01/12/2010 17h46 - Atualizado em 14/07/2011 07h10

Lá fora, o 4G se torna cada vez mais presente. Aqui, começa o ensaio para começar a conversar sobre o assunto

Eduardo Moreira
por
Para o TechTudo

Com a notícia ventilada ontem (11/11) que a operadora norte-americana Sprint irá oferecer o serviço de 4G para a cidade de Los Angeles a partir de 01 de dezembro, temos as duas cidades mais importantes dos Estados Unidos cobertas pela mais moderna tecnologia de internet que temos (uma vez que o serviço já está em funcionamento em Nova York). Diversas fontes informam que o serviço de WiMax (ou Worldwide Interoperability for Microwave Access - Acesso Interoperacional à Rede Mundial de Computadores por Microondas, em uma tradução livre) já está funcionando de forma não oficial na área da grande Los Angeles, e isso é perfeitamente normal para um serviço que está prestes a estrear.

Isso mostra como o cenário de evolução dessa tecnologia lá fora é bem contrastante com o que temos no Brasil. Lá, além de Los Angeles e Nova York, as cidades de Tampa, Hartford e várias outras já estão com o WiMax funcionando. No Brasil, apesar de alguns testes em cidades estratégicas do Rio de Janeiro e São Paulo, não fomos muito além disso, e só agora, um pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais, a Anatel se manifestou que está estudando a melhor forma de começar as conversas para a implantação da rede 4G em território nacional. A ideia de se iniciarem as conversas seria interessante, se não fossem por alguns detalhes.

O primeiro e o mais sério deles: o serviço de 3G no Brasil não funciona exatamente como se propaga pelas operadoras. Diversas cidades brasileiras não contam com este tipo de conexão, e as cidades que contam sofrem com uma saturação de linhas conectadas na mesma rede, o que resulta em uma má qualidade para todos. É papel da Anatel fiscalizar as questões de oferta e procura das operadoras, e exigirem que estas operadoras entreguem um serviço de qualidade para quem já tem, e que corrijam os defeitos que aparecem por consequência do excesso de oferta de linhas.

Além disso, ouvimos durante muitos anos as vantagens que o WiMax possui para implantação de internet de alta velocidade: estabilidade, maior velocidade oferecida, tanto para download quanto para upload, e baixo custo de implantação. Porém, estranhamente, o governo brasileiro resolve reativar a Telebrás, empresa que estava sucateada e inativa, apenas para usar a sua rede de fibra ótica, que poderá ser alugada pelas operadoras.

A iniciativa é interessante pelo lado econômico da questão, mas conta com um benefício direto para o governo a médio e longo prazo, que é justamente receber o dinheiro do aluguel dessa rede. Ou mais: receber por prover o acesso em localidades que estas operadoras não estão presentes, que é o objetivo principal do Plano Nacional de Banda Larga. Com este cenário mais vantajoso para o governo, não creio que o processo de implantação da rede 4G será acelerado no Brasil. E pior: perde-se a chance de se oferecer um produto com uma qualidade maior para o consumidor (pois, convenhamos, 256 Kbps de velocidade não pode ser considerado nos dias de hoje "banda larga").

Pode ser que, ao longo de 2011, tudo mude, e estamos mesmo na torcida para que alguma coisa mude. Mas, pelo andar da carruagem, esta vai ser mais uma novela que vai se arrastar por muito tempo, assim como o próprio Plano Nacional de Banda Larga, que já é uma novela que dura pelo menos dois anos, e que só deve chegar ao fim a partir de 2011 (isso, se chegar).

Enquanto isso, vamos ficar de olho nos próximos acontecimentos, pois tudo o que o internauta brasileiro quer é uma internet de boa velocidade e estabilidade, mas por um preço justo. E o WiMax poderia ser uma excelente saída para isso.

Fonte: Engadget

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