Robótica

23/11/2011 12h37 - Atualizado em 23/11/2011 12h37

Robô virtual associa números ao corpo assim como os humanos

Eduardo Moreira
por
Para o TechTudo

Um robô virtual, desenvolvido na Universidade de Plymuth, no Reino Unido, adquiriu a propriedade cognitiva comum nos seres humanos de associar números ao corpo. A demonstração da tecnologia foi realizada com sucesso durante a Cognitive Science Conference, em Boston, no mês de julho.

Em todos os testes, o robô foi mais rápido que o ser humano para identificar os números e acionar os botões com a mão certa. (Foto: Reprodução)Em todos os testes, o robô foi mais rápido que o ser humano para identificar os números e acionar os botões a mão certa. (Foto: Reprodução)

O cérebro humano é capaz de associar pequenos números ao lado esquerdo do corpo e grandes números ao lado direito. No caso do robô virtual, ele foi capaz de "aprender" essa peculiaridade, ajudando assim no estudo da organização cerebral nas atividades cotidianas.

Para que o robô virtual adquirisse a propriedade, os pesquisadores utilizaram o efeito SNARC, que faz com que as pessoas respondam mais rapidamente a um experimento com a mão esquerda, quando um número é pequeno, e com a mão direita, quando um número é grande. Por exemplo, em um jogo de perguntas e respostas, onde a resposta da pergunta é "2", a pessoa questionada vai apertar o botão mais rapidamente se usar a mão esquerda para isso.

Porém, a teoria é controversa, pois muitos cientistas associam esse conceito ao método ocidental de aprendizado numérico. Nós aprendemos a contar da esquerda para a direita, e o formato faria com que o nosso cérebro criasse essa associação ao longo do tempo. Algumas evidências de culturas que fazem o caminho inverso (números crescentes da direita para a esquerda) mostram que a associação cerebral também pode ser invertida.

É nesse ponto que o robô entra em ação. Os pesquisadores criaram uma espécie de "criança virtual", a partir do simulador digital do robô humanoide iCub, e apresentou esses processos de aprendizado. No começo, o robô se movia aleatoriamente, tal como acontece com as crianças nos primeiros anos de idade, que só toma consciência do seu corpo com o passar dos anos. Para simular a arquitetura de nosso cérebro, os pesquisadores estabeleceram três áreas de processamento no cérebro do iCub: dois correspondentes para cada braço e um terceiro para os olhos.

Os testes mostraram que o processo de aprendizado por associação pode ser o mesmo para o robô e o ser humano

Depois, os pesquisadores ensinaram o robô a contar, apresentando uma sequência de números de 1 a 15, dispostos da esquerda para a direita na ordem crescente. Após o período de aprendizado, o robô foi para o teste SNARC. Uma série aleatória de números pares e ímpares foram apresentados, e o robô tinha como missão pressionar com a mão esquerda os números pequenos e com a mão direita, os números grandes.

Em todos os testes, o robô foi mais rápido que o ser humano para identificar os números e acionar os botões a mão certa. Em um segundo teste, quando os números menores foram deslocados para o lado direito da fila, o robô também conseguiu detectar com rapidez que a sequência foi alterada, acionando os números menores com a mão esquerda e os maiores com a direita. (A New Scientist divulgou um vídeo com a performance do robô virtual. Para assistir, clique aqui).

A cientista Marek Rucinski, que lidera a equipe de pesquisadores, explica que as ligações estabelecidas durante as fases de aprendizado fez com que as áreas do 'cérebro' desenvolvessem a associação com as sequências numéricas e combinações exatamente da forma como é feito no corpo humano. Porém, isso não significa que o processo de pensamento do robô seja o mesmo que o nosso. Apenas prova que o processo de aprendizado por associação pode ser o mesmo para os dois casos.

Via New Scientist

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