Sistemas Operacionais

10/04/2012 17h36 - Atualizado em 10/04/2012 18h34

Red Hat dá exemplo comunitário com doação de 100 mil dólares

Augusto Campos
por
Para o TechTudo

A Red Hat, empresa fundada em 1993 que mantém uma série de produtos corporativos baseados em código aberto – incluindo o Red Hat Enterprise Linux – deu uma boa notícia a seus investidores ao publicar seus mais recentes resultados trimestrais: alcançou uma inédita receita anual superior a US$ 1 bilhão, demonstrando uma vez mais que é possível ter um modelo de negócios bem-sucedido ancorado no paradigma aberto de desenvolvimento.

Red Hat (Foto: Divulgação)Red Hat (Foto: Divulgação)

E entenda-se aqui um modelo aberto de fato: vários outros produtos, incluindo o concorrente Oracle Linux e a distribuição Linux comunitária CentOS são baseados diretamente no código do Red Hat Enterprise Linux, reempacotando e redistribuindo até mesmo as suas atualizações. Desde que não mencione a marca registrada Red Hat, o licenciamento adotado pela empresa permite isso sem maiores restrições.

Além disso, desenvolvedores pagos pela empresa contribuem grandes volumes de código a uma série de projetos adotados largamente pela comunidade open source, incluindo o kernel Linux, e softwares criados no âmbito da Red Hat, como o gerenciador de pacotes RPM e o configurador de redes NetworkManager, foram adotados largamente por outras empresas e distribuições.

Por falar em distribuições, a Red Hat também é a mantenedora do Fedora, uma das distribuições Linux mais populares, desenvolvida em um modelo comunitário e que também serve como campo de provas para fomentar o desenvolvimento de tecnologias que podem posteriormente vir a ser adotadas no Red Hat Enterprise Linux.

fedora1 (Foto: fedora1)Fedora (Foto: Divulgação)

Unindo a carteira ao discurso

Como vimos, a Red Hat complementa seu discurso aberto com uma série de práticas que o demonstram, e resultam na medida mais pura da contribuição aos projetos de software deste paradigma: linhas de código.

Mas a recém-divulgada receita anual bilionária também resultou em um belo lucro, correspondente a pouco mais de US$ 146 milhões, e a empresa optou por distribuir um dividendo não-obrigatório que raramente vemos acontecer: uma doação financeira a uma série de projetos responsáveis por ações estruturantes relacionadas ao modelo livre e aberto.

O primeiro deles é o Creative Commons, que desenvolve uma série de ações relacionadas a estimular a criatividade, o compartilhamento e a inovação, incluindo uma série de licenças de conteúdo que oferecem uma maneira simples e padronizada de permitir que autores disponibilizem ao público suas obras juntamente com uma série de direitos de redistribuição e reuso.

Em seguida vem a Electronic Frontier Foundation, que há décadas é campeã na luta por garantir que o mundo on-line possa contar com liberdade de expressão, privacidade e inovação. Considerando a importância dos EUA na governança da Internet, a participação da EFF no processo legislativo e em ações judiciais por lá já contribuiu, diversas vezes, para impedir que direitos fundamentais fossem restringidos ou anulados.

Os outros 2 são o Software Freedom Law Center, que oferece assistência jurídica a desenvolvedores de softwares livres e open source, e o UNICEF Innovation Labs, que leva tecnologias open source para resolver problemas em locais como Kosovo, Uganda e Zimbabwe.

A doação corresponde a US$ 100.000, e na nota oficial a respeito o presidente da Red Hat comenta da dificuldade em reduzir a apenas 4 entre a lista de organizações com méritos que as transformassem em candidatas a receber a doação mas, na minha opinião, o resultado final foi muito bem escolhido.

A nota termina propondo um brinde ao futuro do open source, ao qual me junto no desejo de cada vez mais sucesso!

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