Sistemas Operacionais

30/01/2013 20h03 - Atualizado em 30/01/2013 20h22

Tarde demais para a BlackBerry?

Elis Monteiro
por
Para o TechTudo

Houve um tempo, não muito distante, em que andar pelas ruas dos EUA significava necessariamente se deparar com alguém teclando em um aparelho da RIM (Research in Motion). A empresa canadense, não se pode negar, foi a principal responsável pela popularização da tecnologia "Push", pela qual os e-mails “pulavam” para dentro do seu celular quase que em tempo real. E tem mais: antes da descoberta do dedo indicador como forma de entrada de dados nos celulares (para navegar deslizando pela tela touchscreen), quando o usuário queria escrever uma mensagem mais longa ou conversar em tempo real, a alternativa perfeita era o teclado físico, do tipo QWERTY, de um... BlackBerry!

Naquela época, todo mundo sabia disso. Era mais ou menos como ter um iPhone na época em que o iPhone era a maior invenção do planeta.

BlackBerry ao volante (Foto: Reprodução)Por muito tempo o BlackBerry reinou como o top de linha no mercado de smartphones (Foto: Reprodução)

Embora nos últimos anos a RIM – que agora passa, oficialmente, a se chamar BLACKBERRY (sim, o nome dela era RIM, de "Research In Motion") – tenha se afastado do público jovem, dela vieram inovações e conceitos que hoje fazem parte do escopo de quaisquer dispositivos voltados para comunicação. São exemplos tanto o Blackberry Enterprise Server (BES) quanto o Blackberry Internet Service (BIS), sistemas proprietários da empresa responsáveis por compartilhar e sincronizar dados dos usuários. No Brasil, as grandes corporações adotaram e as pessoas físicas também, e a RIM sempre teve o maior potencial, embora tenha insistido na crise de identidade que passava pelo próprio nome. BlackBerry sempre foi BlackBerry, mas para ela era RIM.

O complicador é que na era da velocidade e da inovação, alguns anos de desacerto operacional podem gerar anos de atraso perante a concorrência. Enquanto a RIM se contorcia agarrada a um legado corporativo, a concorrência pegou os executivos pelas gravatas oferecendo trabalho e muito mais, incluindo aqui o push email e (quase) todo o resto. E aí chegaram os modelos touchscreen.

Steve Jobs no lançamento do iPhone 3G (Foto: Reprodução)Depois do iPhone, nada mais foi como era antes (Foto: Reprodução)

Telefones com telas sensíveis ao toque eram oferecidos pela RIM como "perfumaria" em seu portfólio, e não como carros-chefe. E essa foi uma das grandes “mancadas” da RIM: preferiu insistir em um segmento que se esvaziou, composto por pessoas que não abriam mão do teclado físico e viam no BlackBerry a solução para a escrita e para a conversa dinâmica via instant messenger. Com esta decisão, a empresa simplesmente deixou de acompanhar o lançamento de modelos touchscreen – embora tenha lançado, no caminho, aparelhos como o parrudo Storm e o tablet Playbook, que tinha tamanho e fôlego para decolar, mas pecava (muito) em detalhes pequenos.

O momento não é o pior para a BlackBerry. A Apple começa a cansar seus usuários e a quantidade de Androids pode levar a uma banalização já estudada pelos especialistas."
Elis Monteiro

Além disso, a empresa também insistiu demais em sua plataforma proprietária, que agora chega em sua 10ª versão. Fora que durante muito tempo a antiga RIM apostou em um modelo de assinatura de serviços de mensagem instantânea e de e-mail; uma jogada com o universo corporativo que deu certo por um tempo, mas naufragou. Esse e muitos outros errinhos básicos levaram a sua participação de mercado despencar nos últimos três anos – de mais de 20% para menos de 4%.

E eis que chegamos à grande aposta da companhia: o BlackBerry 10. A empresa ainda não demonstrou, mesmo quando pressionada, pretensões de aderir ao mundo Android. Há quem preveja, ainda, um futuro casamento BlackBerry/Windows Phone, mirando em uma aderência melhor ao mundo corporativo.

A BlackBerry ainda não desistiu de sua plataforma proprietária. Nesta quarta-feira, durante um evento em Nova York, o diretor-executivo Thorsten Heins apresentou dois novos modelos touchscreen, o Z10 e o Q10, respectivamente com telas de 4,2 e 3,1 polegadas, além do processador dual-core de 1.5GHz. Os dois, é claro, rodando o BlackBerry 10.

Novos BlackBerry Z10 e Q10, com o novo sistema BB10 (Foto: Divulgação)Novos BlackBerry Z10 e Q10, com o novo sistema BB10 (Foto: Divulgação)

Morre a marca RIM (nunca existiu, vamos combinar) e nasce uma nova "era BlackBerry". Será que ainda dá tempo? Os analistas dizem que não. Dizem que só uma grande fusão salvaria a BlackBerry, mas o legado ainda é seu trunfo. A confiança que as corporações têm em seus smartphones, com mais segurança e confiabilidade, ainda é um ponto positivo. Ninguém conseguiu entregar isso ainda.

A RIM vai conseguir se reerguer com o BlackBerry 10? Dê a sua opinião no fórum do TechTudo

O momento não é o pior para a BlackBerry. A Apple começa a cansar seus usuários e a quantidade de Androids pode levar a uma banalização já estudada pelos especialistas - nada que, convenhamos, a Microsoft não possa entregar com o Windows 8 e com o Surface. Mas ainda assim vale lembrar que o ecossistema BlackBerry carece de um apelo mais, hummmm, humano e menos corporativo. O consumidor, mesmo o engravatado, quer ser seduzido. Não apenas servido. Aqui, a aposta da BB pode significar um último tiro de misericórdia.

Só há dois caminhos: ou o BlackBerry 10 ARRASA quarteirões com essa interface incrível e aplicações inovadoras (o que ainda não é o caso), ou a Microsoft pode ir preparando o pedido de casamento. Em tempo, que façam isso antes que a princesa volte a ser gata-borralheira.

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  • Marcel Cintra
    2013-01-31T10:26:55

    Já tive iOs, já tive WindowsPhone, sempre acabei voltando para o Android. Isso desde 2009. Meu primeiro Android foi o tijolão Milestone 1. Depois comprei um iphone 4s, comprei um Galaxy S, depois um SII, fui para o Omnia W e agora estou de S3. Estou doido para testar outro S.O., acho que esse BB10 será o próximo. Quem usa BB e já usou Android, quais são as principais diferenças?

  • Carlos Moreira
    2013-01-31T08:54:57

    Não dá mais tempo, mude para o Android enquanto tem crédito.

  • Natanael Jesus
    2013-01-30T22:44:57

    Tratando-se de tecnologia, esse tempo está, sim, muito distante. A BB chega com um sistema, ainda que em sua 10ª versão, novo. Mas mesmo com todo esse tempo, o prestígio que ainda lhe resta, será crucial para uma retomada no mercado. Mas vai ter que investir muito mesmo para que surjam aplicações/soluções confiáveis para essa plataforma. Quem ganha, claro, somos nós - consumidores. Muita coisa já deixou de ser novidade, então corra RIM, corra! Digo... BlackBerry!

  • Tiago Aráujo
    2013-01-30T22:05:35

    Nunca é tarde para um sistema verdadeiramente inovador e acima de tudo extremamente util, belo e seguro, o BB 10 será meu este ano :D.

  • Tulio Soares
    2013-02-16T14:23:36

    A BlackBerry sempre teve o seu foco no mercado corporativo, devido isso não podemos comparar com iOS, Android ou WP, tem trabalha com TI sabe a força da BalckBerry.

  • Ruy Lobo
    2013-01-31T15:57:17

    Aposto na Blackberry. Possuo um iPhone 4 de 32GB e tenho menos de 20 aplicativos instalados. De nada adianta ter disponível um milhão de aplicativos, se milhares fazem a mesma coisa e milhares são para espantar pernilongo. Como se diz nos EUA, Blackberry é para homens. A geração Coca-Cola/Playstation certamente discorda.

  • Washington Barbosa
    2013-01-31T15:02:24

    Meu raciocínio é idêntico ao da Elis Monteiro. Esse pode ser o melhor momento para o lançamento do SO 10 da BlackBerry. A Apple já não é o objeto de desejo da maioria e a quantidade de Androids já banalizou. O mercado está ansioso por alguma novidade. E se essa novidade vier de uma empresa que já provou que seu poderio, melhor ainda.

  • Roberto Administrador
    2013-01-30T20:37:02  

    A BlackBerry demorou muito para lançar um aparelho competitivo. A Apple e Samsung estão no páreo pela liderança mundial, e acredito que a Motorolla possa vir sobreviver, ate porque os produtos são de excelente qualidade. Os Tablets da Motorolla não deixa nada a desejar para os concorrentes. Mas na minha terra querida (RS) existe um ditado: não ta morto quem peleia!

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    • Roberto Administrador
      2013-01-30T20:37:02  

      Concordo sobre os tablets da Motorola. Só uma falha grave que acompanha a Motorola desde 2007, todos os aparelhos tem um tempo de bateria muito baixo. Com excessão do Razr I. Meu Galaxy Note 10.1 consigo usar 6 horas direto e em StandBy, fica 4 a 5 dias. Minha esposa fica 3 horas usando o Xoom 2 ME e já era a bateria. Ela lê livros no Xoom, algo que não consome processamento, já no Note10, eu vejo filmes e jogo, coisas que consomem mais. A tela do Xoom 2 ME é de 8.2 e do Note10 é de 10.1, tinha que ser mais econômico na minha opinião. Mas o design do Xoom 2 ME dá de 10 a 0 no meu Note10.