Tablet

04/02/2011 10h15 - Atualizado em 14/07/2011 07h04

Afinal, celulares derrubam aviões?

Bruno do Amaral
por
Para o TechTudo

Não existe coisa mais chata do que encarar uma longa viagem de avião sem ter o que fazer. Entre as causas de irritação estão o pouco espaço para as pernas, passageiros sem educação, serviço de bordo precário e, principalmente para um geek, a impossibilidade de utilizar o celular, seja para navegar ou fazer chamadas. Mas o aparelho é realmente tão maléfico para os instrumentos de uma aeronave?

Avião decolando (Foto: Reprodução/stock.xchng)Avião decolando (Foto: Reprodução/stock.xchng)

Especialistas norte-americanos afirmam que não. Afinal, não é raro que passageiros esqueçam os telefones ligados e só percebam depois de aterrissar tranquilamente, sem que o avião tenha se transformado em bolas em chamas caindo do céu.

Não há nenhuma prova da interferência, um temor que já dura 20 anos. A regra norte-americana que proíbe o uso de celulares sequer é uma lei federal. O Federal Communications Commission (FCC), agência norte-americana que regula o setor de comunicações (semelhante a Anatel), chegou a realizar uma investigação em 2004, mas a pesquisa foi abandonada três anos depois, alegando ainda não ter informações suficientes.

Inconveniência?

xperia x10 (Foto: techtudo)Xperia x10 (Foto: techtudo)

De acordo com Carl Biersack, membro da IPCC (uma sociedade em prol do uso de telefones em aviões), o real motivo da FCC não ter aprovado os aparelhos nos aviões ultrapassa a questão técnica ou de segurança. Prova disso seria a livre utilização dos aparelhos em aeronaves de companhias em 139 países, incluindo os da Europa.

Segundo Biersack, o problema mesmo seria a pressão pública, que acreditaria que passageiros não querem ser incomodados com a falação no voo. Detalhe: de acordo com a IPCC, a duração média de chamadas realizadas dentro de aviões é de apenas 53 segundos nos países onde é permitido.

Aqui no Brasil apenas recentemente a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizou o uso de celulares, incluindo pacote de dados, em alguns voos da companhia aérea TAM. Ainda assim, são poucas as rotas que oferecem o serviço, que cobra valor de DDI mesmo em chamadas nacionais e possui conexão de, no máximo, 250 kbps.

As pessoas também não podem falar ao mesmo tempo e os celulares não podem funcionar durante pousos e decolagens. A regra local para todo o resto – ou seja, a esmagadora maioria dos voos comerciais realizados em território nacional – apenas permite ligar o aparelho quando a aeronave estiver no solo e com o motor desligado.

Mesmo a configuração “flight mode” (ou “modo de vôo”) nos aparelhos não é permitida nos aviões, o que impossibilita o uso, ainda que offline, de smartphones, celulares ou videogames portáteis (estes apenas por conterem a função Wi-Fi). Notebooks também não são bem-vindos em rotas domésticas.

Sinal de mudança

Enquanto isso, voltando aos Estados Unidos, o Google ofereceu Wi-Fi gratuito em voos das empresas AirTran, Delta e Virgin America entre novembro do ano passado e o começo de janeiro de 2011. A única exigência é a utilização do navegador da empresa, o Chrome. É um preço pequeno a se pagar pela comodidade de poder navegar na Internet e espantar o tédio. É também um grande passo para derrubar o mito – não o avião – do uso de aparelhos eletrônicos dentro de aeronaves.

Via: The Daily

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares

  • Thiago Moura
    2011-02-04T16:20:17

    No caso da TAM, a aeronave apresenta uma antena retransmissora acoplada, que se comunica via satélite, dessa forma os aparelhos operam em baixa potência. Nos demais casos o uso do celular deve ser restrito, mesmo em modo “airplane” pois não há fiscalização quanto a isso nas aeronaves.

  • Thiago Moura
    2011-02-04T16:19:15

    Continuação Os cabos da aeronave, assim como os das caixas de som, possuem isolamento eletromagnético, mas ainda são vulneráveis. Em testes realizados, foram verificadas algumas desconformidades como a desconexão acidental do piloto automático, congelamento da bússola e erro de indicação de proa magnética. Não existe nenhum acidente comprovado relacionado aos celulares, mas em 11/12/1998, um Airbus A310 caiu na Tailândia ao tentar pousar pela terceira vez. Nos destroços foram encontrados muitos celulares ligados e suspeita-se que foram usados para avisar que o vôo estava atrasado. Continua

  • Thiago Moura
    2011-02-04T16:18:29

    Continuação Em uma aeronave em vôo, as antenas estarão distantes, provavelmente fora de alcance, fazendo os aparelhos ligados operarem em potência máxima. Em tese as freqüências de operação são diferentes entre celulares e a comunicação e navegação das aeronaves, porém a presença de ondas harmônicas podem afetar a aeronave. A onda harmônica é gerada involuntariamente em múltiplos inteiros da onda original. Os cabos da aeronave também podem sofrer influência de um celular. Comprovar isso é fácil, basta aproximar o celular em ligação do cabo de uma caixa de som e ouvir o ruído causado. Continua

  • Thiago Moura
    2011-02-04T16:14:41

    Olá, sou bacharel em ciências aeronáuticas da UNOPAR e tenho alguns esclarecimentos a dar: O telefone celular é um aparelho que recebe e transmite ondas eletromagnéticas com as antenas no solo, como os rádios, mesmo em modo stand-by o celular emite e recebe sinais com as torres. Sua operação é um UHF e sua potência de transmissão varia conforme sua distância para a torre, variando de 20 miliwatts a 3 watts. Prova disso é que, quando se opera um aparelho celular em área urbana, próximo às torres, a duração da bateria é maior em comparação com área rural, longe das torres. Continua...