27/08/2012 08h30 - Atualizado em 28/08/2012 14h24

Álbum de Viagem (porque não basta viajar, tem que postar na Internet!)

André Fran
por
Para o TechTudo

Já que essa é minha segunda coluna aqui no TechTudo, não há necessidade de grandes apresentações. Só aquela rápida recapitulada padrão: sou o André Fran, um dos criadores e apresentadores da série “Não Conta lá em Casa”, do Multishow. No programa somos quatro amigos vivendo lições e aventuras enquanto viajamos pelos destinos mais polêmicos do planeta. Aqui no site, me propus escrever uma mistura de tecnologia e viagens. Entre dicas valiosas, relatos de experiências e filosofadas baratas, falei sobre alguns “Aplicativos que podem salvar sua viagem” em minha primeira coluna.

A repercussão foi bem legal, então gastei um tempo tentando encontrar um tema tão interessante e útil quanto o primeiro para abordar desta feita. Coçando a cabeça para tentar lembrar em que momento uso mais a tecnologia durante minhas viagens por roteiros que raramente tem uma cama de hotel decente, que dirá uma conexão rápida a Internet. Aí veio o estalo! Qual o item mais básico na bagagem de qualquer viajante? O mais relevante, talvez? Aquele que faz parte do equipamento do turista acidental em viagem a Disney e do correspondente de guerra a caça de talibãs? A câmera fotográfica, claro!

Na estrada, em algum lugar de Cuba. (Foto: Reprodução/André Fran)Na estrada, em algum lugar de Cuba (Foto: André Fran)

Hoje em dia substituída quase sempre por uma maquininha digital ou, muitas vezes, por um aparelho celular, esse pequeno apetrecho é responsável por salvar em sua memória (e na de seus donos) aqueles momentos inesquecíveis e inenarráveis que só podem ser vividos quando estamos imersos em uma cultura distante de uma paisagem que não é a nossa. Um maquinário vital e emblemático de todo e qualquer viajante.

De pesadas caixinhas de metal com lentes grandes e variadas a um aplicativo baixado em segundos dentro do seu telefone de bolso, a ferramenta de registro visual das andanças do ser humano pelo mundo talvez tenha sido a que sofreu as maiores mudanças ao longo dos tempos. Malas continuam sendo malas. Mais modernas, tecido melhor, cadeados… porém, malas. Escovas de dente, roupas, documentos de identificação… tudo basicamente a mesma coisa. Mas não as maquinas fotográficas (e seus similares).

A última atualização do Instagram traz a novidade do Photomap. Até que o meu ficou legal! (Foto: Reprodução/André Fran)A última atualização do Instagram traz a novidade
do Photomap (Foto: Reprodução/André Fran)

E digital é a palavra-chave! O advento dessa tecnologia fez com que o alto custo financeiro e de mão de obra de fotografar em filme fossem substituídos pela praticidade mágica dos complexos códigos binários. Fotógrafos profissionais e amadores podem agora largar o dedo no gatilho e rechear o álbum de viagem com algumas centenas de imagens feitas com maquininhas digitais portáteis ou um simples aparelho de telefonia celular.

Das maravilhosas praias paradisíacas visitadas ao enfadonho prato de café da manhã, passando pela quase obrigatória foto da janela do avião, tudo é registrado. E, mais importante do que registrar, é mostrar para os amigos. Eis que o advento da Internet mobile, casado com a explosão das mídias sociais, criou o ambiente perfeito para elas: as redes sociais de fotos. Com destaque, é claro, para o Instagram.

Colegiais japonesas na Disney de Tokyo (Foto: Reprodução/André Fran)Colegiais japonesas na Disney de Tokyo (Foto: André Fran)

Fotolog (jurava que já tinha acabado), Flickr e similares já apontavam o caminho. Mas em um mundo onde a velocidade é quem manda, onde a Internet nos acompanha onde quer que estejamos e onde 140 caracteres representam o limite máximo de atenção do usuário médio, o Instagram é simplesmente perfeito. E assim, testemunhamos uma legião de zumbis que não desgrudam os olhos do visor touchscreen nem por um segundo, mais preocupados em registrar, disseminar e comentar (ou ser comentado, Freud explica) do que viver plenamente alguns dos momentos mais únicos de suas vidas.

Mas não leiam minha coluna como uma crítica denunciativa ou descoberta óbvia e tardia. Eu mesmo faço parte dessa turma que descobriu nas facilidades do digital uma maneira simples e fácil de registrar para sempre detalhes pitorescos ou grandiosos do cotidiano e utilizá-los como forma de interagir com seus amigos e público-alvo. Ora, isso hoje faz parte do meu trabalho! Antes de criticar a popularização desta forma de arte, profissão liberal ou passatempo - como queiram chamar - que é a fotografia, imaginem quantos momentos incríveis deixaram de ser registrados no passado porque o filme tinha acabado, ou o fotógrafo demorou muito para acertar o equipamento, colocar a lente etc. Viva a modernidade! Viva a tecnologia! Viva o Instagram!

Crianças observam um macaco em um templo de Bali, Indonésia (Foto: Reprodução/André Fran)Crianças observam um macaco em um templo de Bali, Indonésia (Foto: André Fran)

Deixei para o fim algumas dicas de quem fotografa na estrada com o iPhone há algum tempo e nem sempre nas melhores condições! O principal são os apps que vão dar uma turbinada nas suas imagens e facilitar sua vida de fotógrafo de celular.

. Câmera +: ele é simplesmente uma versão turbinada da câmera nativa do iPhone. Estabilizador, ajuste de exposição, zoom maior

. Gorilla Cam: modo anti-tremida ajuda muito os “mão-nervosa”, tem timer para as autofotos e uma grade de alinhamento.

. Pro HDR: ele tira duas fotos de ambientes com iluminação diferente e as combinas em uma única imagem perfeitamente iluminada. Genial!

. Panorama Free: uma maneira fácil e instantânea de encaixar até cinco fotos horizontalmente formando belas imagens panorâmicas!

Campo minado nas Ilhas Malvinas. (Foto: Reprodução/André Fran)Campo minado nas Ilhas Malvinas (Foto: André Fran)

Muita gente curte esse efeito lomográfico que o Instagram proporciona, mas nem todo mundo quer dividir na Internet suas fotos pessoais. Os melhores apps que fazem que suas fotos do celular pareçam tiradas com uma máquina russa do século passado são:

. Hipstamatic: dizem que é o pai do Instagram. Pelo menos no que diz respeito a filtros. Aqui você é quem define o tipo de filmes e lentes e os combina dando efeitos retrô bem interessantes.

. QuadCamera: simula aquelas câmeras lomo que fazem fotos em sequência, como a SuperSampler. E ainda permite mudar filtros, cores etc.

. MoreLomo: simples e rápido. Você tira a foto clicando e qualquer lugar na tela e ele salva a foto com o filtro lomo básico.

Para a Pós-Produção das suas fotos:

. PicFrame: aqui você brinca com as bordas de suas fotos e pode combinar mais de quatro imagens diferentes.

. Photoshop Express: se nada mais der certo, você pode editar sua foto. Recortar, ajustar brilho, contraste e saturação. Enfim, uma versão mobile do famoso programa de retoque de imagens.

E é isso! Espero ter ajudado. Quem quiser conferir minhas fotos de viagem (todas tiradas com iPhone 3GS e alguns desses apps acima) pode ver lá nos meus álbuns do Facebook. As fotos que ilustram esta matéria foram retiradas de lá.

Até a próxima parada!

André Pires (@franontheroad)

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  • Carlos Silveira
    2012-08-28T08:57:20

    Ótima matéria, André. Gostei muito da forma que vc escreveu. Introdução, assunto principal e características de cada programa foram dosados de maneira espetacular. Um texto bacana de se ler. Parabéns.