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18/06/2012 19h33 - Atualizado em 18/06/2012 19h41

Conectividade e inclusão mudam a vida de comunidades carentes

Nick Ellis
por
De Santarém, PA

A tecnologia está mudando a realidade de comunidades ribeirinhas que vivem ao longo do Rio Tapajós, na Amazônia, em um projeto ambicioso de inclusão digital. Por meio de um acordo entre a iniciativa privada e o poder público, foram instaladas antenas 3G para que os habitantes destas comunidades possam se conectar com o mundo, fazendo ligações e acessando a Internet, o que está transformando a vida destas pessoas, que até então viviam isoladas da sociedade.

Estação radiobase instalada na comunidade de Suruacá (Foto: Nick Ellis/TechTudo)Estação radiobase instalada na comunidade de
Suruacá (Foto: Nick Ellis/TechTudo)

O projeto de inclusão é uma parceria da Ericsson com a operadora Vivo, e conta com a participação da ONG Saúde e Alegria, que desde 1987 atende comunidades de locais de difícil acesso. A primeira etapa foi a instalação de uma antena 3G na cidade de Belterra em 2009. Embora a cobertura tenha sido suficiente para a cidade, não abrangia toda a população que vive às margens do Rio Tapajós.

Foi projetada então outra torre na comunidade de Suruacá. Depois de enfrentar a dificuldade para obter as licenças para fazer a instalação, começou o processo de levar as mais de 6 toneladas de equipamento ao longo do Rio Tapajós. Como o local não conta com energia elétrica até hoje, a estação radiobase (ERB) de Suruacá funciona com energia solar, que tem um custo mais alto de instalação, mas é totalmente sustentável. A torre de 50 m foi instalada em 2010, e atende mais de 50 comunidades, cerca de 13 mil pessoas.

As comunidades ribeirinhas são formadas por famílias de descendentes de índios, que moram nestes locais há várias gerações. Seus habitantes sempre buscaram conviver em harmonia com a natureza, aproveitando o que ela oferece, sem a necessidade de derrubar a floresta para sobreviver. E isso as torna os maiores interessados na preservação da Floresta Amazônica, ameaçada pela pecuária e por monoculturas como a soja.

Painéis com módulos de energia fotovoltaica na comunidade de Suruacá (Foto: Nick Ellis/TechTudo)Painéis com módulos de energia fotovoltaica na comunidade de Suruacá (Foto: Nick Ellis/TechTudo)

Projeto Connect to Learn

Agora que as primeiras torres já estão instaladas e as comunidades já contam com banda larga, a Ericsson está trazendo para o Brasil seu projeto Connect to Learn, em uma parceria com a Millennium Promise e o Earth Institute da Universidade de Colúmbia. A iniciativa busca promover a inclusão nas escolas através da tecnologia da banda larga, e tem como objetivo convencer os governos locais e o poder público a transformarem a ideia em políticas de educação nacional.

O projeto tem menos de um ano e meio e hoje atende 8 mil estudantes. Nas comunidades do Rio Tapajós, o Connect to Learn está colocando notebooks dentro das salas de aula das escolas para que os alunos possam se conectar com o mundo, interagindo com outras comunidades que também receberão o mesmo projeto, como a Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

Alunos da comunidade de Suruacá usando os notebooks na sala de aula (Foto: Nick Ellis/TechTudo)Alunos da comunidade de Suruacá usando os notebooks na sala de aula (Foto: Nick Ellis/TechTudo)

Para a vice-presidente de sustentabilidade da Ericsson, Elaine Weidman, "o efeito da comunicação nestas comunidades é transformador". Ainda segundo Weidman, a parceria com as ONGs locais nesta iniciativa é essencial, pois elas são totalmente integradas às comunidades que serão atendidas, fiscalizando e avaliando o trabalho que está sendo feito.

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