18/04/2013 09h00 - Atualizado em 18/04/2013 09h00

Briga boa no horizonte

B. Piropo
por
Para o TechTudo

Eu sei que hoje, quando você olha para um PC, seja ele de mesa ou portátil, presume que seu sistema operacional seja Windows. E, de acordo com as estatísticas, tem 99% de estar certo. O 1% restante corresponde ao Linux, que continua esperneando. Isso, é claro, descontando o OS X, mas este não lhe dá escolha: se você compra um Mac, tem que usar o OS X, se você quer usar o OS X tem que comprar um Mac. Portanto hoje o mercado de sistemas operacionais para PCs é um monopólio da MS com seus diversos sabores de Windows.

Talvez você não acredite, mas houve época em que não era assim. Nos velhos tempos do DOS, anos oitenta do século passado, houve uma acirrada disputa entre o MS-DOS da Microsoft e o DS-DOS da Digital Research, além de outros menos votados. Na década seguinte, nos albores da era da interface gráfica, a IBM lançou um sistema operacional bem melhor que a versão de Windows que então dominava o mercado e só não ganhou a disputa por absoluta incompetência de lidar com as vendas a varejo dos SO (a IBM só sabe lidar com corporações e temos conversado). E, finalmente, na primeira década deste milênio, o Linux parecia ter adquirido algum fôlego e chegou a conquistar quase 5% do mercado, mas por razões inexplicáveis, já que é um excelente sistema operacional, o melhor jamais concebido (caros leitores devotos do Linux: este elogio é o bastante para evitar aquela guerra idiota na seção de comentários que costuma ocorrer cada vez que menciono o Linux? Ou vocês acham que eu deveria ser um pouco mais enfático? Se acharem, é só avisar que eu o elevo ao nível de “divino”, mas por favor poupem-me dos comentários sectários), voltou a ocupar o 1% que lhe cabe.

E o mercado de SO para PCs virou este marasmo.

Então vieram os pequeninos: telefones espertos e tabletes. E a coisa mudou de figura.

Primeiro, porque não dava simplesmente para espremer as versões então correntes de Windows, com todas as suas funções e enfeites, para que coubessem naqueles novos e estranhos bichos pequeninos e exóticos com processadores de baixo desempenho para garantir uma duração suficiente da carga da bateria. Tanto assim que as primeiras versões de Windows para estas maquininhas, o “Windows Mobile” de 2000 e o “Windows Phone” de 2012, eram baseados no Windows CE que de Windows tinha pouco mais que o nome. Levou mais de dez anos até que, em 2012, fossem lançados o Windows 8 para PCs e micros portáteis e seu irmão menor, o RT para telefones espertos e tabletes, com a mesma cara e praticamente as mesmas funcionalidades.

Ora, se não dava para usar Windows, o então dono do mercado, era preciso usar outra coisa. E foi então que chegou a hora e a vez do Linux. Que, se não foi usado diretamente (mas breve o será, como logo veremos), serviu de base para desenvolvimento de quase tudo o que será visto adiante.

GPC20130418_1Figura 1 - Android (Foto: Reprodução)

A começar pelo Android (novamente, vamos deixar o iOS de lado pois ele não compete com os demais sistemas, quem compete é o hardware da Apple com os concorrentes; isto porque, de acordo com as diretrizes da Apple, se você quiser rodar o iOS terá que comprar um produto Apple e se comprar um produto Apple terá que rodar o iOS).

O Android foi uma artimanha da Google. Foi desenvolvido pela Android Inc., que por sua vez era financiada pela Google. Em 2005 a Google comprou a Android Inc., o que levantou uma onda de boatos afirmando que a empresa entraria no mercado de celulares, boatos que recrudesceram em 2007 quando a Google requereu uma série de patentes de aplicativos no campo da telefonia móvel. Pouca gente se deu conta que a palavra chave era “aplicativos”, a galinha de ovos de ouro da Google. Para o hardware ela estava pouco ligando.

Tanto assim que em novembro daquele ano a Google liderou a criação da Open Handset Alliance (OHC), um consórcio que incluía empresas como a HTC, TI e Samsung com o objetivo de desenvolver padrões abertos para dispositivos móveis.

O primeiro produto desta aliança foi justamente o Android, liberado na ocasião do anúncio da criação da OHC. Hoje, se você não é o orgulhoso proprietário de um dispositivo móvel da Apple, há uma grande probabilidade que tenha um Android no bolso. Isto porque, juntos, o Android e o iOS abocanham quase noventa porcento do mercado.

Mas, se depender da concorrência isto logo vai mudar, posto que a liça do combate dos sistemas operacionais para dispositivos móveis receberá muito breve três novos contendores. Além da renovação de um já existente, pois doravante o Windows 8 RT vai começar a falar grosso.

GPC20130418_2Figura 2: Windows Phone 8 (Foto: Reprodução)

Vamos começar por ele. Os pequenos processadores usados em telefones espertos e tabletes também evoluem e nos últimos anos, com o crescimento explosivo do mercado, esta evolução acelerou. Portanto foi possível assentar as fundações da mais nova versão do Windows Phone 8 no cerne (“kernel”) do Windows NT, onde também repousam as bases do Windows 8. Portanto, não erra quem afirmar que o Windows Phone 8 é um Windows 8 simplificado para “caber” nos telefones espertos e tabletes. Mas não deixa de ser um Windows 8. Mais que isto: eles se comunicam e se sincronizam independentemente da ação do usuário fazendo com que você leve no bolso ou na pasta um dispositivo funcionalmente muito semelhante ao que repousa na sua mesa de trabalho. E mais: o Windows Phone RT é capaz de rodar os mais importantes aplicativos do pacote MS Office, o que representa uma enorme vantagem para quem os usa no micro de mesa. Então deve-se esperar que a fatia de mercado de 1,5% que hoje pertence ao Windows Phone venha a crescer bastante no futuro próximo.

E os outros três?

GPC20130418_3Figura 3: Tela Firefox OS (Foto: Reprodução)

Bem, o primeiro é o Firefox OS, cujo lançamento é esperado para breve, talvez nos próximos três meses. Como o Android, será de código aberto e baseado no Linux. Sua concepção faz  com que os aplicativos rodem quase “dentro” do programa navegador (ideia que surgiu há alguns anos, porém para ser aplicada aos micros de mesa). De fato, ele permite que os aplicativos desenvolvidos com o HTML5, uma linguagem de programação de páginas da web, se comuniquem diretamente com o hardware através de comandos do JavaScript (desculpem, mas não cabem aqui detalhes técnicos; mas JavaScript é uma linguagem de programação usada para desenvolver aplicativos que rodam “dentro” do navegador, como certos joguinhos simples e coisas que tais).

Embora ainda não lançado no mercado, uma versão beta do Firefox OS foi exibida no MWC 2013 realizado há dois meses e atraiu um bocado de atenção. O sistema visa equipar dispositivos móveis de baixo custo e por isto os desenvolvedores estão procurando apoio de operadoras nos mercados emergentes, o que inclui o Brasil. Provavelmente a primeira fabricante a lançar um telefone esperto equipado com o Firefox OS será a ZTE, com seu ZTE Open. Ao que parece o Firefox OS vai entrar na briga disputando fatias da base da pirâmide: telefones não muito poderosos, mas bastante numerosos. O que lhe dá uma boa chance de crescimento.

GPC20130418_4Figura 4: Tizen (Foto: Reprodução)

O segundo novo contendor será o Tizen, que promete brigar diretamente com o Firefox OS, disputando a mesma fatia de mercado da base da pirâmide. A diferença é que ele é um sistema que, apesar de oficialmente ser apoiado e desenvolvido pela Tizen Association, com seus mais de duzentos membros, quem está na linha de frente são duas empresas de peso: Samsung e Intel. E quando estes dois se metem em alguma coisa, raramente dão com os burros n’água. E mais: apesar de inicialmente ele equipar dispositivos de baixo custo (e, portanto, de baixo poder de processamento), a Tizen Association garante que o sistema pode ser facilmente adaptado para dispositivos mais avançados. E, assim, poder brigar de igual para igual com os Galaxy e iPad/iPhone.

O desenvolvimento do Tizen já vem rolando há muito tempo. É fruto das primeiras tentativas de adaptação do núcleo do Linux para operar dispositivos móveis. Talvez você o conheça como o objetivo da LiMo Foundation, que apenas adotou o nome de Tizen Association no ano passado. A princípio eu não esperava muito deste SO, mas a participação da Samsung e a adesão da Intel em 2011, ambas na primeira linha do desenvolvimento, concedem um bocado de credibilidade ao produto. É esperar para ver. E não muito: consta que o SO será lançado ainda este ano.

GPC20130418_5Figura 5: Unbuntu Touch (Foto: Reprodução)

Finalmente o terceiro contendor, o sonho dos devotos do Linux: o Ubuntu Touch, a ser lançado pela Canonical, responsável pelo Ubuntu, uma das distribuições do Linux para máquinas de mesa. O Ubuntu Touch é destinado a pequenos dispositivos móveis operados através de telas sensíveis ao toque mas que usará o Unity, a mesma interface do Ubuntu das máquinas maiores. O objetivo é oferecer nos tabletes e telefones espertos a mesma “experiência de usuário” das máquinas que hoje usam Ubuntu. Seu lançamento também é esperado para este ano.

Quer dizer: a briga, que já anda boa, parece que vai esquentar.

Entre os contendores, não sei quem ganhará. Mas do lado de cá da cerca, nós, usuários, ganharemos sempre. Quanto mais eles brigam, mais os preços caem e mais vantagens temos.

É esperar para ver.

B. Piropo

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  • Antonio Souza
    2015-12-14T08:41:04

    Há 3 anos... E agora atual o Android 84.5%. O iOS os 13% e o WP 2.5. Maios ou menos isso, mas o Android só manda geral. Isso que dizer que o Linux se for contar tudo. Desktop, Tablet, smartphone, roteadores, servidores, geladeiras, carros, relógios, bla bla bla tem quanto mesmo? Já é superior ao Windows?

  • Edivilson Abreu
    2013-04-22T00:04:29

    E eu com isso ?!

  • Daniel
    2013-04-18T16:53:23

    Ótima matéria, que venham os novos "players" para aquecer o mercado!

  • Drk Dz
    2013-04-18T15:08:49

    "caros leitores devotos do Linux: este elogio é o bastante para evitar aquela guerra idiota na seção de comentários que costuma ocorrer cada vez que menciono o Linux? Ou vocês acham que eu deveria ser um pouco mais enfático? Se acharem, é só avisar que eu o elevo ao nível de “divino”, mas por favor poupem-me dos comentários sectários" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk to rindo muito aqui.. xD

  • Joao Vicente
    2013-04-18T11:43:54

    e o jolla os?

  • Japonesaichi
    2013-04-18T15:09:24  

    Gostei deste engenheiro no Techtudo, não reparei se li outras matérias anteriores deste engenheiro mas de qualquer forma gostei da forma com que dirige a matéria.

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    • Japonesaichi
      2013-04-18T15:09:24  

      Esse é o Famoso Mestre Piropo. Acompanho suas colunas desde o extinto Fórum Pcs.