Internet

14/10/2012 09h00 - Atualizado em 15/10/2012 10h33

Quanto mais o Facebook aproxima, mais me afasto dele

João Vitor Rodrigues
por
Para o TechTudo

É divertido - muitas vezes emocionante - encontrar e reencontrar os amigos através do Facebook. Desde o início do boom dos sites de redes sociais, começando pelo Orkut, ouvimos com frequência essa afirmativa. Todos, ou pelo menos a grande maioria dos usuários desses sites, acham interessante e relevante se manter em contato com as pessoas próximas, queridas, que passaram por um momento em nossas vidas ou até as que estão mais distantes hoje em dia. Mas já aconteceu com você de essa aproximação acabar provocando um efeito contrário? É, por exemplo, quanto mais você vê e interage com alguns desses “amigos”, menos você os reconhece de fato como amigos? Diferenças, opiniões, aquilo que compartilham no site, tudo isso poderia afastar você deles?

Já seguiu o TechTudo no Instagram? Procure nosso perfil: @techtudo_oficial

Amigos no Facebook (Foto: Reprodução) (Foto: Amigos no Facebook (Foto: Reprodução))Amigos no Facebook (Foto: Reprodução)

Tem muita gente que gosta de colecionar amigos no Facebook, consegue até 5000 e faz um novo perfil. Outros preferem deixar o círculo restrito aos mais próximos e conhecidos. Alguns tentam o meio do caminho, aceitam amigos de amigos, conhecidos, mas também não acham necessário ter todo mundo ali no seu perfil. É fato, e isso está comprovado, que você gostaria ou quer saber mais sobre os amigos que vivem contigo sua vida offline, aqueles poucos que você vê mais, fala mais, marca encontros, aqueles com quem você sai junto nos finais de semana. Mas o Facebook mostra também como vai a vida daqueles outros com quem você tem certa proximidade, aqueles com quem falou algumas poucas vezes e que você aceitou na sua rede porque acreditou que poderia haver alguma afinidade entre vocês ou, quem sabe, chegar a evoluir a amizade. Mas aí acontecem episódios como esses a seguir e você…

Tem muita gente que gosta de colecionar amigos no Facebook.
João Vítor Rodrigues

Um colega da empresa em que você trabalhou anos atrás, te encontrou no Facebook e enviou um convite de amizade. Como trabalharam na mesma área, almoçavam juntos algumas vezes, já tomaram cafezinho e até foram para o happy hour com o pessoal do escritório juntos, você aceitou o convite. Mas seu amigo é fã de um ritmo musical do qual você não gosta nem de ouvir uma nota, e vive compartilhando vídeos de show desse ritmo com os artistas preferidos dele. Até já chegou a marcar você em um deles convidando para uma apresentação. Além disso, quase te "obriga” a ver os muitos comentários dos amigos dele nos vídeos e nas fotos publicadas. Você, que não gosta daquele tipo de música, começa a se irritar com a frequência com que se depara com ela na sua timeline. Mas você não sabia, antes de aceitar o pedido de amizade dele, nem enquanto trabalhavam juntos, que ele gostava tanto dessas músicas. E agora?

Você conheceu o amigo de um amigo seu de infância, uma pessoa que não é tão próxima, mas que você aceitou na sua lista no Facebook porque encontrou pessoalmente algumas vezes, bateu papo de vez em quando, e porque você ficou até com a impressão de ser uma pessoa bem legal, interessante. Mas esse tal conhecido se acha muito engraçado e todos os dias tira uma hora para publicar dezenas de piadas, uma atrás da outra, no Facebook. Você, claro, não conhecia esse lado dele antes de aceitá-lo entre seus amigos na rede social, mas aquilo começa a irritar porque você não acha engraçado e a insistência dele vai ficando chata. E agora?

Nas aulas de Inglês você conheceu uma pessoa bem legal, vocês têm muitas afinidades, pontos em comum, gostam dos mesmos lugares, têm até os mesmos gostos musicais. Razões de sobra para se tornarem amigos no Facebook, claro. Mas, depois de adicioná-lo na rede social, você conhece um lado dele que nos encontros pessoais, nas aulas e fora delas, não conseguiu perceber: seu amigo é daquelas pessoas que gostam muito de compartilhar mensagens e fotos – engraçadas, irônicas, com memes, personagens conhecidos na Internet, entre outras – o tempo todo no Facebook. Sim, você não conseguiria descobrir isso na sua relação offline com ele porque, fora da rede social, não há como compartilhar essas coisas a não ser que se fique falando delas para as pessoas. Ali, no Facebook, ele tem um botão que torna isso muito mais simples e o deixa satisfeito com a audiência que consegue através dos “likes” e dos comentários. Mas você não está gostando das mensagens, até curte algumas delas, mas acha que ele faz isso em excesso e começa a incomodar. E agora?

Curtir e não curtir no Facebook (Foto: Reprodução) (Foto: Curtir e não curtir no Facebook (Foto: Reprodução))Curtir e não curtir no Facebook (Foto: Reprodução) 

Você pode achar que o problema é contigo, que você é um azedo, um chato, uma pessoa sem bom humor, de mal com a vida. Esse pode até ser o caso de algumas pessoas, mas não de todas, com certeza. Já conversei com muitos amigos que relataram casos parecidos e comportamentos que os irritaram bastante. Faça o teste, pergunte para alguns dos seus amigos se eles conhecem pessoas que fazem no Facebook coisas repetitivas, inconvenientes, sem propósito e que incomodam. Alguns deles vão confirmar o que estou dizendo.

Por outro lado, se ali está uma pessoa que você acreditava poder tornar-se um amigo, as atitudes e o comportamento dela podem fazer com que você queira é distância"
João Vítor Rodrigues

A questão é que quando a pessoa que faz coisas desse tipo na rede social é um amigo ou amiga que você conhece há anos, com quem convive quase diariamente, fala com muita frequência, enfim, aquele que faz parte do seu pequeno e restrito círculo de amizades, até é possível passar por cima, tolerar muita coisa. Afinal, já se conhecem muito bem e você tem certeza de que a pessoa não é somente o que ela publica no Facebook. Já conversaram, discutiram, concordaram, discordaram e até brigaram pelo menos uma vez. E no final estavam bem novamente. Então, você sabe que aquele comportamento no site não vai fazer muita diferença sobre o que você pensa dele ou dela.

Por outro lado, se ali está uma pessoa que você acreditava poder tornar-se um amigo, parte talvez daquele tal círculo mais restrito, as atitudes e o comportamento dessa pessoa podem fazer com que você queira é distância dela. É aquele tipo de gente que você quer ver longe, que não tem nada a ver contigo, que fala de coisas que não interessam a você, que vai a lugares que você não quer ir. E você, claro, já que existe a possibilidade, vai ocultar a pessoa da sua timeline e, quem sabe, até bloqueá-la ou chegar a excluí-la da sua lista.

Nesse caso existe um risco que é o de se isolar próximo somente daqueles e daquilo que você é mais parecido, das opiniões que concorda, de ficar mais perto das pessoas que tem os mesmos gostos que você, que são do mesmo partido político, do mesmo time de futebol e às vezes até do mesmo bairro. Com isso, você perde a oportunidade de ver as diferenças que existem no mundo, de lidar com as opiniões contrárias as suas. E são essas diferenças e opiniões distintas que nos ajudam a crescer, a evoluir, que nos ajudam a amadurecer vendo diversos ângulos de um mesmo assunto. Do contrário, você vai viver como numa bolha com os semelhantes, aqueles que fazem o mesmo que você, e que quase nunca discordam de nada do que você diz. Mas, você deve saber, o mundo não é essa bolha. E quanto mais a gente tende a se isolar, menos tendemos a evoluir como seres humanos, pessoas críticas e inteligentes.

Essa teoria da bolha não é minha, ela já é discutida por pesquisadores e estudiosos da Comunicação e da Sociologia, entre outras disciplinas. Mas então como lidar com situações como as descritas no texto? Para que serve um site de rede social como o Facebook? É somente para concordar? Você quer ter contigo somente as pessoas que estão do mesmo lado que você, das suas opiniões? Existe um limite para receber e aceitar ver todos os dias aquilo que incomoda ou assuntos que não são do seu interesse? Como encontrar um equilíbrio para uma situação delicada como essa?

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares

  • Samanta Souza
    2012-10-19T09:04:21

    Também desativei minha conta no facebook, sou muito mais feliz² :)

  • Patrick Wassita
    2012-10-16T01:22:23

    terminei minha conta do face há uns 2 meses atrás e posso dizer que sou uma pessoa muito mais feliz !!!! mas esse sou EU né....

  • Marcus Schnitzer
    2012-10-14T09:55:08

    O Facebook poderia ser muito mais útil do que é.

  • Glauber Gonçalves
    2012-10-14T09:21:14

    Mas e se eu quero me sentir seguro e fechado só com meus amigos?Parece que há uma ditadura que impõe como "correto e saudavel"interagir com tudo e todos,experimentar o que puder a titulo de experiencia e crescimento.São questões pessoais que temos de respeitar e não impor regras de comportamento que "devem"ser seguidas por quem é "normal".Deixe o louco ser louco e o normal ser normal.Quem é quem,qual é qual?