Produtividade

07/02/2013 10h05 - Atualizado em 07/02/2013 10h05

Porque não haverá Office para iPad

B. Piropo
por
Para o TechTudo

O Office 2013 chegou. Como tudo que a MS tem desenvolvido ultimamente, as mudanças são relativamente poucas em relação à versão anterior (no caso, a 2010) exceto na interface, otimizada para uso em dispositivos com tela sensível ao toque. Falaremos sobre elas rapidamente – mesmo porque não há muito o que falar – mas, antes, cabe uma pergunta: se na liça dos dispositivos móveis com telas sensíveis ao toque o campeão inconteste é o iPad, e sendo o novo Office otimizado para este tipo de interface, por que não há (e, a meu juízo, jamais haverá) um Office para iPad?

Enquanto o preclaro leitor matuta sobre esta questão, vamos ver o que o novo Office nos traz de novidades.

Dispositivos com telas sensíveis ao toque normalmente usam telas menores e são operados com a ponta dos dedos. Portanto, otimizar um aplicativo para este tipo de uso significa essencialmente simplificar a interface, tornando-a não somente mais “limpa” como também fazendo com que os botões e menus sejam mais fáceis de acionar. E no Office 2013 a MS conseguiu isto com grande eficácia.

GPC20130207_1_Word2013Figura 1: Nova interface do Word (Foto: Reprodução)

Todos os aplicativos do pacote Office 2013 usam as chamadas “Faixas de opções” (“Ribbons”) em lugar dos menus, como ocorre desde a versão 2010. Mas na nova versão as faixas de opções têm o aspecto das usadas na interface “Metro”, adotada pelos aplicativos Windows 8. Este texto, por exemplo, está sendo digitado no Word 2013. Repare, na Figura 1, na simplicidade de sua interface e no aspecto espartano de sua Faixa de Opções. E note que esta é a interface exibida em uma tela de computador de mesa. Quando o pacote é usado em dispositivos portáteis a interface se torna ainda mais amigável. Isto porque, entre os comandos de todos os aplicativos do pacote, a MS incluiu um que alterna entre dois modos de exibição, o modo “Mouse”, para ser usado nos micros de mesa, e o modo “Toque”, para ser usado nos dispositivos com telas sensíveis ao toque. A Figura 2 mostra a mesma tela do Power Point 2013 nos dois modos de exibição. Na parte superior ela é exibida no “Modo Mouse” e na parte inferior no “Modo Toque” (passa-se de um para outro com um clique – ou toque – no pequeno ícone assinalado em azul que, na configuração de meu Office, eu tomei a providência de incluir na Barra de Ferramentas de Acesso Rápido). Repare como no modo Toque os ícones aumentam de tamanho e se espalham mais na Faixa de Opções para facilitar a operação com o toque do dedo em uma tela menor (mas em contrapartida, se reduzem aos essenciais).

GPC20130207_2_PPoint2013ModosFigura 2: Modos de exibição "Mouse" e "Toque"

Outra mudança que nada acrescenta em funcionalidade mas torna o trabalho com os aplicativos muito mais prazeroso é a alteração nos efeitos de transição, barras de digitação e na própria edição do texto na tela. Tudo ficou muito mais dinâmico e apresenta um efeito de fluidez bastante agradável.

Além disso, as telas de abertura dos aplicativos mudaram. Agora, elas apresentam diversos modelos (“templates”) de documentos, alguns pré-definidos, outros obtidos dos documentos mais recentemente editados. E mostram a lista dos últimos documentos editados. Apenas depois de escolhido um modelo ou arquivo gravado para edição é que aparece a interface de trabalho.

Outro ponto importante é a integração absoluta do Office 2013 com o SkyDrive, o sistema de armazenamento de arquivos “na nuvem” da MS. Uma integração tão ampla que o comando “Salvar” tem por padrão o próprio SkyDrive como destino.

Fora isto, as novidades não são muitas. As que mais me chamaram a atenção em cada um dos três principais aplicativos do pacote: os efeitos e opções disponíveis nos gráficos do Excel ficaram muito mais bonitos e ricos, a diagramação dos slides no Power Point foi grandemente facilitada pelo uso de guias e o Word oferece recursos para editar documentos no formato PDF que, embora limitados, podem ser muito úteis. Entre os demais aplicativos do Office 2013, as mudanças mais radicais ocorreram no OneNote. Que ficou tão melhor que estou até cogitando passar a usá-lo.

Isto posto, volto à pergunta lá de cima: por que não existe uma versão do Office para IPad (na verdade, para o sistema operacional IOS usado nos dispositivos móveis da Apple)? Afinal, se existisse, provavelmente iria vender mais que bolinho quente e a receita gerada para a MS definitivamente não seria desprezível…

Boatos sobre o lançamento de uma versão do Office para IOS circulam há pelo menos um ano e jamais se confirmam. Tanto assim que em fevereiro do ano passado Mary Jo Fowley publicou no ZDNet o artigo “Microsoft Office for iPad: Separating fact from fiction” onde discute o assunto e cita inclusive artigos da imprensa especializada garantindo que o produto estava prestes a ser liberado – e não foi.

Quando se soube que, à exemplo de Windows 8, o Office 2013 seria otimizado para uso em telas sensíveis ao toque como as usadas nos dispositivos que rodam IOS, esses boatos recrudesceram.

E nada…

Ora, em casos assim, a forma mais óbvia de dirimir a dúvida é saber quais são os planos da Microsoft sobre o assunto. Afinal, neste jogo, ela é a dona da bola. Quer dizer, do Office…

Perguntada à respeito – e perguntada foi vezes sem conta – a MS simplesmente desconversa. Por exemplo: no artigo acima citado, Fowley afirma que “ao ser perguntado se Microsoft desenvolveria um Office para IPad, Peter Klein, o CFO da MS, respondeu que ‘a Microsoft acredita que tem grande experiência em tabletes com o Office’ – sem especificar a que tipos de tabletes se referia”. E nada mais disse…

E mais: há cerca de uma semana, Liam Tung publicou, ainda na ZDNet, o artigo “Ballmer: Office with no iPad support makes ‘a lot of sense’”, onde afirma que, na entrevista coletiva organizada por ocasião do lançamento do novo Office 365 em 29 de janeiro passado, quando um dos jornalistas presentes perguntou pelo Office para IPad, Steve Ballmer, o todo poderoso CEO da Microsoft, respondeu secamente “Nada tenho a comentar sobre este tópico”. E Tung acrescenta uma citação de Ballmer em uma entrevista dada à cadeia Bloomberg onde, indagado sobre o mesmo assunto, ele afirma: “Estamos muito satisfeitos com o produto que acabamos de lançar no mercado. Ele faz sentido em dispositivos como o Mac e o PC… Quanto ao futuro, veremos o que nos espera”.

Portanto não apenas se percebe uma evidente má vontade da MS em lançar o Office para IOS como também em sequer tocar no assunto.

Ora, se a MS não quer o Office no IPad, não haverá Office para IPad.

Mas por que essa má vontade?

Bem, se não há resposta oficial, nada impede que se especule sobre o assunto. E foi o que fez Adrian Kingsley-Hughes em seu artigo, também publicado na ZDNet, “Why Ballmer doesn’t want Office on the iPad”.

A primeira razão, segundo Kingsley-Hughes, é que tornar o Office disponível aos (dezenas de milhões de) usuários do IPad exerceria um impacto bastante negativo nas vendas de tabletes que rodam Windows 8 – inclusive nas do próprio Surface da MS. Ou seja: permitir que o Office rode no IPad elimina a razão mais importante que levaria uma corporação a adotar tabletes rodando Windows 8. E um tablete com Windows 8 a menos significa menos uma licença de Windows 8 contabilizada.

A segunda razão, ainda de acordo com Kingsley-Hughes, é que diversos fabricantes de PCs, cujas vendas estão diminuindo significativamente, alegaram que pôr o Office à disposição dos usuários dos dispositivos que rodam IOS poderia incrementar ainda mais as vendas destes dispositivos, prejudicando assim as dos PCs, que já não andam lá muito bem das pernas.

No artigo – que sugiro consultar – Kingsley-Hughes cita ainda outras razões de ordem técnica e financeira para que a MS não deseje o Office rodando sob IOS, mas estas duas acima me parecem mais que suficientes para justificar a recusa não explicitada da MS em oferecer uma versão do Office para IOS.

Portanto, se você usa um IPad ou outro dispositivo que roda IOS e esperava pelo lançamento das novas versões do Office para ele, pode tirar seu cavalo da chuva. As probabilidades de que isto ocorra, pelo menos a curto ou médio prazo, são praticamente nulas.

Um problema clássico que afeta os usuários de sistemas proprietários…

B. Piropo

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  • Matsumoto Trassaku
    2013-02-13T12:22:56

    Mas isso não é obvio?! Seria o mesmo que perguntar: por que a apple não abre o sistema operacional delas gratuitamente para as demais empresas, como faz o google com o android? O surface é um ótimo produto, sua versão mais completa talvez seja o tablet mais funcional do mercado - principalmente para empresas, ainda é novo no mercado. Se a MS faz office para ios seria um tiro de escopeta no pé. Se quer vencer um inimigo, jamais daria armas e munições para ele, a não ser que tivessem defeito (isso sim a MS faz com o xbox paga as empresas para fazer versões piores e com bugs para ps3).