Por Raquel Freire, para o TechTudo


A App Store chegou aos dez anos. Parece que foi ontem, mas foi precisamente em 10 de julho de 2008 que a Apple lançou sua loja de aplicativos para iOS com apenas 500 apps. Era um número grandioso para a época, mas que não se compara aos mais de 2 milhões de programas disponíveis para download de hoje, quando está presente em 155 países.

Nesta década de existência, a App Store mudou o jeito como as pessoas interagem com o celular, que passou a ser uma ferramenta para consultar o clima, jogar, viajar e conhecer pessoas. E isso, é claro, se reflete na economia. Segundo a consultoria App Annie, a loja do iPhone teve mais de 170 bilhões de downloads julho de 2010 a dezembro de 2017. Ela movimentou mais de US$ 130 bilhões (cerca de R$ 499 bilhões, pela cotação atual).

Conheça 5 curiosidades da App Store nos 10 anos da loja da Apple — Foto: Luciana Maline/TechTudo Conheça 5 curiosidades da App Store nos 10 anos da loja da Apple — Foto: Luciana Maline/TechTudo

Conheça 5 curiosidades da App Store nos 10 anos da loja da Apple — Foto: Luciana Maline/TechTudo

1. Abertura para os desenvolvedores

A grande sacada da Apple foi criar uma loja virtual onde outros desenvolvedores podiam oferecer serviços para os seus clientes. Desde o primeiro dia, a App Store foi aberta a criadores de software de diferentes abordagens, fossem eles independentes ou filiados a grandes empresas.

Essa característica tornou possível a criação de um número enorme de apps, em uma escala inalcançável caso a empresa concentrasse o desenvolvimento em suas próprias mãos. Com esse movimento, o iPhone pôde ser comercializado com o famoso slogan “there's an app for that” ("existe um aplicativo para isso", em tradução livre).

A empresa foi pioneira neste sentido no mundo mobile. A Google Play Store foi lançada três meses depois, em outubro de 2008, com o nome de Android Market. A loja da Microsoft nem sonhava em existir; ela só deu as caras em outubro de 2010, sob a alcunha de Windows Phone Marketplace. Entre os títulos do catálogo de estreia da App Store estavam o jornal New York Times, Tap Tap Revenge e eBay.

App Store foi a pioneira em oferecer um canal com software de outros desenvolvedores a usuários de celular — Foto: Divulgação/Apple App Store foi a pioneira em oferecer um canal com software de outros desenvolvedores a usuários de celular — Foto: Divulgação/Apple

App Store foi a pioneira em oferecer um canal com software de outros desenvolvedores a usuários de celular — Foto: Divulgação/Apple

2. Apps para jogar

Se o Tap Tap Revenge foi um jogo já projetado para iOS, vários títulos existentes em versão desktop ganharam nova roupagem com a chegada da App Store. Foi o que aconteceu com Pac-Man, entre outros, que ajudaram a consolidar o iOS.

Poder jogar em qualquer lugar sempre foi um grande apelo, mas o sucesso dos games na telinha deve-se, em grande parte, à possibilidade de tocar simultaneamente em vários pontos da tela do iPhone e iPad. Além disso, a estabilidade dos dispositivos permitiu uma experiência fluida e sem travamentos durante a reprodução dos games, algo essencial para o bom desempenho dos títulos na loja de apps.

De acordo com o levantamento da App Annie, os games correspondem a 31% do total de download realizados na loja de aplicativos da Apple. Ao mesmo tempo, os jogos são responsáveis por 75% da arrecadação da App Store, o que corresponde a cerca de US$ 31,9 bilhões (cerca de R$ 123 bilhões) gastos pelos usuários no ano passado.

Jogos correspondem a 31% dos downloads e 75% dos gastos na App Store  — Foto: Reprodução/App Annie Jogos correspondem a 31% dos downloads e 75% dos gastos na App Store  — Foto: Reprodução/App Annie

Jogos correspondem a 31% dos downloads e 75% dos gastos na App Store — Foto: Reprodução/App Annie

3. Compras dentro do app

A própria introdução das compras dentro dos aplicativos revolucionou o mercado. Lançada em 2009, a possibilidade de baixar um serviço e testar algumas de suas ferramentas gratuitamente antes de comprá-lo ocasionou um boom nas vendas da App Store.

Os aplicativos de assinatura, como o Netflix, chegaram em 2011. Em 2016, esse tipo de serviço já era englobado por todas as categorias de apps da loja, como jogos, infantil, esportes, etc. Atualmente, mais de 28 mil softwares do iOS oferecem assinaturas, que aumentaram 95% no último ano.

Em junho de 2010, foram pagos US$ 1 bilhão (R$ 3,88 bilhão) para os desenvolvedores, englobando downloads pagos e compras internas. No mesmo período de 2018, a quantia passou para US$ 100 bilhões (R$ 388 bilhões) – isso mesmo, uma receita cem vezes maior em oito anos.

Compras dentro de apps, assinaturas e serviços pagos geram receita de US$ 100 bilhões atualmente — Foto: Divulgação/Apple Compras dentro de apps, assinaturas e serviços pagos geram receita de US$ 100 bilhões atualmente — Foto: Divulgação/Apple

Compras dentro de apps, assinaturas e serviços pagos geram receita de US$ 100 bilhões atualmente — Foto: Divulgação/Apple

4. Entretenimento, saúde e acessibilidade

A evolução de diversas tecnologias na última década possibilitou uma mudança completa na maneira como nos relacionamos com os celulares. Foi graças a conexões mais rápidas, maior capacidade de processamento e melhoria das telas que o smartphone se tornou um verdadeiro centro de entretenimento, permitindo executar vídeos pesados em qualquer lugar.

A App Store foi testemunha e agente desse fenômeno, sendo palco do lançamento de aplicativos de streaming de músicas e vídeos, jogos de realidade aumentada e várias outras formas de diversão. Prova disso é o YouTube, terceiro app mais baixado da história da loja, atrás apenas do Facebook e Facebook Messenger.

Netflix, Spotify e Pandora Radio ocupam as três primeiras posições entre as aplicações iOS com maior gasto dos usuários, o que revela o papel central do entretenimento para os usuários do iPhone e iPad.

Serviços de streaming de vídeos e músicas, como youTube, são muito populares na App Store — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo Serviços de streaming de vídeos e músicas, como youTube, são muito populares na App Store — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Serviços de streaming de vídeos e músicas, como youTube, são muito populares na App Store — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Mas não é apenas para a diversão que os usuários recorrem à App Store. A loja também viu crescer a popularidade dos apps fitness e de saúde, especialmente após o lançamento do relógio inteligente Apple Watch, em 2015. De lá para cá, os downloads desse tipo de aplicativo aumentaram 75%.

Outra categoria em ascensão é a de serviços de acessibilidade. O catálogo presente reúne programas destinados aos mais diferentes tipos de deficiência, sejam elas físicas ou cognitivas. Além disso, aplicativos de uso comum, como Twitter e TED, incorporaram os recursos de acessibilidade do iOS, tais como o VoiceOver, aumentando a capacidade de inclusão dessas plataformas.

5. Apps para iPad

O surgimento do iPad, em 2010, abriu um leque de novas possibilidades aos apps. Com a tela maior, o tablet passou a atrair ilustradores, arquitetos e outros profissionais que podiam fazer criações digitais em um display com proporções maiores, e, ao mesmo tempo, leve e portátil.

Atualmente, o dispositivo conta com mais de 1,3 milhão de aplicativos especialmemte projetados para ele na App Store. Nessa lista estão incluídos serviços como Lightroom, Procreate e até o Microsoft Office 365.

Lançamento do iPad incentivou criação de apps específicos para dispositivo de tela grande — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Lançamento do iPad incentivou criação de apps específicos para dispositivo de tela grande — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Lançamento do iPad incentivou criação de apps específicos para dispositivo de tela grande — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Os jovens e o futuro

Um dos aspectos mais interessantes da mudança que a App Store proporcionou é o interesse dos jovens pela programação. Com ferramentas que facilitam a criação de apps para o iOS, a Apple viu, ao longo dos anos, o número de desenvolvedores crescer bastante.

Esse aumento também foi fruto de investimento da empresa, que desde 2013 concede bolsas para criadores de software. Em 2016, a companhia fundou o Everyone Can Code, projeto que estimula o aprendizado de programação entre jovens.

As previsões feitas pela App Annie corroboram que a empreitada da Apple não será em vão. Para 2022, a loja de aplicativos deve angariar US$ 75,7 bilhões, o que corresponde 80% a mais do que em 2017.

Prognóstico da receita gerada pela App Store em 2022 — Foto: Reprodução/App Annie Prognóstico da receita gerada pela App Store em 2022 — Foto: Reprodução/App Annie

Prognóstico da receita gerada pela App Store em 2022 — Foto: Reprodução/App Annie

Mas nem tudo são flores. Em 2017, a App Store viu pela primeira vez a queda do número de aplicativos. O estudo, feito pela companhia de análise de dados Appfigures, apontou para uma queda de 5% no total de apps naquele ano.

Com informações: Apple, App Annie e Lifewire

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