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11/02/2011 10h49 - Atualizado em 14/07/2011 07h03

Novas câmeras fotográficas - um pouco mais do mesmo

Gilson Lorenti
por
Para o TechTudo
LUMIX - DMC-FZ40PU-K  (Foto: Divulgação)LUMIX - DMC-FZ40PU-K (Foto: Divulgação)

Essa semana a Canon anunciou de forma oficial as suas novas duas câmeras reflex de entrada. Bem antes desse anúncio, muitas informações já havia vazado na internet e já estávamos preparados para as especificações que encontramos. Todo lançamento dessa envergadura causa um pouco de ansiedade nos consumidores, pois esse é o momento de vermos as novidades e descobrir quais novos recursos vão virar tendência para a próxima linha de equipamentos.

Infelizmente, esse foi um dos lançamentos mais mornos que tive o prazer de presenciar e essa não é apenas a minha opinião. Ao que pude notar, tirando alguns enfeites e perfumarias adicionados aos modelos, essa é a terceira câmera da linha Rebel que a Canon lança sem muita coisa a adicionar. Temos mudanças de baterias, leves variações do peso e dimensões, alguns recursos automatizados (modo inteligente, filtros artísticos), mas o básico das câmeras se mantém, levando ao questionamento se realmente é necessário uma nova câmera para substituir a antiga.

Aqui podemos entrar em várias discussões sobre como funciona o mercado, mas alguns pontos podem ser levados em consideração. O primeiro é a própria revolução que a fotografia digital trouxe para nossas vidas. Durante as décadas de 1980 e 1990 era muito caro fotografar. A crise financeira mundial afastou muitos dos adeptos da fotografia por conta dos custos de revelação e dos filmes fotográficos.

Até a fotografia doméstica estava limitada a uma câmera fotográfica por família, onde um filme de 36 poses ficava durante semanas no equipamento até ser totalmente usado. O digital causou uma revolução. Nesse momento todos tinham a liberdade de serem fotógrafos e produzirem imagens. A evolução dos equipamentos atingiu um ritmo alucinante e a cada seis meses tínhamos uma novidade que justificava o lançamento de uma nova câmera. A indústria se aqueceu, novos empregos foram criados, novos mercados foram abertos e empresas que não tinham tradição na fotografia embarcaram nessa nova onda (Panasonic, Sony, GE).

Mas, como tudo na vida, as coisas mudam. Nos últimos dois anos percebemos que a indústria da fotografia atingiu um patamar tecnológico que não pode ser ultrapassado. Câmeras são lançadas com quase nenhuma melhoria em relação ao modelo anterior, nos trazendo apenas um pequeno aumento na quantidade de megapixels, o que pode, em alguns casos, significar uma piora considerável na qualidade de imagem do equipamento. Mas, assim como a indústria da moda, a indústria dos equipamentos fotográficos agora vive de coleções anuais com cores berrantes e design futurista.

E nós, consumidores, queremos sempre estar em dia com as novidades. Ainda tenho em casa minha antiga Sony Cybershot P71 de 3,1 megapixels que funciona perfeitamente e me entrega ótimas imagens dos momentos caseiros, mas sou chamado de dinossauro quando tiro ela da bolsa. Coisas de um mundo consumista.

Valorizamos muito a nossa quantidade de megapixels, quantos modos de detecção diferentes nossas câmeras possuem e até a capacidade que o equipamento tem de pensar por nós. Mas, nos tornamos meros reprodutores de imagens sem conteúdo ou de gosto estético duvidoso. A fotografia digital facilitou nossa vida ao permitir que registremos nossa memória visual, mas também banalizou a imagem, tornando-a sem importância. Nunca se fotografou tanto durante a história da humanidade e, proporcionalmente, nunca se deu tão pouca importância a esse tipo de documento.

A roda da indústria não vai parar. Vender câmeras é necessário, mesmo que os modelos anteriores ainda estejam funcionando perfeitamente. É necessário criar a rotatividade para que as engrenagens não parem. Mas, nós que fazemos a coisa andar não precisamos disso. O que o consumidor precisa é qualidade de imagem, equipamentos confiáveis, duráveis e baratos.
O que necessitamos são equipamentos que nos possibilitem registrar nossa memória familiar e o cotidiano, para que essa imagem seja eternizada aos olhos de quem as observa. E isso, meus amigos, pode ser feito até com uma latinha de leite em pó.

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