, atente para a concordância do texto:: não foi dito que a Capcom fez SF EX, foi dito que tudo que tem Ryu e cia vira ouro, o que não ocorreu com os três jogos citados. A mesma coisa vale para a placa: "poucos fliperamas tinham máquinas com a *nova* placa CPS". Abração.

  • Paulo Almeida
    2011-08-31T12:57:51

    Discordo na parte da trilha sonora, quem gosta de SF isso é um estorvo para os ouvidos, os cenários do 3rd Strike são bons? Do primeiro SFIII e do 2nd Impact são milhões de vezes melhores. A placa que ele rodava no arcade era a CPSIII e o SF EX não foi produzido pela Capcom e sim pela Arika, a Capcom só cedeu o direito pra essa empresa fazer, não por menos ela não pode usar os personagens exclusivos do EX em seus crossovers ou na série regular de SF (espero que um dia ela compre os direitos deles). SFIII é um jogaço, mas não é nem de longe o melhor SF a meu ver perde do SFZ3, SSFIIT e SSFIV.

  • Carlos Ferrarezi
    2011-08-30T17:26:53

    SF é sempre um clássico dos games, só espero que a jogabilidade online tenha boa performance e vamos a luta!!!! HEHEHE