Celular

23/11/2011 20h33 - Atualizado em 23/11/2011 20h33

Crianças com smartphones: qual é a idade certa?

Ticiano Sampaio
por
Para o TechTudo

Ainda envolvidos com os dilemas sobre a presença dos seus filhos na internet, sobretudo nas redes sociais, os pais de hoje lidam com um agravante a essa problemática: a meninada quer smartphones, e quer cada vez mais cedo. A preocupação causada pela presença online de crianças e adolescentes é agravada na era da internet móvel, pois esse tipo de acesso aumenta potencialmente os já conhecidos riscos da rede.

Crianças com smartphones (Foto: Japan Trends)Apesar dos inúmeros atrativos, o smartphone, por ser uma ferramenta de uso pessoal, pode acabar com o controle dos pais sobre o conteúdo acessado por eles (Foto: Japan Trends)

Antes da explosão dos smartphones e tablets e das redes móveis, o grande temor dos adultos com relação ao contato de seus filhos com a rede girava em torno do acesso a conteúdos impróprios e do contato com estranhos, incialmente tido através de e-mails e salas de chat. As formas de acesso mudaram, e a própria internet mudou, tornando todo esse quadro muito mais preocupante.

O smartphone propicia acesso à internet numa situação de privacidade com a qual não se contava dos tempos da navegação por “home pages” ou do chat no desktop da sala de casa. A meninada da “era mobile” pode perambular por aí, acessar todo o conteúdo que der na telha e interagir com estranhos, afinal, esse contato com estranhos faz parte da lógica de funcionamento da própria internet de hoje, que praticamente gira em torno das redes sociais.

A presença de crianças em redes sociais se faz inadequada mesmo que elas não tenham contato com nenhum adulto mal intencionado. Essas redes são desaconselhadas porque cada usuário ali fala para grupos enormes de pessoas, e ali presumem que estão falando com interlocutores de um mesmo grau de maturidade. Ao escrever mensagens impróprias no Twitter, alguém que tenha milhares de seguidores não estará preocupado se você permitiu que o seu filho estivesse ali naquela lista.

Nas salas de aula, o uso de smartphones têm sido um verdadeiro problema para os professores. (Foto: Getty)Nas salas de aula, o uso de smartphones têm sido um verdadeiro problema para os professores. (Foto: Getty)

Nos tempos do desktop na mesa da sala, com a possibilidade de o paizão aparecer dando uma conferida nas janelas do navegador, havia quem argumentasse que os métodos de monitoramento, inclusive por software, eram falhos. Nessa era da mobilidade, uma coisa é certa: a partir do momento em que o Papai Noel chegar com aquele tão sonhado iPhone ou Android para o seu filho, toda tentativa de controle será vã.

Uma pesquisa recente mostrou que, nos EUA, está-se formando um consenso de que a idade ideal para que os jovens tenham seu primeiro celular comum gira em torno de 12 anos de idade, enquanto para smartphones a idade mínima sobe para os 16 anos. Diante das preocupações já apresentadas, parecem limites razoáveis.

O contato com a tecnologia, o desenvolvimento de capacidades nessa área e da desenvoltura no uso da própria internet fazem parte do processo educativo. São experiências que precisam ser vividas até mesmo para a formação do individuo, para a aquisição de faculdades técnicas e até mesmo humanas.

As soluções em dispositivos móveis são o assunto do momento e estarão em voga por muito tempo. É justamente por isso que se faz necessário encontrar um ponto de equilíbrio na questão. Não se pode tolher algo importante para a formação dos jovens, ao mesmo tempo em que se faz temerária a exposição prematura e irrestrita deles à rede.

Esse assunto ainda pautará muitas discussões envolvendo pais, educadores e até mesmo empresas de desenvolvimento de software, que apresentarão as mais mirabolantes soluções de monitoramento e bloqueio de serviços e de conteúdo. O que precisa ficar claro é que os pais precisam assumir o papel de pais e, nesse assunto como em qualquer outro, precisam ser capazes de estabelecer os limites.

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