01/12/2010 17h52 - Atualizado em 14/07/2011 07h10

Jogos violentos: proibir ou não proibir? A resposta pode estar na educação

Rodrigo Cezzaretti
por
Para o TechTudo

A capacidade dos consoles da geração atual proporciona aos desenvolvedores uma gama interessante de possibilidades de programação. Os jogos estão cada vez mais reais e as sensações experimentadas ao longo da jogatina são intensas. A experiência de jogar títulos como Alan Wake (Xbox 360) ou Heavy Rain (PS3) é excelente, graças a toda a capacidade explorada nos aparelhos.

Nessa mesma linha de “fotorrealismo”, os games de guerra como Call Of Duty ou de mundo aberto como GTA exploram temas violentos no seu enredo. Desde que a indústria de games entrou em evidência, os conteúdos dos enredos foram colocados em questão. Um estudo feito pela RSNA - Radiological Society of North América, divulgado em 2006, identificou que os jogos violentos afetam os jovens negativamente. A pesquisa constituiu em analisar alguns gamers, logo após terem testado o jogo de guerra Medal of Honor. Depois desse testes foram identificadas algumas falhas na área cerebral referente ao autocontrole e concentração.

GTA - Ballad of Gay TonyGTA - Ballad of Gay Tony (Foto: Divulgação)

Em outro momento, uma pesquisa do College of Psychiatrists da Austrália e Nova Zelândia apontou que os jogos eletrônicos podem fazer tão mal quanto as drogas e o alcoolismo. Os resultados foram concebidos por um estudo online com 1945 voluntários. Cerca de 8% desse total (155 jogadores) eram considerados gamers problemáticos (pessoas que jogam mais de oito horas por dia, poucos amigos e se irritam se não jogarem). Com essa rotina, a síndrome de abstinência e os problemas psicológicos foram alguns dos fatores relacionados a esse perfil. Mas, qualquer atividade humana realizada em excesso é um agravante tanto psicológico quanto físico.

Em contrapartida, muitas pessoas e estudiosos seguem outra linha de pensamento e identificam os jogos eletrônicos como algo benéfico para o ser humano. Um desses casos é o de Guilherme Orozco, Mestre Doutor em Educação pela Universidade de Havard, que chegou à conclusão de que os gamers possuem uma inteligência superior, pois utilizam de uma forma inconsciente os métodos científicos, buscando regras e soluções para os desafios que são permanentes.

Conteúdo de games pode não ser ameça para educação

Indagado sobre a violência e sua relação com a criança foi enfático: “há pesquisas que mostram que o menos importante de um videogame é o conteúdo, ele é apenas um pretexto para a ação. A narrativa não importa muito. Por outro lado, há sim jogos violentos. Mas há também os que se desenvolvem em cenários democráticos. Já a violência na TV é diferente porque nela o que importa é o conteúdo, o narrativo”.

COD 5 World at WarCOD 5 World at War (Foto: Divulgação)

Outro estudioso, o Doutor Emilio Takase, da Universidade Federal de Santa Catarina, afirma que o uso dos jogos estimula os lados cognitivos, tornando todos que praticam pessoas com maior poder de concentração, melhor controle de ansiedade e com um bom aumento de capacidade espacial. Fica evidente essa melhora nos resultados em provas de raciocínio rápido, pois, em praticamente em todos os jogos é muito exigido.

No meio desse embate as questões relacionadas aos jogos violentos chegaram a esfera política. Em 2008, para a surpresa de muita gente, foram proibidos no Brasil os games Counter-Strike e EverQuest. A decisão foi proferida pelo Juízo da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais e alegou que os games eram “considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor”. Depois disso, outros títulos foram proibidos, tais como: Carmageddon, Postal e Grand Theft Auto.

A proibição é um bom caminho?

Se caminharmos para esse lado, muitas outras formas de entretenimento deverão ser proibidas. Filmes como o “Resgate do soldado Ryan”, “Clube da Luta”, “Rambo” e tantos outros, deverão ser limados da programação normal da televisão. Desenhos como “Tom & Jerry” (que vivem se batendo) serão banidos sem remorso. Não é esse o caminho.

A educação e o controle dos pais devem ser levados em conta. Todos os jogos possuem uma classificação etária do seu conteúdo que deve ser respeitada na hora da compra. Apenas em casos extremos como o game Rapelay, produzido e desenvolvido pela japonesa Illusion Soft, que induz o jogador a estuprar meninas inocentes devem ser proibidos. Nesse caso é de consenso geral que essa prática não é aceita por ninguém no Brasil.

Encontrar um meio termo entre o bom senso e a informação é a melhor saída para esse problema. Investir nesse processo educacional de compra é mais caro do que proibir, entretanto é o que pode dar mais certo.

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