Sistemas Operacionais

27/04/2011 11h39 - Atualizado em 14/07/2011 06h52

Conheça os perigos do envio anônimo de dados pelos sistemas operacionais móveis

Eduardo Moreira
por
Para o TechTudo

Vivendo e aprendendo. Sempre. Quando você acha que você já sabe tudo sobre o seu smartphone preferido (e vice-versa), que domina todas as suas funções e que não há mais nada de diferente que você possa explorar, aparece algum pesquisador e te lança uma nova perspectiva. Ou, nesse caso, uma descoberta que é, de certo modo, algo inusitado e preocupante.

Seu smartphone está criando um histórico de suas localizações (Foto: Reprodução)Seu smartphone está criando um histórico de suas localizações (Foto: Reprodução)

Uma dupla de pesquisadores britânicos descobriram um recurso presente nos sistemas iOS que permite que os smartphones gravem a sua localização constantemente, fazendo marcações e salvando esses dados para um uso posterior. A notícia pegou muita gente de surpresa, gerando rumores dos mais diversos teores.

Os problemas dessa nova função são sérios. Além de ser uma função não-documentada (ou seja, a imensa maioria dos usuários nem desconfia de sua existência), o rastreamento da localização do usuário é feita de forma autônoma, ou seja, sem a solicitação do usuário, mantendo os arquivos ocultos no telefone, com esses dados. Os arquivos estão com o nome consolidated.db (no caso do iPhone 4) e são relativamente fáceis de serem descobertos e acessados, podendo, inclusive, ser armazenado em qualquer computador usado para efetuar o sincronismo do smartphone, o que pode gerar um perigo de violação de privacidade ainda maior.

Inicialmente, foi divulgado que o problema só estava presente nos smartphones com iOS (principalmente no iPhone 4), porém, dias depois, o The Wall Street Journal apresentou documentos revelando que os sistemas Android também se utilizam da mesma prática. A informação foi constatada pelo analista de segurança Sammy Kamkar, que repassou os dados para o jornal. Os testes de Sammy foram feitos com um smartphone da HTC, rodando Android, ao qual constatou-se que o aparelho enviou ao longo do dia dados com informações da localização do usuário por diversas vezes, informando o nome do usuário, localização e intensidade das redes Wi-Fi.

Algumas pesquisas mostram que esse comportamento no iPhone é conhecido há algum tempo, mas apenas entre os especialistas em computação forense. De forma adicional, caso o usuário restaure o backup do smartphone ou migre os dados para outro smartphone, esse registro de dados de localização também é sincronizado. Isso, para os pesquisadores, revela que o procedimento não é algo acidental, e que foi bem planejado para que ficasse ativo em caso de defeito ou troca do telefone.

Nova versão do Google Maps para celulares possui o recurso de visualização 3D (Foto: Divulgação)No Google Maps, há recursos de visualização em 3D. Imagine o tamanho do problema (Foto: Divulgação)

 

Como podemos constatar, o recurso não é uma exclusividade de um sistema. Ao que tudo indica, é um recurso implementado pelo Google (principalmente no aplicativo Google Maps) nos dois principais sistemas operacionais móveis do mercado. Esse tipo de localização automática é normalmente utilizada em serviços de telefonia móvel para determinar aonde o usuário está, para fazer a cobrança correta das ligações. Porém, quando as operadoras utilizam o recurso, eles o fazem com uma ordem judicial para ter acesso aos dados.

No caso dos serviços do Google, a atividade é feita sem aviso prévio do usuário, o que configura uma violação direta de privacidade. É cedo para afirmar, mas também temos que considerar a hipótese (remota) de que a Apple desconheça o fato de esta função estar ativa em seu sistema (mesmo que de forma indireta). Por outro lado, mesmo assim eles teriam "culpa no cartório", por ter um sistema tão rígido de aprovação de aplicativos e programas mas permitir que um programa do Google execute tal ação.

Pesquisadores de software continuam trabalhando para saber se há mais sistemas operacionais móveis que se utilizam da mesma prática. Até o momento, não há informações se os sistemas Symbian e Windows Phone 7 utilizam desse mesmo recurso. No caso do Symbian, sabemos que ele possui compatibilidade com o o Google Maps, mas não se sabe se tal envio está ligado ao software ou à configuração de uso do sistema de GPS do Google, que pode ser configurado nos smartphones da Nokia.

Em relação ao Windows Phone 7, a preocupação é menor, mas não tanta. A própria Microsoft já se pronunciou sobre o assunto revelando alguns detalhes de como funciona a sua coleta de dados. Eles afirmam que só coletam dados do usuário se o próprio autorizar o aplicativo a fazer isso, ao ser solicitado essa coleta. Além disso, esses dados ficam em uma base de dados própria. Outro detalhe revelado pela Microsoft é que, quando os usuários estão cientes dessa coleta de dados, ela é feita quando o aparelho está em modo Wi-Fi ou 3G, e que esses dados são sobre pontos de acesso sem fio ou torres de celular.

Porém, uma questão importante fica em aberto: o que exatamente a Microsoft faz com essas dados? Seria apenas para confrontar com dados de serviços como o Foursquare ou Twitter? E por quanto tempo essa informação fica disponível em seu banco de dados?

O Google resolveu se defender, dizendo que o compartilhamento de posicionamento no sistema Android é opcional e que todos os seus dados são armazenados de forma anônima. Já a Apple ainda não se pronunciou sobre o assunto.

De qualquer modo, fica a preocupação: para aqueles que sempre suspeitaram do Google, achando que eles querem saber tudo sobre nós, essa polêmica é um prato cheio. Abaixo, temos três vídeos sobre o assunto. O primeiro mostra a discussão sobre o recurso oculto e os outros dois vídeos mostram o recurso em ação.

 

 

Via Engadget e The Wall Street Journal.

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  • Welligton Gonçalves
    2011-04-27T18:28:16

    Quais são os perigos mesmo? A matéria não diz.