04/04/2011 19h48 - Atualizado em 14/07/2011 06h56

EletroAxé: Conheça a roupa percussiva de Carlinhos Brown que fez sucesso no Carnaval da Bahia

Nick Ellis
por
Da redação

Conversamos com Lucas Werthein, responsável por criar a roupa percussiva de Carlinhos Brown, que surpreendeu muitos foliões no Carnaval na Bahia. Lucas mora em Nova York, trabalha com instalações interativas e faz parte de um grupo coletivo dedicado a criar arte eletrônica. O grupo é bem aberto e democrático, e quando uma pessoa é convidada para desenvolver o trabalho, recebe a ajuda dos outros participantes.

Roupa percussiva de Carlinhos Brown (Foto: Divulgação)Roupa percussiva de Carlinhos Brown (Foto: Divulgação)

Ao passar o ano novo na Bahia, Lucas encontrou um amigo que conhecia Carlinhos Brown. O conceito de criar uma roupa percussiva, que tornasse o músico uma autêntica “percussão ambulante”, veio de uma ideia antiga que Lucas teve ao ver alguém fazendo música com latões na rua.

A proposta foi evoluída e apresentada a Carlinhos Brown, que mostrou o interesse em fazer uma apresentação oficial durante o Carnaval. A partir daí, Lucas e seu amigo Kyle Mcdonald tiveram três semanas para desenvolver o primeiro protótipo da roupa. O processo foi todo feito em Nova York, e depois trazido pro Brasil.

Carlinhos Brown testa a roupa percussiva (Foto: Divulgação)Carlinhos Brown vestindo a roupa (Foto: Divulgação)

O funcionamento da roupa percussiva é bem simples, cada vez que o músico bate em determinado ponto, um sensor é ativado e envia um sinal para uma placa de robótica, que ativa o som correspondente em um sampler. São 10 sensores no corpo, sendo um especial em cada pé, que faz um barulho muito grave, e é ativado pelos passos e pisadas do músico.

O mais interessante é que, ao receber o protótipo, Carlinhos Brown vestiu a roupa e já saiu tocando, sem precisar de nenhum ensaio. Foram necessários alguns ajustes finos dos sensores, que foram inseridos dentro da roupa de apresentação do Carlinhos, desenhada pelo seu estilista pessoal.

A estréia oficial aconteceu em uma performance para o público, e resultou em uma chuva de aplausos. Carlinhos vestiu a roupa na frente do camarote do bloco de Ivete Sangalo, e em outro dia, fez uma apresentação especial no camarote de Gilberto Gil, o Expresso 2222.

Confira a roupa percussiva no vídeo abaixo, e depois entenda como foi o processo de produção:


Todo o processo é sem fio. Lucas optou pela mesma frequência de uma rede Wi-Fi, 2.4GHz, pois ela está livre da interferência de rádio, câmeras ou walkie talkies. Lucas disse que está acostumado a trabalhar em situações na qual tem todo o controle sobre os elementos, mas neste caso, a proposta era trabalhar em tempo real, sem muito controle, usando e abusando da criatividade e da improvisação.

A equipe era composta por, Lucas, Kyle e o irmão de Lucas, Rodrigo Sarti Werthein da produtora Acere, que foi o produtor responsável por viabilizar o projeto. Quem estava de fora poderia achar que o processo era desorganizado, mas tudo funcionou como previsto. O mecanismo é relativamente simples, mas um projeto com estas dimensões acaba ficando complicado.

Como estamos falando de algo que conta com sensores e elementos de robótica, boa parte do público pode se surpreender e até ficar assustado, por não entender como estas coisas funcionam, alguns inclusive achavam que tinha um DJ nos bastidores, replicando os toques que o músico dava na roupa.

Sensor usado na roupa percussiva (Foto: Reprodução)Sensor usado na roupa percussiva (Foto: Reprodução)

Carlinhos está montando um laboratório de inovação no seu grupo, e Lucas e sua equipe já estão pensando em uma atualização da roupa, com uma nova versão que ele possa usar como um instrumento real, sendo tão confiável que ele sinta a segurança para usá-la em seus shows.

Lucas destaca que Carlinhos poderia ter chamado uma empresa maior para desenvolver algo semelhante, mas ele preferiu chamar o que ele apelidou de “cientistas”. Carlinhos resolveu investir em uma equipe criativa e inovadora, e com isto, abriu um leque de possibilidades para o futuro.

Carlinhos ficou empolgado com o projeto, que já está cheio de planos para a roupa percussiva desenvolvida por Lucas. Como em 2011 o Brasil está celebrando o ano da percussão, esta invenção poderia ser usada em escolas, para ensinar aos alunos de forma interativa quais são os instrumentos percussivos, e como é a sonoridade de cada um.

Roupa percussiva de Carlinhos Brown (Foto: Divulgação)Roupa percussiva de Carlinhos Brown (Foto: Divulgação)

Outro ponto a se destacar no projeto da roupa percussiva, é que Lucas incentiva muito outras pessoas a criarem coisas semelhantes. Todo o processo foi desenvolvido com software de código aberto, e o código utilizado está disponível online, para ser usado sem fins comerciais. Lucas inclusive deu uma entrevista para a revista americana Make, especializada em ensinar pessoas a criarem projetos com recursos próprios, usando as próprias mãos.

Para o artista, hoje em dia você tem ao seu dispor várias ferramentas e máquinas que te ajudam a produzir os protótipos de forma simples e rápida. O que realmente diferencia um projeto do outro é a sua originalidade, e a qualidade da execução. Então se você também tem um projeto interessante na cabeça, mas não sabia por onde começar, aproveite a inspiração e os conselhos de Lucas e mãos à obra! Depois que terminar, não esqueça de nos avisar para publicarmos sua invenção aqui no TechTudo.

Veja mais fotos no blog pessoal de Lucas Werthein (em inglês) e no Flickr.
 

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  • Dayse Abreu
    2011-04-06T12:29:34

    Pena que a maioria dos brasileiros nao conhecem outros ritmos. O bairrismo impede a divulgacao das maravilhas musicais que o Brasil exporta com sucesso. Carlinhos Brown tem seu nome respeitado em qualquer palco e qualquer plateia do mundo, mas o brasileiro aceita os de fora e desvalorizam os nossos grandes e inovadores astros. Tentem conhecer o que existe de classico, moderno e popular da cultura brasileira. A Bahia nao eh so carnaval, eh o berco da nossa raca. (nao esta acentuado por falta deste recurso no Apple)

  • Claudio Silva
    2011-04-05T21:41:10

    Concordo com o comentário anterior quanto a liberdade de expressão, no entanto, falar do que acredito, apesar de ser indelicado, mas, a verdade deve ser dita, o senhor desta reportagem é extremamente ridículo, acredito que não acrescenta em nada para a nossa cultura.Deveria ser ignorado pela mídia.