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20/07/2012 12h56 - Atualizado em 20/07/2012 14h07

A Olimpíada das câmeras-robô

Julio Preuss
por
Para o TechTudo

No início do mês, o blog dos fotógrafos da agência de notícias Reuters revelou parte do equipamento que os profissionais terão à disposição nas Olimpíadas de Londres. E não estamos falando das câmeras topo-de-linha ou daquelas lentes supertele que mais parecem armas de guerra – o destaque do “arsenal” da Reuters nos estádios londrinos será o sistema robótico usado para controlar as câmeras.

Câmera-robô desenvolvida pela ReutersCâmera-robô desenvolvida pela Reuters

Criadas pelos fotógrafos Fabrizio Bensch e Pawel Kopczynski, as câmeras-robô começaram a ser desenvolvidas em 2009, no Mundial de Atletismo de Berlim, e foram testadas nos mundiais de Daegu, na Coréia do Sul, e de Istambul, na Turquia. Vale a pena conferir algumas das imagens capturadas pela dupla nesses eventos

A grande estréia da tecnologia, porém, será mesmo em Londres, onde a equipe já começou a instalar nada menos do que 11 câmeras em locais como a estrutura que suporta o telhado da arena Excel. Para isso, técnicos da agência tiveram que praticamente se pendurar no teto – com direito a equipamento de escalada e tudo – antes mesmo da construção do estádio ter sido concluída.

Dependendo da localização, algumas das câmeras são ligadas por fios e outras usam conexões wireless. O sistema permite que os fotógrafos  controlem o movimento das câmeras em três eixos e o zoom das lentes – tudo a partir de um notebook e um joystick.

Depois, usando o sistema de edição proprietário Paneikon (termo grego que significa imagem global) inaugurado na Copa da Alemanha, uma equipe na sede da Reuters edita e transmite as fotos para jornais, revistas e sites do mundo inteiro em questão de minutos.

Mais conquistas olímpicas

A Reuters também se orgulha de ter sido a primeira agência a operar exclusivamente com câmeras digitais. Mas já na década de 1980, bem antes do surgimento da fotografia digital, alguns fotógrafos já usavam câmeras eletrônicas sem filme para atender a necessidades semelhantes.

Uma dessas necessidades foi do jornal japonês Yomiuri Shimbun, que precisava publicar as fotos dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Por conta da diferença de fuso horário, os japoneses não podiam esperar que as fotos fossem reveladas e transmitidas pelos meios convencionais, ou seriam publicadas apenas dois dias depois dos acontecimentos. A solução? Encomendar à Canon uma nova tecnologia de captura e transmissão que baseasa em um novo tipo de câmera.

Sistema de vídeo estático da CanonSistema de vídeo estático da Canon

Conhecidas como still video cameras – câmeras de vídeo estático, na tradução literal, esses modelos eram como filmadoras que gravavam fotos em mídia magnética – mas como sinais analógicos, semelhantes aos de uma fita cassete ou de vídeo, e não sob a forma de zeros e uns como fazem as câmeras digitais. As da Sony, chamadas de Magnetic Vídeo Cameras, foram a origem do nome Mavica, que mais tarde viria a ser usado nas primeiras digitais da marca.

Tempos depois, quando começaram a surgir os primeiros transmissores WiFi para câmeras digitais, li um testemunho de um fotógrafo esportivo que era prova inequívoca da utilidade da tecnologia. Acostumado a fotografar jogos de basquete, o fotografo explicou que ele e seus colegas há muito penduravam câmeras no teto dos estádios e as acionavam remotamente nos momentos decisivos. Ao fim do jogo, escalavam a estrutura do estádio para recuperar as câmeras – e as fotos.

O problema foi que, certo dia, um fotografo descuidado deixou uma parte do equipamento cair lá de cima, levando os organizadores dos jogos a proibir o acesso de todos eles ao teto antes do estádio estar totalmente vazio. Para não atrasar o envio das fotos, vários fotógrafos adotaram os transmissores sem fio e passaram a baixar as fotos direto para seus notebooks, ainda durante o jogo. As câmeras-robô da Reuters nada mais são do que a evolução daquilo. Mas bota evolução nisso!

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