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12/12/2014 08h47 - Atualizado em 12/12/2014 08h47

As TVs Inteligentes dominarão o mercado

B. Piropo
por
Para o TechTudo

Há quase exatamente dois anos o conceituadíssimo Grupo Gartner previa que quase 85% das televisões de tela plana fabricadas em 2016 serão “inteligentes”. Agora, o mesmo Grupo Gartner prevê que no ano seguinte, 2017, a transmissão de vídeo ao vivo pelos usuários será um evento tão corriqueiro que os vídeos pessoais ocuparão o lugar dos autorretratos, os populares “selfies”.

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O grupo Gartner, penso eu, dispensa apresentações. Em todo o caso, se você não o conhece, pode descobrir na página About Gartner que se trata de uma “empresa de consultoria, líder mundial em pesquisas sobre tecnologia da informação”, uma empresa capaz de fornecer aos clientes toda a informação necessária para tomar corretamente suas decisões. Foi fundada em 1979, tem sede em Connecticut, EUA, e tem em seu corpo de colaboradores mais de 1.500 analistas de pesquisas. Em suma: é uma das fontes de informação mais rica e fidedigna no campo da tecnologia da informação.

Já “TV inteligente” todo mundo sabe o que é.

Ou não?

Bem, depende.

GPC20141212_1“TV Inteligente” (Foto: Reprodução/Wikipedia)


Pergunte por aí e provavelmente quem tem alguma ideia do assunto responderá que “é uma televisão conectada à Internet”.

O que, de fato, não deixa de ser verdade. Por outro lado, talvez exprima uma visão demasiadamente limitada do que efetivamente vem a ser uma TV Inteligente.

Já a Wikipedia afirma que é uma televisão com a Internet integrada e funcionalidades de “Web 2.0”, um exemplo de convergência tecnológica entre computadores e televisores. O que também é verdade.

O Grupo Gartner, por sua vez, na primeira das pesquisas citadas, define a típica Televisão Inteligente (“Smart TV”) como “uma TV que tem a habilidade de usar uma conexão de alta taxa (banda larga) para efetuar buscas na Internet por conteúdos em vídeo e exibir o conteúdo encontrado”, o que já é um pouco mais específico, mas ainda deixa muita margem para diferenças substanciais.

Então, antes de voltar a discutir as implicações dos relatórios Gartner, vamos reservar alguns minutos para examinar estas diferenças.

Para começar, uma TV Inteligente, mesmo conectada à Internet, não a usa com a liberdade oferecida por um computador. Seu dono somente pode usar os aplicativos, ou “apps”, fornecidos com ela ou adquiridos na “loja” de seu fabricante ou associado.

O número e tipo destes aplicativos variam muito conforme a marca e o modelo da TV. O Skype, por exemplo, é bastante comum, o YouTube é quase obrigatório, assim como o Picasa. Quase todas oferecem acesso ao Netflix, um serviço que põe à disposição do usuário uma enorme coleção de filmes, documentários e quase todo tipo de vídeo mediante um módico pagamento mensal. Algumas dispõem de um número limitado de jogos e quase todas permitem acesso às principais redes sociais, como Twitter, Facebook Etc. Outras dão acesso a sítios de notícias e a edições de jornais ou revistas que podem ser lidos facilmente na tela de alta definição.

Alguns modelos oferecem um programa navegador, o que amplia bastante a possibilidade de explorar os sítios da rede. O problema é que, se você pretende usar sua TV Inteligente para gerenciar seu correio eletrônico refestelado na poltrona da sala ou adicionar comentários a postagens das redes sociais, vai ter que digitar alguma coisa. Até mesmo para visitar o sítio desejado terá que digitar seu URL na barra de endereços do navegador. E digitar usando a combinação de controle remoto e teclado virtual exibido na tela é uma tortura. Se é esta sua intenção, o ideal é uma TV que seja fornecida com mouse e teclado ou que permita a conexão a teclado e mouse sem fio de computador.

Porém, ainda que se equipe a TV Inteligente com estes periféricos, há que lembrar que uma TV Inteligente é uma TV, não um computador. Ou seja: é um dispositivo concebido para fins de entretenimento, não para executar qualquer atividade produtiva. Considere então que toda sua “inteligência” não passa de uma funcionalidade adicional da TV e, mesmo quando equipada com os devidos acessórios, não substituirá um computador (já outra coisa é conectar um pequeno computador ligado à Internet a, por exemplo, uma entrada HDMI de uma TV “burra”, porém de tela plana, ampla e de alta definição; neste caso, com um bom conjunto de teclado e mouse sem fio você terá um sistema capaz de satisfazer suas necessidades de entretenimento e, além disso, acessar a Internet e de lambuja rodar os programas instalados no micro; incidentalmente: esta foi a opção pela qual optei).

Por fim, há que discutir a questão da Internet. Se você já não dispõe de uma conexão de alta taxa de transmissão (banda larga) em sua casa, vai ter que contratar uma só para a TV, o que talvez não seja a melhor das ideias. E se no bairro ou região onde mora não é possível obter uma conexão de alta taxa de transmissão, nem pensar em TV Inteligente. Quem adquire e instala uma destas TVs sem conexão de alta taxa à Internet até poderá alegar que a TV é inteligente, mas ela se comportará de forma tão estúpida quanto qualquer TV convencional. Na verdade, comprar uma TV como estas para assistir programas sobre “celebridades” e congêneres serve apenas para evidenciar que, embora a TV seja inteligente, definitivamente o mesmo não ocorre com seu dono.

E, finalmente, como conectar a TV à Internet. Os modelos mais antigos só permitiam que esta conexão fosse estabelecida via cabo com conector padrão RJ45, aquele tipicamente usado para redes de computadores, para ligar o aparelho de TV a uma saída do “modem” ou roteador que recebe e distribui o sinal da Internet para computadores. Já as mais modernas trazem integrado um dispositivo que permite conexão direta à uma rede doméstica (que, presumivelmente, está conectada à Internet de alta taxa) via WiFi, desde que seu roteador possa funcionar como “ponto de presença” (ou de irradiação de sinal) WiFi, bastando que se configure a televisão adequadamente entrando com a devida senha. E, por último, existem os modelos intermediários, conhecidos por “WiFi Ready”, que para aqueles que, mesmo ligados à área de TI, usam o português como idioma preferencial, significa “prontas para receber o sinal WiFi”. Estes modelos que exigem o uso de um pequeno receptor de sinal WiFi que em geral é conectado a uma porta USB da televisão. Alguns vendedores já fornecem a TV com este adaptador, outras o vendem separadamente e outras ainda recomendam ao freguês que se vire e compre um adaptador no comércio especializado. O que pode ser uma descortesia mas não chega a ser um problema, pois estes adaptadores, normalmente conhecidos como “dongles”, muito parecidos com um “pen-drive” porém um pouco maior, são comuns e custam menos de duzentos reais.

Pronto. Este longo preâmbulo serviu para orientar quem ainda não tem uma TV Inteligente e deseja comprar uma, dando uma ideia muito superficial das opções disponíveis e das principais vantagens e desvantagens de cada uma.

Agora, voltemos ao Gartner.

O primeiro dos relatórios citados, de dezembro de 2012, prevê que a produção mundial de TVs Inteligentes de tela plana crescerá de 69 milhões naquele ano para 198 milhões em 2016. E que quase 85% delas serão TVs Inteligentes. E mais: a oferta será tão grande e variada que os fabricantes terão que se esmerar nos recursos oferecidos para que o comprador tenha uma boa razão para escolher aquele modelo entre os oferecidos pela concorrência. E que, segundo Paul O’Donnovan, principal analista de pesquisas da Gartner, deverão oferecer respostas satisfatórias às perguntas que o comprador fará a si mesmo, como “A que serviços da Internet esta TV dá acesso? Serão aqueles que eu acho que vale a pena? Eu poderei usar meu telefone esperto ou meu tablete com esta TV?

Segundo o relatório, as TVs Inteligentes deverão oferecer uma ampla variedade de conteúdo da Internet através de uma conexão de alta taxa e, além disso, deverão receber as transmissões da TV convencional seja via antena, cabo, satélite ou qualquer outro meio tradicional. Isto porque a TV paga (via cabo ou satélite) continuará distribuindo o conteúdo “premium” que não poderá ser recebido via Internet. Mas o relatório assegura que que não será o conteúdo que fará com que o comprador escolha uma TV Inteligente e não uma TV comum, mas sim sua conexão com os demais dispositivos domésticos via Internet. Que gera a possibilidade de “rodar” alguns dos aplicativos encontrados comumente nos telefones espertos e tabletes usando a TV como dispositivo de saída.

Com isto o mercado televisivo evoluirá para fazer da TV o componente central entre as diversas telas hoje comuns nas residências, oferecendo em sua tela grande de grande porte na sala de estar um conteúdo que até recentemente só estava disponível nas telas menores dos PCs, telefones espertos e tabletes. Ainda segundo O’Donnovan, “A conectividade [da TV Inteligente] com telefones espertos e tabletes tornará possível baixar conteúdo da Internet em um destes dispositivo e exibi-lo na TV. Para os fabricantes de TV que também fabricam tabletes e telefones espertos, a TV Inteligente representará uma grande vantagem mercadológica”.

Uma frase carregada de bom senso.

Mas o que diz o segundo relatório do Gartner?

Bem, este será justamente o assunto da próxima coluna.

Até lá.

B. Piropo

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