Tudo sobre inteligência artificial: 10 fatos que você precisa saber

Significado de IA é relacionado à capacidade de máquinas aprenderem a pensar e a agir como humanos

Por Isabela Cabral, para o TechTudo


Apenas uma década atrás, o termo inteligência artificial (IA) pertencia mais ao universo da ficção científica e parecia no máximo uma ousadia para o futuro distante. Muitas situações mudaram de lá para cá e, atualmente, crescem as aplicações e pesquisas neste campo. Todo mundo já ouviu falar de inteligência artificial, mas você sabe do que se trata essa tecnologia e do que ela é capaz?

O conceito de IA se refere à criação de máquinas – não necessariamente com corpo físico – com a habilidade de pensar e agir como humanos. Softwares que conseguem abstrair, criar, deduzir e aprender ideias. O objetivo geralmente está em facilitar tarefas do dia a dia, avançar pesquisas científicas e modernizar indústrias. Veja, a seguir, dez fatos que o TechTudo reuniu sobre o passado, o presente e o futuro da inteligência artificial.

Android P e Inteligência Artificial são destaques do Google I/O 2018

Inteligência Artificial é um assunto da moda, mas a expressão existe desde 1955 — Foto: Creative Commons/Flickr/Saad Faruque

1. A história da inteligência artificial tem pelo menos 62 anos

Não se sabe ao certo quando se iniciou a história da inteligência artificial, mas ela não é recente. Já na Antiguidade, seres artificiais e homens mecânicos apareciam em mitos gregos e romanos. Filósofos e matemáticos de várias eras exploraram a possibilidade de mecanização do pensamento. No início do século passado, a ideia começa a surgir nas obras de ficção científica, como na peça teatral Rossum's Universal Robots (1920), que introduziu a palavra “robô”, e no celebrado filme Metropolis (1927).

A Segunda Guerra reuniu cientistas de diversas áreas, incluindo neurociência, engenharia, matemática e computação. Alguns discutiam já nas décadas de 1940 e 1950 a criação de um cérebro artificial. Entre eles estava Alan Turing, conhecido como “o pai da informática”. Em 1956, nasceu oficialmente um campo de estudo voltado para a inteligência artificial. A Conferência Dartmouth formalizou o termo, determinou a missão da IA e seus pesquisadores precursores. Marvin Minsky, John McCarthy, Allen Newell e Herbert A. Simon foram alguns dos nomes fundamentais no processo.

2. Ela já está presente na sua vida

Assistentes virtuais como a Siri, a Cortana e o Google Assistant são bons exemplos de inteligência artificial em contato direto com os usuários. Mas os smartphones, computadores e outros gadgets do cotidiano também operam com IA de muitas outras maneiras, a começar pelo Google.

Google Assistente está presente nos celulares com Android 6 ou superior — Foto: Thássius Veloso / TechTudo

O app Fotos reconhece o conteúdo de suas imagens e permite que você faça uma busca digitando o nome de um objeto ou ação. O YouTube pode transcrever áudio e gerar legendas para os vídeos em 10 idiomas. O Gmail oferece respostas automáticas inteligentes para seus e-mails. O Google Tradutor traduz textos de placas, rótulos e cardápios com a câmera do celular. E vem mais por aí: a empresa anunciou que IA é um dos temas centrais das apresentações do Google I/O 2018, conferência anual que traz as novidades da companhia.

O Spotify e a Netflix usam inteligência artificial para entender as preferências dos usuários e recomendar, respectivamente, músicas e filmes. A Amazon faz algo parecido ao oferecer a seus clientes novos produtos a partir de machine learning. O software ajuda a decidir até qual é o melhor momento para fazer as ofertas.

Carros autônomos também já são realidade e devem chegar ao mercado em poucos anos. Empresas como Google, Uber, Samsung e Volkswagen estão desenvolvendo e testando veículos que dirigem sozinhos. No cinema, a inteligência artificial cria multidões de pessoas para cenas de filmes. Na medicina, está ajudando a avançar estudos sobre o câncer.

3. Inteligência artificial não é o mesmo que machine learning

Não é difícil encontrar os dois termos usados como sinônimos, mas a verdade é que machine learning é apenas uma parte da inteligência artificial. O “aprendizado de máquina” é uma aplicação de IA muito utilizada hoje, em que um programa acessa um grande volume de dados e aprende com eles automaticamente, sem intervenção humana. É o que acontece no caso das recomendações da Netflix e do Spotify e no reconhecimento facial em fotos do Facebook, por exemplo.

Netflix no computador — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

Já a inteligência artificial é um conceito mais amplo que, além do machine learning, inclui tecnologias como processamento de linguagem natural, redes neurais, algoritmos de inferência e deep learning. Sempre com a ideia de atingir raciocínio e atuação similares a dos humanos.

4. O aumento na coleta de dados em massa impulsionou a IA

É até clichê dizer que o volume de informações produzidas pelas pessoas vem crescendo exponencialmente com a ascensão da Internet, em especial nos últimos anos, com as redes sociais. Mas é essa a ideia central para entender o Big Data, conjunto massivo de dados que serve de base para o aprendizado dos mais diversos softwares, como o machine learning.

Essa revolução dos dados favoreceu o cenário da inteligência artificial. Com mais informação disponível, os pesquisadores e as empresas ganharam mais motivação para buscar maneiras inteligentes e automatizadas de processar, analisar e usar os dados.

5. Google, IBM, Microsoft, Facebook, Amazon e outras empresas formaram um grupo de pesquisa e defesa da IA

Em 2016, grandes corporações do mundo da tecnologia, incluindo Google, IBM, Microsoft, Facebook e Amazon, se uniram para criar a “Parceria em IA para beneficiar pessoas e a sociedade”. O grupo afirma que quer avançar pesquisas e defender implementações éticas da inteligência artificial.

Segundo o site oficial da iniciativa, são seus objetivos: desenvolver e compartilhar boas práticas, proporcionar uma plataforma aberta e inclusiva para discussão e participação de pesquisadores e outros interessados, aumentar o entendimento público, identificar e apoiar esforços em inteligência artificial.

6. A inteligência artificial vai substituir humanos em muitos empregos

O medo de que as máquinas roubem os empregos dos seres humanos não é novo, e ele tem fundamento. De acordo com a empresa de consultoria e auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC), até 2030 robôs substituirão 38% das vagas de trabalho nos Estados Unidos, 30% no Reino Unido e 21% no Japão. Os setores de transporte, armazenamento, manufatura e varejo serão os mais afetados.

Robô que cozinha — Foto: Reprodução/Youtube

Porém, não pense que trabalhos mais criativos ficarão de fora. Já existem softwares capazes de escrever textos jornalísticos mais básicos, como notícias de partidas esportivas e resumos financeiros. Um serviço chamado Wibbitz cria automaticamente vídeos a partir de artigos escritos. No ano passado, foi lançado um álbum com músicas compostas e produzidas pela Amper, um programa movido por inteligência artificial. Tudo indica que será necessária ao menos uma adaptação nas funções dentro de todo o mercado de trabalho.

7. Especialistas acreditam que a inteligência artificial vai alcançar a capacidade humana em menos de 25 anos

Alguns experts na área creem que a IA está ainda em sua infância e tem um longo caminho pela frente. Outros, entretanto, garantem que faltam apenas alguns anos para a chegada da singularidade tecnológica, momento em que a inteligência artificial vai superar a humana.

Uma pesquisa realizada em 2013 fez a seguinte pergunta para centenas de especialistas em IA: quando o nível de inteligência artificial será 50% da inteligência humana? A resposta média foi 2040. Enquanto isso, outro estudo recente mostrou que 42% de um grupo de cientistas acreditam que a singularidade será atingida antes de 2030.

8. Ela já é melhor que seres humanos em algumas tarefas

Não há previsões de quando a inteligência artificial chegará ao patamar humano, mas já existem robôs que são melhores do que nós em tarefas específicas. Por exemplo, em 2011 o IBM Watson venceu os humanos no Jeopardy!, famoso programa americano de perguntas e respostas. Depois disso, a IA continuou em desenvolvimento e hoje já consegue fazer diagnósticos de câncer com maior precisão que os médicos. Sua taxa de acerto é de 90%, em comparação a 50% no caso dos seres humanos.

Watson, da IBM, é uma Inteligência Artificial que ganhou fama na televisão — Foto: Divulgação/IBM

As máquinas são também mais eficientes em leitura labial. Enquanto a performance humana é em média de 52%, a do software LipNet alcança 93%. O programa foi desenvolvido na Universidade de Oxford e lançado em 2016. Outra atividade em que a IA leva vantagem é a realização de uma busca no Google. O RankBrain compreende as pesquisas mais complicadas e indica quais páginas são os melhores resultados com 10% mais acertos que seus criadores de carne e osso.

9. Grandes nomes da tecnologia estão preocupados com as consequências desse avanço

Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, já falou publicamente várias vezes que acredita que a inteligência artificial pode um dia se tornar uma ameaça para as pessoas e até pôr fim à humanidade. O empresário é entusiasta das mais avançadas tecnologias, mas ressalta a necessidade de regulamentação na área da IA e gostaria que armas autônomas fossem banidas. Armamentos operados por softwares inteligentes já são realidade em alguns governos.

O físico Stephen Hawking, que morreu em março, expressava sua preocupação também com o poder destrutivo de armas independentes e temia a substituição da força de trabalho humana, sem a criação suficiente de novas vagas. Bill Gates, fundador da Microsoft, concorda com Musk e Hawking e disse que não entende como algumas pessoas não estão preocupadas.

10. O basilisco de Roko é uma hipótese terrível sobre a IA

Existe um experimento mental assustador conhecido como Basilisco de Roko. A ideia é que, no futuro, uma poderosa inteligência artificial possa torturar todos que não a ajudaram de alguma forma a ser criada. Apenas o fato de saber sobre o basilisco, como você está fazendo ao ler estas palavras, colocaria alguém em perigo, já que a IA passaria a incluir tal pessoa em suas simulações.

O experimento está fundamentado em teorias complexas, mas que remetem a uma noção de que uma IA não teria limites por tentar tornar o mundo cada vez melhor. Com as ambiguidades da tarefa e sem a moral humana, ela faria de tudo que considerasse necessário, inclusive machucar pessoas. Assim, os que não facilitaram sua existência e desenvolvimento estariam sob ameaça.

O Basilisco de Roko foi proposto em um fórum de discussão do LessWrong, uma plataforma criada pelo pesquisador Eliezer Yudkowsky, que está a frente do Instituto de Pesquisa de Inteligência de Máquina (MIRI). O próprio Yudkowsky já deixou claro que acredita nos riscos da ideia.

Via Forbes, Google, The Huffington Post, Alphr, The Motley Fool, Hackernoon, Think Growth, StopAd, Listverse, Vox, Futurism, Partnership on AI, Quartz, Observer, Business Insider, Dev e Towards Data Science