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31/05/2011 16h33 - Atualizado em 14/07/2011 06h45

Mulher presa por dirigir é solta graças a pressão das redes sociais

Cynara Peixoto
por
Para o TechTudo

Sou mulher, ocidental, nascida na década de 80, pós-feminismo. Talvez eu seja uma sortuda por isso. Cresci em um ambiente onde nunca me senti menos que nenhum homem, nem achei que teria menos direitos ou menos obrigações. É um mundo onde as mulheres podem ser presidentes, executivas, pedreiras, taxistas, caminhoneiras… tudo o que quiserem.

Manal Al Sharif (Foto: Divulgação)Manal Al Sharif (Foto: Divulgação)

Mas existe ainda uma parte do mundo que não é assim. Onde as mulheres tem que cobrir seu rosto, não podem votar, ou ter a guarda de seus filhos. E, nem mesmo, o direito de dirigir.

Semana passada espalhou-se pelo mundo a notícia de que uma mulher de 32 anos, Manal Al-Sharif, consultora de segurança de informática da Aramco, foi presa na Arábia Saudita simplesmente por dirigir. O que mais impressiona a todos é que não existe lei nenhuma no país que a proiba de dirigir, mas sua religião não permite, porque, segundo eles, as mulheres estariam livres para “interagir com estranhos do sexo masculino”.

O que a tecnologia tem a ver com isso? Tudo. Manal foi presa após postar um vídeo no YouTube onde dirigia e conclamava as mulheres de seu país a fazer um protesto, no dia 17 de junho. Participava de um movimento que criou uma página no Facebook, chamada de “Ensina-me a conduzir para que eu possa me proteger“. Além de fazer campanha no Twitter. Todos estes foram bloqueados.

Graças às redes sociais, rapidamente a notícia de sua absurda prisão foi divulgada pelo mundo, onde imediatamente obteve apoio de organizações de direitos humanos, que fizeram uma enorme pressão no governo saudita. E mais: rapidamente provocou reações e questionamentos das pessoas dentro de seu próprio país, através das tags #freemanal e #woman2drive, além de uma página no Facebook e petição online.

Graças a esta repercussão, seis horas depois, Manal foi solta após seu pai pagar sua fiança, não sem antes ser obrigada a assinar um documento onde dizia que não voltaria a dirigir ou falaria com repórteres. Mas acredito que ela não vai se calar tão fácil, principalmente após ver sua carta, publicada em um jornal saudita Daral Hayat, onde diz que isso está além de uma questão religiosa.

Se para mim e para você sites como Twitter e Facebook não passam de uma ferramenta de comunicação e diversão, em países com uma cultura de repressão elas podem ser uma arma de libertação. Não é coincidência haver uma sequência de revoltas contra governos em tantos países árabes e movimento para mais direitos para as mulheres. O contato com outras culturas, a facilidade de se organizar ações coordenadas e a rápida divulgação farão com que os países árabes tenham uma divisão no tempo: antes e depois da redes sociais.

Veja o vídeo que motivou a prisão de Manal Al-Sharif:

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  • Cynara Peixoto
    2011-06-01T14:19:07

    Bruno, segundo as informações que estão sendo divulgadas, a motivação é realmente religiosa, já que não existe sequer lei para isso. Não é que o islamismo em si proíba (nos outros países não existe isso), mas sim um braço mais radical que tem força na Arábia Saudita, e faz pressão no governo. E como este não é um país laico, este tipo de coisa ainda é muito comum.

  • Bruno Cruz
    2011-06-01T06:20:13

    Uma coisa que vc comentou que não é verdade, é falar que a religião não permite a mulher dirigir, pelo contrario a mulher ela pode votar, ter emprego, se divorciar, etc. Isso é cultura do País, que também não concordo, pois na arabia como está sendo dito as mulheres não pode dirigir e sim somente os maridos, mas isso é cultura da região, se for em outro país que a religião pedromina já é diferente. Obrigado.