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17/07/2012 11h21 - Atualizado em 17/07/2012 11h29

Dois fãs do iPad analisam o tablet Nexus 7. E gostam

Augusto Campos
por
Para o TechTudo

Conhecer um produto a partir de reviews de fãs da concorrência geralmente é uma má ideia, mas quando estes fãs enchem de elogios o produto analisado, acaba virando um testemunho a favor da qualidade dele, talvez mais eloquente que um review positivo feito por alguém que usualmente escreve favoravelmente a outros produtos do mesmo fabricante – e isso sem fazer qualquer julgamento sobre a objetividade de qualquer uma das partes.

O tablet Nexus 7 é o primeiro dispositivo do gênero lançado diretamente pelo Google, foi apresentado ao púbico no final de junho e já está à venda em um pequeno conjunto de países. A reação do público foi bastante positiva, mas agora podemos ver até mesmo a quem usualmente compara os tablets Android ao iPad e dá a vitória a este.

Do limão, uma limonada

O articulista MG Siegler (ou @parislemon, como frequentemente é referenciado) pode ser incluído sem qualquer hesitação na hate list de quem é refratário a críticas ao Android: ele é pródigo nelas, escreve em veículos de grande visibilidade no mundo tecnológico, e frequentemente as apresenta da forma mais polarizadora, comparando com produtos concorrentes, especialmente os da Apple.

Mas no caso desta análise do recém-lançado tablet Nexus 7, ele consegue um prodígio: o elogio vindo da parte de quem sempre criticou chama mais atenção do que o de quem já tinha atitude positiva em relação à marca e ao sistema operacional em questão.

Eu comecei a simpatizar já no começo do texto, que neutraliza a carga semântica do título (que é, em tradução minha, “A visão de um amante do iPad sobre o Nexus 7“) ao incluir um elogio ao Google por lhe enviar um tablet de amostra mesmo sem ele ter podido ir ao evento de lançamento, e apesar de ele ser um crítico frequente (e ferrenho) do Android e da empresa.

Segundo ele, a empresa não se incomoda com críticas, e genuinamente parece empenhada simplesmente em fazer um tablet que agradará a todos os consumidores, independentemente de serem fãs da concorrência. Ah se essa atitude fosse contagiosa…

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Para quem ainda não leu uma análise detalhada do Nexus 7, a análise feita pelo MG Siegler pode ser uma boa primeira leitura, carregada de superlativos (por exemplo: a tela menor faz dele algo “perfeito” para ler na cama) e de descrições práticas de possibilidades que o autor não encontra na concorrência, como a de andar com ele na mão pela casa, ou jogar na sacola sem pensar duas vezes quando vai fazer algo na rua.

Ele também enche de elogios a forma como o Android 4.1 roda no dispositivo, e como apps que ele pode comparar diretamente com suas versões para o iPad (incluindo vários jogos) rodam bem.

Tudo isso no contexto dos 2 diferenciais estratégicos do Nexus 7 em relação aos modelos correntes de iPad: o preço e a tela de 7 polegadinhas. A conclusão: é o claro vencedor, no momento, no espaço dos tablets de 7 polegadas.

Recomendo a leitura, especialmente porque dá pouca atenção a números e detalhes tecnológicos, para dedicar bastante atenção ao que me interessa: o uso do produto em casos comuns.

Mas vale destacar que, quanto ao amor pelo iPad, não há uma meia-volta do autor: ele aproveita para especular como seria o mercado caso um iPad com tamanho e preço similares chegue em breve para competir com o Nexus, e inclui algumas críticas ao tablet do Google. Mas são poucas, claramente superadas pelo número de elogios, e sublinhadas em um parágrafo conclusivo que não deixa dúvidas: ele gostou do produto.

Entra em cena Andy Ihnatko

O texto mencionado acima, do MG Siegler, foi publicado ontem. Para completar o alinhamento dos planetas, hoje chegou também a análise de Andy Ihnatko, que não posso deixar de mencionar no mesmo contexto.

“Andy o que?”, pergunta o leitor. E é natural que a torcida do Android não tenha jamais ouvido falar dele. Andy Ihnatko atua do outro lado da rua, como colunista na edição impressa da revista MacWorld, host permanente do podcast semanal Macbreak Weekly (um dos mais populares entre a turma da maçã) e geralmente comenta a tecnologia sob a ótica de usuário da Apple, embora sem a mesma atitude de confronto que caracteriza MG Siegler.

E a análise do Andy sobre o Nexus 7 também é um testemunho mais do que positivo, não apenas por vir do outro lado da cerca. Ele mesmo resumiu, no Twitter, sua opinião sobre o dispositivo: “produto fabuloso, valor fabuloso”.

O primeiro parágrafo do texto merece uma tradução livre: “O novo Nexus 7 do Google, um tablet Android de 7 polegadas disponível para comprar [em países selecionados] a partir de play.google.com a partir de US$ 199, é um dispositivo digno de atenção. Muitas pranchetas tentaram buscar alguma parte do sucesso do iPad. Eu experimentei a maior parte deles. Usualmente eles nem merecem que se escreva a respeito. Qual o sentido de um tablet que custa o mesmo que um iPad, não faz nada tão bem quanto o iPad, e não oferece nenhuma característica única?

A última frase expressa um ponto de vista do qual você pode discordar, mas introduz o tom do restante do artigo: para o autor, o Nexus 7 não compartilha deste histórico negativo, pois custa menos, apresenta o mesmo nível de qualidade em boa parte das tarefas, e tem seu diferencial bem claro.

Ele menciona que houve outras exceções anteriores a esta crítica também, incluindo o Kindle Fire e o ASUS Transformer Prime. Mas após conhecer estes produtos, ele continuava a achar que o iPad era o único tablet que merecia ser recomendado a alguém que ele gostasse.

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Mas com o Nexus 7, a conclusão dele foi diferente: trata-se de um aparelho tão espetacular quanto o iPad, a ponto de ser difícil compará-los – é como colocar lado a lado os filmes Casablanca e Duro de Matar, e identificar um dos dois como o melhor: cada um deles é superior no seu segmento.

A descrição que ele faz do Nexus 7 é rica em detalhes técnicos: a forma como ele é montado, os vários aspectos da qualidade do seu display, a CPU, a versão do Android, a memória, a conectividade e até uma similaridade talvez indesejada com o iPad, na forma da ausência de um slot para cartão de memória (ponto que ele critica em ambos os aparelhos, além de expor a razão para a ausência, baseada no interesse das empresas envolvidas, e não necessariamente no seu).

Para Andy, trata-se de uma solução atraente, um computador completo para quem precisa de mobilidade sem abrir mão de aplicativos e documentos, e tem a vantagem de não ser atingido pela maior frustração que pode abater os donos de determinadso dispositivos Android: não poder contar com a expectativa de atualização do sistema operacional em tempo razoável.

E ele também acrescenta duas críticas, caracterizadas por ele mesmo como quase soando a preciosismo: a ausência relativa de apps otimizadas para tablets com Android, e o tamanho da tela, que para ele causou o efeito descrito como claustrofobia de interface de usuário. Mas eu acredito que ele conseguirá superá-la…

E assim, com 2 reviews elogiosos vindo de jornalistas conhecidos pela sua atenção dedicada muito mais aos produtos da principal concorrente, podemos aumentar um pouco mais nossa torcida para que o Nexus 7 chegue a ser comercializado oficialmente no Brasil, e mantenha por aqui sua vantagem de preço. Seria pedir demais?

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  • Adilson Santos
    2013-03-25T08:32:02

    o Reverso: 1.200 no Brazil, $600 Doletas, Será que algum americano compraria um tablete aqui no Brasil?

  • Luís Carlos
    2013-03-24T14:33:52

    EUA: 200 dólares. Brasil: No mínimo, R$1000,00.