25/04/2012 12h47 - Atualizado em 25/04/2012 12h47

Thatgamecompany e sua singularidade artística

Ricardo Farah
por
Para o TechTudo

Quando estamos falando de jogos eletrônicos quais são as primeiras empresas que veem na sua mente? Sony, Nintendo ou Microsoft? Quem sabe Capcom, Square Enix e Konami? Ou por quê não Gameloft, Zynga e PopCap? Pois é, a lista de empresas que produzem ou desenvolvem games hoje em dia cresce cada vez mais no mundo todo. – inclusive no Brasil.

Pensando nisso e no sucesso que foi minha série especial “Aposentadoria Gamer”, resolvi elencar as 50 fabricantes de jogos mais relevantes na indústria mundial atualmente.

Isso mesmo, você não leu errado. A partir de hoje e, pelas próximas semanas, trarei nesta coluna um especial contando o surgimento, a história e os principais jogos de 50 empresas diferentes. Acredite, tenho certeza que valerá apena relembrar e compartilhar com você um pouco do trabalho de tanta gente influente no mercado.

Como eu cheguei nestas 50 empresas? Simplesmente baseado no trabalho, trajetória e influência que cada uma exerce na indústria global. Muita empresa importante ficará de fora, mas tenho certeza que todas serão lembradas de alguma forma nesta coluna. Não haverá ordem baseada em ranking ou qualquer coisa do tipo. A cada semana escolherei uma empresa das cinquenta que já selecionei (de uma lista surpresa, é claro).

Sem maiores cerimônias, vamos a primeira produtora: thatgamecompany.

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Thatgamecompany (Foto: Reprodução)

Escolhi começar pela thatgamecompany não por acaso. Os caras foram responsáveis por alguns dos games mais exóticos e dignos de proporcionar uma experiência quase que ignorada pela maioria das empresas atualmente: a de proporcionar sentimentos diferentes e inexplicáveis em cada um que jogar seus games.

A história da empresa começa semelhante a da maioria das desenvolvedoras que surgiram nos últimos anos. Em meados de 2005, os até então estudantes da Universidade de Southern California (EUA), Kellee Santiago e Jenova Chen preparavam-se para o último ano do curso de Artes Cinemáticas quando, em colaboração com outros estudantes, desenvolveram um game em Flash conhecido como Cloud. A dupla focou-se na busca para expressar em seu game sensações até então inéditas em outros jogos, causando uma experiência mais sensorial do jogador do que simplesmente proporcionando desafios desmedidos.

Jenova Chen e Kellee Santiago (Foto: Reprodução)Jenova Chen e Kellee Santiago (Foto: Reprodução)

O sucesso de Cloud foi tanto que Kellee e Jenova juntaram mais do que boas notas no curso, abrindo em maio do ano seguinte o estúdio conhecido como “thatgamecompany”. Porém foi graças a repercussão dada para Flow, outro game em Flash criado por Jenova durante a conclusão de seu curso, que o estúdio despontou no mercado de jogos eletrônicos – o game havia chamado a atenção de ninguém menos que a Sony CEA, que abraçou a thatgamecompany como um de seus estúdios second-party contratando-os para o desenvolvimento de três games exclusivos para o PlayStation 3.

Da universidade para a PSN

Com a anunciada chegada da PlayStation Network, Jenova e Kellee apostaram suas fichas no desenvolvimento de games através da distribuição digital online, o que diminuiria consideravelmente os riscos tanto do estúdio quanto da Sony. Foi graças a essa escolha que iniciou-se o primeiro projeto da empresa: levar o game Flow e toda sua genialidade em design para a rede online do PlayStation 3.

ThatgamecompanyFlow (Reprodução)

O jogo só foi lançado em fevereiro de 2007, mas garantiu naquele ano o maior número de vendas na PSN, faturando prêmios dos mais renomados. Flow, assim como a proposta principal do estúdio em desenvolver “novas experiências”, levou os jogadores em um mundo aquático no qual micro-organismos sobrevivem consumindo outras espécies – causando uma das sensações mais tranquilas que um game já fez nos jogadores.

Thatgamecompany (Foto: Reprodução)Flow (Reprodução)

Flow foi o responsável pelo principal sucesso do estúdio (e do primeiro ano da PSN), mas foi também o grande laboratório para seu sucessor espiritual: Flower, lançado exatos dois anos mais tarde e trazendo desta vez o vento no papel principal de conduzir pétalas de flores em um universo ricamente colorido e sensorial. Desenvolvido por apenas nove pessoas (incluindo a dupla Kellee e Jenova liderando o projeto), o game precisou de um ano e meio para ter seu conceito completamente definido, mas de apenas seis meses para ser de fato produzido. Garantindo as melhores posições em vendas na PSN e uma série de prêmios pelo mundo, Flower permitiu que o thatgamecompany muda-se para um escritório próprio na cidade de Los Angeles (até então o time de profissionais trabalhava dentro do próprio estúdio da Sony CEA).

Uma jornada épica

Para o terceiro (e último) game assinado com exclusividade para a Sony a empresa investiu os últimos três anos de desenvolvimento. Lançado em março deste ano, Journey contou com a participação de 14 desenvolvedores, sendo que Kellen ficou de fora da produção em prol de cumprir outras obrigações como presidente da empresa. Em seu lugar, Robin Hunicke entrou para o time como produtor do game mais ambicioso criado pelo estúdio.

Thatgamecompany (Foto: Reprodução)Journey (Reprodução)

Em Journey, como o título sugere, o jogador embarca em uma jornada misteriosa pelo deserto com o único objetivo de alcançar o cume de uma montanha visível no horizonte – sem diálogos, combates ou quaisquer outros elementos comum na maioria dos games, Journey pode ser visto como um dos games mais próximos da experiência de arte que temos atualmente, reunindo elementos suficientes que comprovam a filosofia da empresa, focada em proporcionar emoções e sentimentos diferentes nos jogadores ao invés de simplesmente abusar de clichês presentes na maioria dos jogos.

Esta estratégia tem um preço: o thatgamecompany limita-se a fazer jogos curtos, para nichos específicos de jogadores, abrindo mão de desenvolver blockbusters com investimento pesado, mas que garantiriam possivelmente um lucro maior para a empresa.

Uma semana após o lançamento de Journey, Kellee Santiago deixou a empresa que criou com seu amigo de universidade para buscar novos rumos em sua carreira. Projetos ainda não divulgados, mas que possivelmente envolvem continuar no desenvolvimento de games ricos em criatividade.

Para Jenova Chen e o time remanescente do thatgamecompany, temos a certeza de que um novo, mas ainda não revelado, game já está em desenvolvimento. Sem plataforma ou produtora revelada, tudo que sabemos é que podemos esperar por algo no mínimo impressionante, como uma pintura de um artista que tende a refinar seu traço a cada novo quadro criado.

Bom para os jogadores, melhor ainda para a indústria.

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  • Ricardo Farah
    2012-05-04T10:10:30

    Obrigado Nicholas! =)