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27/09/2012 09h42 - Atualizado em 27/09/2012 09h42

Como suas escolhas podem mover as redes sociais

João Vitor Rodrigues
por
Para o TechTudo

Dezenas de posts engraçados e comentários para fazer rir passam na minha timeline no Facebook diariamente. A maioria deles, compartilhada pelos meus amigos, vem de páginas de bebidas, refrigerantes, chicletes, roupas, acessórios e tudo o mais que você possa imaginar. Às vezes são coisas singelas, em outras são uma espécie de corrente, migrada dos e-mails com PowerPoint para as redes sociais, e tantas outras vezes são frases e imagens sem sentido algum – pelo menos para mim. Como mensagem propagada pela rede, não me dizem absolutamente nada, não me comovem, não me estimulam a  nenhuma ação. Mas por que será que as páginas que publicam esse tipo de conteúdo são algumas das que têm mais fãs? Por que mensagens que não precisam de muito sentido são compartilhadas, curtidas e comentadas dezenas de milhares de vezes?

Não é tão simples responder essa pergunta. Como profissional de Comunicação atuando com mídias sociais, questiono-me frequentemente o que quer o consumidor, o usuário do site de rede social que está do outro lado do computador. Que tipo de conteúdo poderia interessá-lo? O que o faria compartilhar minha mensagem, meu vídeo, algum conteúdo relacionado ao meu produto que pudesse trazer visibilidade? Como fazê-lo se encantar pelo tipo de conteúdo que tenho para publicar e torná-lo fiel à minha página? Eis que no meio de tantas dúvidas surge mais uma: por que o púbico parece gostar tanto desse conteúdo que pode ser tão pouco relevante?

Post no Facebook com muitas interações (Foto: Reprodução)Post no Facebook com muitas interações (Foto: Reprodução)

Veja bem, quando digo pouco relevante estou me referindo às frases prontas, ditados antigos, piadas velhas, bichinhos e personagens batidos, memes com prazo de validade vencido, entre outros. E o que é mais interessante é que as empresas que já perceberam isso estão seguindo essa estratégia para promover o chamado engajamento com seus clientes e fãs nas mídias sociais, especialmente no Facebook. Assim é simples: publico no Facebook uma foto com uma piada bastante conhecida, ganho milhares de compartilhamentos no post, mais centenas de comentários e posso afirmar que a minha marca e seus clientes e fãs estão engajados nas mídias sociais. Estão mesmo?

Para o dicionário, engajar é empenhar-se em algo, colocar-se a serviço de uma causa. Entre os profissionais que trabalham com mídias sociais, engajamento pode ser, entre outras coisas, envolver fãs e clientes através de um relacionamento com as empresas por uma página no Facebook, seus recursos e aplicativos ou em conjunto com outros sites de redes sociais. E claro que o conteúdo – textos, fotos, vídeos, links etc – usado pelas empresas para interagir nos posts no Facebook, por exemplo, é o que determina esse engajamento. É através desse conteúdo curtido, compartilhado e comentado pelos fãs que é possível começar a dimensionar de que forma seus clientes querem se relacionar com sua marca e com seus produtos. Uma coisa é certa: ninguém quer ficar sendo bombardeado com ofertas, vendas e pedidos insistentes pra comprar nada. Sim, as pessoas querem se relacionar com as marcas, mas será que já descobrimos como fazer isso?

Afinal, que relação é essa que os marketeiros gritam aos quatro cantos que é inovadora, criativa, mais próxima, mais humana?"
João Vítor Rodrigues

Quantas vezes você viu alguma dessas empresas com milhões de fãs no Facebook promover uma mudança interna em seus processos de atendimento, vendas, marketing ou de produtos a partir de um feedback ou reclamação de clientes? Ou mehor, quantas vezes você viu um cliente dessas marcas chamando atenção da empresa por causa de falhas e problemas? Sim, até acontece, você tem razão, mas com muito menos frequência do que os comentários que acham graça das piadas e passam as mensagens engraçadinhas adiante, compartilhando ou retuítando. E ainda é mais difícil para uma página dessas com milhões de fãs prestar atenção em cada um dos comentários nos posts porque cada post tem centenas de comentários. Será que leem todos eles? E respondem? Onde fica o engajamento nesse caso? Mais parece aquele modelo de comunicação um-para-todos usado há décadas pela TV, pelo rádio, pelos jornais. Afinal, que relação é essa que os marketeiros gritam aos quatro cantos que é inovadora, criativa, mais próxima, mais humana? Parece isso mesmo? Parece o contrário.

Interações nas mídias sociais (Foto: Reprodução)Interações nas mídias sociais (Foto: Reprodução)

Os sites de redes sociais podem nos ser muito úteis: para encontrar amigos, velhos conhecidos, trocar experiências, localizar desaparecidos, aprender, educar, vender, comprar, ganhar notoriedade, enfim. Tem muita coisa legal e boa para fazer em sites como Facebook, Twitter e YouTube, e esses são só alguns deles. Nós, usuários, temos a difícil tarefa de escolher entre tantas e diversas opções. Podemos aproveitar essas oportunidades e transformar a nós mesmos, transformar nossa relação com as outras pessoas, com a tecnologia, com nosso bem estar, nossas atividades diárias. Ou podemos nos tornar mais um no meio da gigantesca massa que segue e acompanha a vida enquanto alguns poucos nos dizem o que fazer. Nós podemos transformar o mundo ao nosso redor com atitudes simples que levam conhecimento, novas ideias, desenvolvimento social e econômico através da Internet e das redes sociais. Ou podemos continuar sendo mais um na multidão, teleguiados por máquinas encantadoras, com telas super nítidas de led, aplicativos e joguinhos que nos distraem enquanto o tempo passa por nós e nos deixa para trás. E aí, o que você vai escolher?

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populares

  • Emerson Rodrigues
    2012-09-27T15:33:06

    Praticamente não uso o facebook, acho confuso e poluido...

  • Gustavo Lehmann
    2012-09-27T15:08:19

    Muito boa essa matéria , uma grande pergunta que eu faço , é porque todo mundo é manipulado?? , ex , deus compartilha e curta , diabo só olhe , a que ponto chegamos? , tudo bem que n sou nenhum religioso de mão firme , mais tentar ganhar "fama" a partir da religião , não é um pouco de mais???

  • Marcio Viana
    2012-09-27T16:43:34  

    sempre foi assim , é , e será por muito tempo: a maioria curte coisas que não demandam pensar, questionar, raciocinar ... curtem coisas leves , sem muita responsabilidade com sua imagem se você curtir ou não. Poucas pessoas querem curtir publicamente ou até mesmo para seus amigos, algo que seja polêmico ou que coloque sua "imagem" em dúvida. Ou seja , curta o fácil e ignore o difícil. Ou talvez seja porque a maioria use as redes sociais pra relaxar, se divertir, ver fotos de amigos, familia, brincar, "esquecer"um pouco a vida real. Vai saber ...

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    • Marcio Viana
      2012-09-27T16:43:34  

      Acho que é a primeira opção Marcio.