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10/04/2014 17h47 - Atualizado em 11/04/2014 13h05

Um preconceito ao contrário

B. Piropo
por
Para o TechTudo

Hoje vamos abordar um tema delicado: até que ponto as convicções pessoais de um profissional podem ser levadas em conta ao julgar sua competência e capacidade profissional? 

Brendan Eich

Você conhece Brendan Eich?

Provavelmente não. Pelo menos a maioria daqueles que estão lendo estas mal traçadas nunca ouviu falar nele ou, se ouviu, não guardou seu nome na memória. Então, refresquemo-la.

Segundo a Wikipedia, Brendan Eich, nascido em 1961, é um tecnólogo americano, criador da linguagem JavaScript e um dos fundadores do projeto Mozilla, da Fundação Mozilla e da empresa Mozilla, mais conhecida por ser a responsável pelo desenvolvimento do programa navegador Firefox e do gerenciador de correio eletrônico Thunderbird. Incidentalmente (e logo vocês verão qual a importância disso no contexto desta coluna): a Fundação Mozilla é uma organização sem fins lucrativos que, além de ser a única proprietária da empresa Mozilla, é guiada pelo Manifesto Mozilla, que fixa objetivos e princípios a serem seguidos, todos com um forte cunho liberal – a começar pelo decidido apoio ao software livre, passando por ativa defesa dos direitos de minorias, entre elas o da comunidade LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais).

GPC20140410_1Figura 1: Brendan Eich (Reprodução/Internet)


Brendan Eich graduou-se em matemática e ciências da computação na Universidade de Santa Clara e obteve o título de Mestre na Universidade de Illinois. Começou sua carreira na Silicon Graphics desenvolvendo código de sistemas operacionais, trabalhando em seguida na MicroUnity Systems ainda na área de programação, sempre atuando como um brilhante profissional.

Sua carreira nas organizações Mozilla começou em 1995. Uma de suas primeiras tarefas resultou na criação da linguagem JavaScript, cuja primeira versão foi desenvolvida em dez dias. Ao longo dos anos Eich foi galgando posições na organização.

Considerado extremamente competente, chegou ao topo da carreira: foi escolhido como diretor executivo (CEO, Chief Executive Officer) da empresa Mozilla em 24 de março passado.

Segundo Dylan Tweney em artigo para o VB News, “Eich é um talentoso e engajado profissional na área da tecnologia … Ele exibia todas as qualidades que faziam dele um Executivo responsável, ético, cujos valores estavam totalmente alinhados com os das organizações Mozilla”. Esta opinião parece coincidir com a de todos os que tiveram algum contato profissional com Eich durante sua carreira nas organizações Mozilla. Sua competência, capacidade profissional e habilidade no trato com pessoas jamais foi questionada.

Não obstante, no último dia 3 foi forçado a renunciar ao cargo em virtude de suas convicções pessoais.

Sua permanência como CEO da Mozilla Corporation durou pouco mais de uma semana. 

Visão do mundo

O homo sapiens sapiens é uma espécie curiosa. Ao contrário da imensa maioria das demais espécies animais cujos indivíduos, a julgar pelo seu comportamento, parecem encarar o mundo de uma forma homogênea e sob a mesma perspectiva, a nossa – e certamente esta qualidade a torna muito especial – exibe uma enorme diversidade de maneiras de encarar as coisas, animais e pessoas que nos cercam.

Ao longo dos anos criamos e cultivamos nossas próprias convicções, moldadas pela educação que recebemos, pelo ambiente em que vivemos, pela observação dos valores das pessoas a que somos mais chegados como pais, demais elementos da família, amigos e grupo social. E, felizmente – do contrário a vida seria de uma mesmice insuportável – cada um de nós cultiva suas próprias convicções.

Não sou sociólogo nem pretendo meter meu nariz de engenheiro onde não fui chamado, mas estou naquela fase da vida que os gozadores costumam chamar de “melhor idade” (e se eu pegar o cara que inventou esta forma de achincalhar os velhos, eu mato) e vivi o bastante para consolidar certas convicções. Que são, portanto, minhas convicções pessoais e não o extrato da verdade absoluta. Portanto podem estar erradas e convém ter isto em mente ao ler o que se segue.

Ao longo dos anos constatei que homens e mulheres podem ser agrupados de acordo com suas convicções. Há os grupos formados pelos torcedores deste ou daquele clube, pelos usuários deste ou daquele sistema operacional, pelos que acreditam nesta ou naquela religião, pelos naturais deste ou daquele país e assim por diante. O número destes grupos é imenso.

Mas levando em conta que pessoas podem pertencer ao mesmo tempo a mais de um grupo – usar Windows e torcer pelo Vasco, ser chinês e usar Mac OS e assim por diante – de uma forma bastante genérica pode-se incluir praticamente todo ser humano em um dentre apenas dois grandes grupos: aqueles que são menos presos a convenções, aceitam mudanças com mais facilidade e têm a mente aberta a novas ideias e aqueles que se apegam a valores tradicionais, só aceitam mudanças depois de longamente testadas e ainda assim meio contra a vontade e cujas sólidas convicções raramente se alteram. Você pode denominar estes dois grupos como quiser: liberais e conservadores, esquerda e direita, inovador e reacionário, avançado e retrógrado, vanguardeiro e tradicionalista, não importa. Mas cada um de nós, eu, você e o resto da humanidade, em maior ou menor medida, pertence a um destes dois grupos.

E há também, infelizmente, a discriminação.

Em geral a tendência é discriminar o que é diferente. Brancos discriminam negros – mas em algumas áreas, sobretudo nos EUA, negros discriminam brancos. Católicos discriminam judeus que por sua vez discriminam islâmicos que discriminam católicos e todos juntos discriminam umbandistas. Há discriminações de todo o tipo em praticamente qualquer lugar do planeta.

Quem sou eu, modesto engenheiro metido a escrevinhador, para divisar as razões pelas quais o ser humano tende a discriminar outro ser humano. Com esta ressalva, ouso declarar que a mim parece que isto se deve ao espírito gregário da espécie, que tende a formar os grupos mencionados dois parágrafos acima e cujos membros se sentem mais à vontade entre os de seu próprio grupo, evitando o convívio com os elementos de outros grupos – que consideram “inferiores” apenas por serem diferentes. Mas isto é só um palpite e, estando ou não correto, não importa. O que importa é que a discriminação existe e permeia toda a humanidade. E assume uma forma especialmente perversa quando discrimina minorias.

Há um número enorme de exemplos. Um deles, quase surpreendente, é a discriminação que começa a se formar contra os fumantes (não estou defendendo minha tribo; não sou fumante). Eu poderia citar dezenas de outros mas vou me ater apenas ao que interessa ao assunto desta coluna: o preconceito – pai da discriminação – baseado na orientação sexual. É um preconceito tão forte e tão disseminado que a minoria formada pelo conjunto de grupos discriminados já ganhou até acrônimo: o LGTB (também neste caso não estou defendendo meus interesses; não pertenço a nenhum destes grupos e, na minha idade, já é demasiadamente tarde para aderir a qualquer um deles; incidentalmente e antes que comecem a formar conclusões apressadas: tanto quanto eu saiba, Brendan Eich também não).

Pois bem, considerando que estas minhas opiniões, mesmo não sendo a expressão da verdade absoluta, podem ao menos serem consideradas uma visão razoável do mundo, pergunto: que posição assumem os dois grandes grupos mencionados acima em relação à questão do preconceito e discriminação, particularmente em relação aos LGTB?

Eu acredito firmemente que, em quase cem porcento dos casos, a resposta considera que a grande maioria dos conservadores tendem, se não a apoiar, pelo menos a encarar com simpatia esta discriminação, enquanto os liberais são claramente contrários a ela, muitas vezes liderando movimentos de apoio – tanto a esta quando a outras minorias discriminadas.

Então pergunto: como entender quando ocorre o contrário? 

A “Proposition 8”

Eu não conheço em detalhes o sistema eleitoral americano. Mas sei que algumas leis, selecionadas não sei por quais critérios, são submetidas à aprovação da população durante as eleições (sim, neste tópico, como na maioria dos demais, a vastidão de minha ignorância supera de longe o estreito campo de meu conhecimento; mas o que vai explicado adiante basta para o que precisamos agora).

Tanto quanto eu sei (e garanto que se eu estiver errado algum leitor ou leitora com conhecimentos mais amplos que o meu certamente postará um esclarecimento na seção de comentários aí embaixo), muito resumidamente, a coisa funciona assim: por ocasião da escolha de seus representantes para os diversos cargos eletivos, é apresentada ao eleitor uma lista – por vezes razoavelmente longa – de projetos de lei para sua apreciação. Ele tem direito a votar a favor ou contra. Cada projeto corresponde a uma proposta (“proposition”) e recebe um número. Se o projeto receber o “Sim” da maioria dos eleitores, é aprovado.

Com isto, a campanha eleitoral ganha novos ingredientes. Além da propaganda partidária (que lá, assim como o voto, não é obrigatória) e dos candidatos individuais, há ainda a propaganda em defesa – ou contra – determinadas propostas. E como isto custa dinheiro, é financiada pelas doações de seus simpatizantes.

Nas eleições de 2008 no estado da Califórnia foi apresentada uma proposta – que recebeu o número 8 e por isto é conhecida como “Proposition 8” – que considerava ser o casamento válido apenas se fosse a união de um homem e uma mulher (considerando que a proposta se originou de um movimento da igreja Mórmon, achei estranho que não propusesse a validade apenas se fosse “a união de um homem e uma ou mais mulheres”, mas eles devem ter lá suas razões).

Acho que alguns leitores estão matutando sobre o que isto terá a ver com nossa coluna de hoje. Tenham paciência que logo descobrirão. Enquanto isto, apenas por curiosidade, vai o relato do que ocorreu com a “Proposition 8”: por estranho que pareça, na Califórnia, sabidamente o estado mais liberal dos EUA, ela foi aprovada pelos eleitores. Consta que assim foi devido ao apoio maciço da numerosa comunidade Mórmon. Porém não chegou a entrar em vigor, já que foi submetida à Suprema Corte dos EUA, que a considerou anticonstitucional. 

O triunfo da discriminação

Voltemos ao nosso caro Brendan Eich.

O cargo de CEO de uma grande empresa como a Mozilla goza de alguma importância. E atrai a atenção da imprensa, que logo começa a fuçar a vida pregressa do indivíduo. E logo após Eich ter assumido o cargo, o Los Angeles Times revelou que seu nome constava da lista de doadores para a campanha a favor da “Proposition 8” com uma doação de US$ 1.000.

E o mundo desabou em cima dele.

GPC20140410_2Foto 2: Mountain View City Center (Reprodução/Internet)

Assim que se tomou conhecimento da doação, ativistas gays publicaram artigos exigindo não apenas que ele pedisse desculpas publicamente como que repudiasse seu ato (veja artigo de Owen Thomas na readwrite). Empregados da Mozilla organizaram movimentos de protesto. Três executivos da diretoria da Mozilla se demitiram (embora não se tenha certeza que sua renúncia tenha a ver com a doação). O site de encontros OkCupid passou a apresentar um “banner em sua página de abertura declarando que “O novo CEO da Mozilla, Brendan Eich, é contrário a direitos iguais para casais gay. Por esta razão preferimos que nossos usuários não usem programas da Mozilla para visitar OkCupid”. E na imprensa, especializada e não especializada, começaram a pipocar artigos seja contra, seja a favor de Eich.

A doação de Eich à campanha indicava claramente que devido às suas convicções, ele desaprovava o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas teria ele adotado um comportamento homofóbico em sua vida profissional?

Todas as vozes são unânimes em declarar, enfaticamente, que não. Veja algumas citações de um artigo de um gay assumido, J. O’Dell, uma entrevista de Eich para o VB News cuja leitura recomendo enfaticamente:

Quando ele [Eich] foi nomeado o novo CEO da Mozilla, eu pessoalmente fiquei encantado. Deixando de lado a isenção jornalística, o que faço frequentemente, fiquei contente que um executivo tão pouco convencional tivesse sido o escolhido. Dos executivos que conheço, Eich é o oposto do sujeito convencional, fechado, intimidador e auto-elogioso. Ele é uma pessoa solícita, humilde – o tipo da pessoa que você gostaria de encontrar em uma festa e ficar em um canto conversando sobre tecnologia.

No que toca ao episódio do OkCupid … embora o sentimento possa ter sido sincero, foi o tipo da distorção barata que considerou Eich, Mozilla e Firefox fora do contexto. Sobre isto, Eich declarou ‘Eu acho que eles não sabem que a Fundação Mozilla defende a igualdade LBGT’

Além da entrevista de O’Dell, foram publicados diversos artigos, todos enfatizando que, seja quais fossem as convicções pessoais de Eich, ele jamais as deixou interferir em seu comportamento profissional. Cito aqui apenas mais um, talvez o mais relevante, por representar a opinião de Mitchell Baker, a Presidente do Conselho da Fundação Mozilla, em entrevista a Kara Swisher publicada no site <re/code>:

Fiquei chocada porque eu jamais presenciei qualquer tipo de comportamento ou atitude da parte dele que não estivesse alinhada com a política de inclusão da Mozilla

Pois assim era Eicher. E dificilmente se pode considerar homofóbico um sujeito que é classificado por um jornalista assimidamente gay como J. O’Dell como uma pessoa “solícita” e “humilde”. E que venha a considera-lo “o tipo da pessoa que você gostaria de encontrar em uma festa e ficar em um canto conversando sobre tecnologia”. 

Resumindo

A Califórnia é um ninho de liberais. As posições de seus cidadãos em defesa das minorias e contra os preconceitos são sobejamente conhecidas. Lá surgiu o movimento hippie, os movimentos em defesa da maconha, as primeiras comunidades LGTB atuantes – que, diga-se de passagem, jamais enfrentaram oposição da sociedade local. Em suma: é um estado de vanguarda.

Lá as minorias são aceitas e respeitadas. Têm voz na sociedade. Derrubaram o preconceito.

Pois bem: foi lá que, por violenta pressão justamente desta comunidade LGTB, um alto executivo foi obrigado a renunciar a seu cargo devido exclusivamente às suas convicções pessoais, mesmo levando-se em conta que ele jamais as exprimiu, deu vazão a elas ou tomou qualquer tipo de decisão levado por elas em seu ambiente de trabalho.

Pergunto, absolutamente perplexo: não seria isto uma demonstração de intolerância, preconceito e discriminação justamente da parte de uma minoria que sempre lutou contra estes sentimentos por serem vítimas habituais dele?

Não vou afirmar aqui se estou ou não de acordo com o que foi feito com Eich. Acho que cada um de nós deve analisar a questão à luz de suas próprias convicções. Mesmo porque, como disse acima, estou perplexo e ainda não consegui formar uma opinião definitiva.

O que caracteriza um colunista é que não lhe cabe divulgar os fatos, mas analisá-los e dar sua opinião sobre eles. Mas esta coluna será diferente, já que seu objetivo não é este. Portanto não exprimirei minha opinião.

O objetivo desta coluna é expor o ocorrido e levar, cada um de vocês, a submeter o assunto a cuidadosa avaliação baseada nas suas convicções e levá-lo a formar sua opinião. E não importa qual seja ela. O que importa é fazê-lo refletir sobre o tema.

B.Piropo


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  • Claudio Silva
    2014-06-03T14:43:46

    sei como é duro pertencer a minorias,: hétero, branco, agnóstico e apolítico, sei como é duro ser visto como aberração...

  • Jose Junior
    2014-04-23T20:30:52

    Sou negro. Tenho orgulho de quem sou, meu pai é trabalhador da construção civil, pai de seis filhos. Cinco filhos concluíram a faculdade. Meu pai nunca gostou de cotas, de favores de nada. Mas o que quero enfatizar, algumas minorias hoje estão fortes politicamente. Geralmente as ditaduras partem de uma minoria, a maioria tem que curvar suas cabeças. Algumas minorias não aceitam opinião contrária, pensamento diferente. Eu posso respeitar alguém sem compartilhar suas convicções, mas algumas minorias hoje são assim, fortes para impedirem até de você se valer de suas escolhas. Isso é democracia?

  • Ricardo Rosa
    2014-04-20T03:39:44

    Aparte toda a longa filosofia debulhada acima... Acho que se trata simplesmente de uma verificação , prática e objetiva, que o "CEO" não comungava da "VISÃO - MISSÃO - VALORES" de entidade que ele representava e dirigia. A isso chama-se COERÊNCIA. Ponto.

  • Thales Campos
    2014-04-16T18:42:24

    Foi perfeito seu artigo, uma minoria reaça causou um estrago absolutamente desnecessário e a Mozila perdeu provavelmente um excelente CEO. Se inverteu a mão neste caso...

  • Divino Leitão
    2014-04-11T09:36:15

    Lindo texto meu caro amigo, demonstra claramente que não importa o que a gente faça, se desagradar a um grupo que tenha o poder de reprimir eles irão faze-lo. No caso citado perdem todos, mas talvez ganhe o Eich... que certamente teve oportunidade de saber quem realmente é confiável. Provavelmente fez a doação sem pensar nas consequências, talvez tenha assinado um papel sem olhar direito, mal assessorado... não importa, o que importa é ver o que acontece quando se desagrada esse grupelho que fala de preconceito com a boca cheia, mas o pratica sem pensar, quando lhe é conveniente.

  • Aeria Gloris
    2014-04-10T23:04:14

    Trabalho no serviço público e vejo como pessoas são perseguidas em seu local de trabalho pura e simplesmente por expressarem desagrado. Escrever com seu nome verdadeiro ou mesmo colocar seu nome verdadeiro em qualquer coisa é dar MUNIÇÃO aos perseguidores. Infelizmente hoje em dia é assim. Da mesma forma que cada esquina tem uma câmera, cada palavra que você escrever está sendo vigiada por alguém que vai julgar se você é preconceituoso, retrógrado, "reaça". E que não hesitará em atirar a turba furiosa para cima de você na primeira oportunidade.

  • Aeria Gloris
    2014-04-10T23:01:29

    Volta e meia me perguntam o porquê de eu não usar meu nome verdadeiro na Internet. Eu já usei um dia, quando era adolescente e boba. Com o tempo fui percebendo isso. A Internet é um arquivo gigantesco sobre todos nós, sobre o que gostamos, o que fazemos e nossas verdadeiras opiniões. E hoje pessoas estão sendo perseguidas por emitir opiniões. Existe um padrão de opiniões "certas" e só há duas opções para aqueles que não pretendem arruinar sua vida pessoal e sua carreira: se comunicar na rede da forma mais "chapa branca" possível ou usar um pseudônimo.

  • Aeria Gloris
    2014-04-10T22:58:48

    Texto interessante. Mostra bem como são as coisas nos dias de hoje. O Brasil é bem parecido. Hoje em dia uma frase, uma palavra que soe errado aos ouvidos do "patrulhamento" (que é feito por essa massa amorfa de pessoas que não têm nome nem rosto mas cuja consciência coletiva - e perseguidora - se forma através da Internet, em suas redes sociais e fóruns) pode arruinar a vida e a carreira de uma pessoa. Mais que liberdade de expressão, o que se vê é o fim da liberdade de PENSAMENTO. Esse CEO não disse nada, ele foi condenado por PENSAR diferentemente do que alguns consideram "certo".