Jogos de aventura

NOTA tt
7.5

Review Toren

Adventure criado por um estúdio indie brasileiro tem ares de conto de fadas sobre amadurecimento e liberdade.

Monique Alves
por
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Toren (ou Torën) é um game independente de aventura, produzido pelo estúdio brasileiro Swordtales. O título recebeu apoio da lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet) e ganhou grande destaque no cenário de desenvolvimento de jogos ao ser mostrado em festivais indie, entre eles em um espaço dedicado na Brasil Game Show de 2014, onde foi finalista de Design Art. Confira o review completo do game:

Toren, jogo brasileiro, é inspirado em Zelda e Shadow of the Colossus

TorenToren (Foto: Divulgação)

Enredo empolgante

A história é protagonizada pela “Criança da Lua” (Moonchild), uma garota escolhida para escalar a imensa torre construída pelos homens para alcançar a luz das estrelas. A menina está destinada desde antes de seu nascimento a salvar a humanidade ao libertar a luz da lua e derrotar o dragão, que tenta impedi-la de cumprir o seu objetivo.

Logo no início do jogo, durante o seu prelúdio e o renascimento da menina no bebê ainda dando os seus primeiros passos, é possível perceber que estamos diante de um projeto bastante ambicioso para um indie, contando uma belíssima história de crescimento e amadurecimento de uma guerreira, interna e externamente.

Porém, justamente por se tratar de um jogo com poucos recursos para seu desenvolvimento, é notável perceber as pequenas falhas que acabam tirando um pouco do brilho de um jogo que tinha tudo para, apesar de simples, se destacar no cenário nacional.

TorenToren (Foto: Divulgação)

Visual simples e trilha sonora que encanta

Com ares de “conto de fadas”, os gráficos do jogo são bastante satisfatórios e se assemelham a artes de livros infanto-juvenis. O level design, apesar de simples, cumpre o seu papel com louvor, não fosse por alguns bugs de texturas. Várias vezes a menina acaba ficando pendurada em alguma beirada porque escorregou em algum momento em que não se consegue enxergar o caminho à frente, por conta de texturas com falhas que tapam a sua visão.

Ainda assim, os desenvolvedores capricharam especialmente no que compete à ambientação de cada “ciclo” da vida da Criança da Luz. De bebê engatinhando a mulher, ela passa por locais iluminados pelo sol ou por cenários com total ausência de luz, assim como passa por campos floridos e depois a neve congelante domina os andares mais altos da torre. Todas estas estações são uma bela metáfora para o amadurecimento da protagonista, ao longo de sua jornada.

TorenToren (Foto: Divulgação)

A trilha sonora do jogo é lindíssima, com um destaque especial para as batalhas contra o dragão: a cada encontro, um tema mais belo do que o outro. Em algumas partes, a ausência de música combinada com os sons de passos ou de elementos do cenário acabam lembrando um pouco a era dos primeiros jogos 3D dos videogames. E não, isto não é um problema, muito pelo contrário: você acaba ficando nostálgico e jogando como se ainda fosse parte da era mágica dos 32 bits.

Jogabilidade necessita de adaptação

Quanto à movimentação e a jogabilidade, o segredo está na adaptação. Nos primeiros minutos, talvez haja certa dificuldade em se acostumar com os controles e principalmente com a câmera do jogo, que por vezes é estática e por vezes dá um rodopio e forma um ângulo totalmente incompreensível, que não favorece em nada o cenário e muitas vezes atrapalha tanto quanto os bugs nas texturas, já que você também não consegue enxergar direito o que há à frente.

Ainda que algumas partes ofereçam a opção de pressionar um botão para enxergar algum elemento crucial no ambiente, nesta transição entre tentar prestar atenção no que é preciso e ir para onde deve ir, a câmera gira e você se perde totalmente, sem saber em que direção está indo.

TorenToren (Foto: Divulgação)

O início do jogo é um tanto quanto repetitivo pelo fato de se estar tentando entender em que tipo de situação a Criança da Luz está envolvida. Ela, de fato, está presa dentro daquela torre, e a cada vez que morre, reencarna em um determinado ponto, dependendo do seu avanço no game, como se despertasse de um sonho confuso. O jogador, então, volta para onde deve realizar alguma tarefa, morre, ressuscita naquele ponto novamente e a coisa se repete, até finalmente entender o que o jogo espera de você.

Uma coisa bacana e que deve ser citada, aliás, é que cada vez que você morre e ressuscita, o guardião da Torre oferece um conselho para a menina, não se trata de uma dica para progredir no jogo, mas de um ensinamento para a sua vida, lembrando que, acima de sua luta para escapar da torre, está o seu crescimento pessoal.

Depois do início conturbado, já adaptado ao controle e ao estilo do jogo, as coisas passam a fluir muito melhor. Há poucos inimigos e poucos desafios ao longo de todo o jogo, e na maior parte do tempo você passará pulando de uma plataforma para a outra, tentando se entender com a câmera. Além dos enigmas, o jogo possui quests paralelas, que são os sonhos opcionais em que a Criança pode adentrar para completar a árvore da vida. Apesar disto, mesmo com estes caminhos alternativos, Toren é um jogo bastante curto, com cerca de 3 horas de duração, até para os mais exploradores e curiosos em fuçar todo o cenário.

O título está disponível nas plataformas PS4 e PC desde o dia 12 de Maio, em formato digital via Playstation Store e Steam. A edição de luxo do game, somente com versão para PC, vem com a sua trilha sonora original de brinde. Seu valor é bastante atrativo, e não passa dos 30 reais na versão “deluxe”.

TorenToren

Conclusão

Toren traz uma ideia ambiciosa e uma execução simples que resumem o tipo de jogo que ele é . Ainda assim, vale a pena se aventurar na jornada da Criança da Luz não necessariamente por se tratar de um jogo brasileiro, como forma de incentivar o mercado nacional e tudo mais, mas especialmente pela belíssima história e mensagens que o jogo passa.

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Nota TechTudo

NOTA tt
7.5
Gráficos
7
Jogabilidade
7
Diversão
7
Som
9

Prós

  • - Gráficos simples, porém bonitos.
  • - Desperta o “sentimento retrô” dos 32 bits.
  • - Protagonista cativante.
  • - Bela trilha sonora.
  • - Jogo desenvolvido por estúdio brasileiro.

Contras

  • - Muito curto.
  • - Câmera confusa.
  • - Texturas com bugs.
  • - Pouco desafiador.
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  • Mario Quadros
    2015-05-21T09:50:49

    Ainda não tive a oportunidade de jogar, mas parabéns para a desenvolvedora. Com certeza já é um grande passo para a indústria de games no Brasil. Só tende a melhorar com a visibilidade que este jogo está dando.