26/04/2013 15h34 - Atualizado em 22/07/2014 18h03

O que é grafeno e por que ele pode revolucionar os eletrônicos?

Gera Costa
por
Para o TechTudo

O grafeno é um material composto de átomos de carbono que, por ser simplesmente o mais fino e mais condutor do mundo, é tido como o futuro da tecnologia. Essa camada ligeiríssima de grafite é ainda muito resistente, se levarmos em consideração sua espessura, sendo 100 vezes mais forte que o aço.

Quando isolado e usado da forma correta, o grafeno ganha possibilidades incríveis de utilização e, por isso, é visto como a solução de vários problemas na área de tecnologia: desde substituição de materiais raros e escassos até o barateamento de custos para o consumidor. 

Grafeno, um material peculiar. Confira!

bilayer-graphene-cvd (Foto: bilayer-graphene-cvd)Grafeno (Foto: bilayer-graphene-cvd)


O composto foi descoberto em 1947, pelo físico Philip Russel Wallace, o primeiro a estudar de forma teórica sobre o material. Mas foi só em 1962 que ele se tornou realidade, através dos químicos Ulrich Hofmann e Hanns-Peter Boehm. Foi Boehm, inclusive, quem o batizou, a partir da junção das palavras grafite e o sufixo –eno.

Finalmente, em 2004, o grafeno surgiu para o mundo, graças aos físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov, que resolveu testar seu potencial como transistor. Até aquele momento, era impossível conseguir uma amostra do material para estudos mais efetivos, sem o isolar da forma correta. Os estudiosos conseguiram o feito, incrivelmente, com uma fita adesiva.

Material do futuro

Grafeno (Foto: Divulgação)Grafeno (Foto: Divulgação)

Não é à toa que o grafeno é supervalorizado no mundo da tecnologia. Ele é, simplesmente, o material mais forte, mais leve e mais fino conhecido na atualidade. Além disso, é transparente, elástico e conta com propriedades elétricas e óticas.

Empresas e cientistas apostam no composto químico como a revolução na indústria de eletrônicos, projetando uma nova geração de componentes e dispositivos. O fato de ser uma descoberta relativamente nova não impediu que os primeiros produtos comerciais já estejam perto de serem lançados.


Um destes produtos derivados que estão sendo desenvolvidos a partir do material é um novo tipo de cabo de transmissão. Os cientistas aproveitaram todo o potencial dos elétrons e potencializaram a velocidade de troca de dados a centenas de vezes acima do que existe atualmente. Tal tecnologia permitiria uma internet muito mais rápida do que a que conhecemos.

Pesquisadores já desenvolveram também uma antena de grafeno, com a qual é possível transmitir, a um metro de distância, 128 GB (ou 1 terabit) por segundo. Para se ter uma ideia, em 128 GB cabem, aproximadamente, 32 mil músicas de 4 Mb. Acredita-se que, a uma distância menor, os cientistas consigam transmitir cem vezes mais informações na mesma quantidade de tempo.

As propriedades do material também estão sendo aproveitadas para a criação de baterias. Uma delas foi descoberta acidentalmente por um estudante da Universidade da Califórnia. O rapaz colocou uma camada líquida de óxido de grafite em um CD, inseriu em um leitor de DVD com LightScribe (tecnologia de impressão direta em um CD ou DVD) e usou o sistema para "chupar" o grafite. Em apenas dois segundos de carregamento, o disco banhado conseguiu carregar um LED por cinco minutos. Há também versões de bateriais flexíveis e ultrarrápidas em desenvolvimento, que vão de encontro ao lançamento de gadgets dobráveis, como têm sugerido diversas fabricantes, como a Samsung.

Grafeno (Foto: Reprodução/ Wikimedia Commons)Grafeno (Foto: Reprodução/ Wikimedia Commons)


Existem ainda novas pesquisas com nanochips, fones de ouvidos, filtragem de água salgada, telas touchscreen e dispositivos biônicos, todos derivados do grafeno. Tais experimentos e estudos influenciaram a criação de um consórcio, que incentiva estudos e busca investidores, chamado Graphene Flagship Consortium. Este grupo conta com nove parceiros, entre eles a Nokia e a Universidade de Cambridge. Também fazem parte os recentemente laureados com o Nobel de Física, Andre Geim e Konstantin Novoselov, que foram premiados justamente por estudos em torno do material.

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O Brasil não está fora desta briga. Já existem investimentos reais no país: a Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, arrecadou investimentos para construir o primeiro centro de pesquisa de grafeno por aqui. A inauguração deve acontecer em maio de 2014 e o espaço terá 6500 metros quadrados.

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  • Gabriel Seixas
    2013-04-26T16:02:33

    Loooouco louco louco louco, isso é Mackenzie

  • Anderson Pimentel
    2013-04-27T09:13:54  

    Apple vai criar algo idêntico, vai patentear e dizer que Jobs já havia desenhado isso antes. Olha só!

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    • Anderson Pimentel
      2013-04-27T09:13:54  

      E vão chamar de igrafeno!!!

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    • Anderson Pimentel
      2013-04-27T09:13:54  

      iGraff audhaushushsuahauashasuhasashsuhsusahsuashu

  • BERNARDETE SOARES
    2013-04-26T23:59:55  

    DESDE QUANDO "128 Gb (ou 1 terabit) por segundo" 1024Gb = 1terabit -.-

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    • BERNARDETE SOARES
      2013-04-26T23:59:55  

      Erro colossal!

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    • BERNARDETE SOARES
      2013-04-26T23:59:55  

      Na verdade o erro ali é b minusculo (bite) que deveria ser maisúculo (Byte). 1 Byte é igual a 8 bites. Logo 128 GB = 1024 Gb = 1 Tb