Por Igor Nishikiori, para o TechTudo


A Xiaomi é uma empresa chinesa criada em 2010 que rapidamente se tornou uma das gigantes da tecnologia. Em 2018, a companhia foi a quarta maior em vendas de celulares no mundo, atrás apenas de Samsung, Apple e Huawei. Além disso, é uma das maiores startups de tecnologia do planeta e chegou a ocupar o topo do ranking em 2014.

Mesmo com poucos anos de mercado, a Xiaomi possui diversas histórias curiosas. Você sabia, por exemplo, que o logo da empresa tem um significado secreto, seus produtos possuem um limite de 5% de lucro e que seu fundador é considerado o Steve Jobs da China? A seguir, o TechTudo separou dez curiosidades sobre a companhia chinesa que é queridinha no Brasil.

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Xiaomi: empresa famosa pelos celulares baratos esconde várias curiosidades — Foto: Divulgação/Xiaomi Xiaomi: empresa famosa pelos celulares baratos esconde várias curiosidades — Foto: Divulgação/Xiaomi

Xiaomi: empresa famosa pelos celulares baratos esconde várias curiosidades — Foto: Divulgação/Xiaomi

1. Nome repleto de significados

Em tradução literal, a palavra “xiaomi” significa "milhete" em mandarim, um tipo de cereal muito consumido na China. Há quem diga que essa é uma referência à Apple, outra marca de eletrônicos que tem um alimento no nome. Mas não é só isso: outra interpretação diz que "Xiao" significa "pequeno" e "Mi", "arroz". Assim, o nome da empresa faria menção a um ditado budista que diz que “um pequeno grão de arroz é tão grandioso quanto uma montanha” e que, por isso, uma das filosofias da empresa seria trabalhar aos poucos e em pequenas coisas.

Por outro lado, a própria Xiaomi afirma que a sílaba "Mi" pode significar tanto "Mobile Internet" ("Internet móvel", em inglês) quanto "Missão Impossível", se referindo aos obstáculos que a empresa já passou. Assim como o nome possui várias interpretações, a pronúncia também é alvo de certa controvérsia. Dependendo da região da China, Xiaomi pode ser dito de diversas formas. Por isso, o ex-CEO da empresa, o brasileiro Hugo Barra, costumava dizer em entrevistas que a pronúncia mais correta para não-chineses é "Xiáo Mi".

Logo da Xiaomi — Foto: Montagem/TechTudo Logo da Xiaomi — Foto: Montagem/TechTudo

Logo da Xiaomi — Foto: Montagem/TechTudo

2. Imagem secreta e mascote

O famoso logo laranja da Xiaomi possui um segredo escondido. Se virarmos a imagem de ponta-cabeça, o MI se assemelha ao ideograma 心, que significa coração em chinês. Além disso, outra imagem conhecida da companhia é seu mascote, o coelho Mitu. Usando uma ushanka (chapéu típico da Rússia) e um lenço vermelho no pescoço, o bichinho já apareceu em alguns desenhos animados promocionais da fabricante e até virou inspiração para uma caixa de som Bluetooth para crianças.

Caixa de som Bluetooth da mascote da Xiaomi, o coelho Mitu — Foto: Divulgação/Xiaomi Caixa de som Bluetooth da mascote da Xiaomi, o coelho Mitu — Foto: Divulgação/Xiaomi

Caixa de som Bluetooth da mascote da Xiaomi, o coelho Mitu — Foto: Divulgação/Xiaomi

3. Seu fundador é o "Steve Jobs da China"

O CEO da Xiaomi, o chinês Lei Jun, nunca negou sua admiração pela Apple — e não por acaso é chamado de Steve Jobs da China. Em 1987, quando ainda era um estudante de Ciência da Computação, ele leu o livro "Fire in the Valley", que conta a história dos primeiros computadores pessoais, com foco no surgimento da Microsoft e da Apple. Em 1999, o livro deu origem ao filme Piratas do Vale do Silício.

Lei Jun, presidente da Xiaomi — Foto: Divulgação/Xiaomi Lei Jun, presidente da Xiaomi — Foto: Divulgação/Xiaomi

Lei Jun, presidente da Xiaomi — Foto: Divulgação/Xiaomi

De acordo com Lei Jun, a história da Apple foi a inspiração para que ele virasse empreendedor. A admiração é tanta que o CEO da Xiaomi já apresentou diversos keynotes trajando o tradicional “uniforme” de Steve Jobs, com uma camisa preta e calça jeans azul. Em 2014, a empresa chegou a convidar Steve Wozniak, co-fundador da Apple, para conhecer sua sede em Pequim. Como bom visitante, Wozniak elogiou os produtos da companhia e previu: ”A Xiaomi é boa o bastante para implodir o mercado norte-americano de smartphones”.

4. Livro dos Recordes

Mesmo sendo relativamente nova, a Xiaomi já possui alguns recordes no Guinness Book. Em 2015, a empresa vendeu 2,11 milhões de smartphones em uma promoção de aniversário que durou 24 horas. Já em outubro de 2018, bateu outro recorde após inaugurar 500 lojas em único dia na Índia e, em dezembro de 2018, montou o maior painel feito de telas de celular do mundo, usando 1.008 unidades do Mi Play para criar uma árvore de Natal de 8 metros de altura.

Xiaomi bate recorde de mais lojas inauguradas em um único dia — Foto: Divulgação/Guinness Book Xiaomi bate recorde de mais lojas inauguradas em um único dia — Foto: Divulgação/Guinness Book

Xiaomi bate recorde de mais lojas inauguradas em um único dia — Foto: Divulgação/Guinness Book

5. Troca de domínio milionária

Em 2014, a Xiaomi chegou a desembolsar US$ 3,6 milhões (mais de R$ 13 milhões, de acordo com a cotação atual) pela URL mi.com. A mudança de endereço na Internet teve um motivo mercadológico: para a empresa, usar a sílaba Mi é uma maneira fácil de ser reconhecida em qualquer país e idioma do planeta.

Anúncio da mudança pela Xiaomi: "Nome curto, mundo amplo" — Foto: Divulgação/Xiaomi Anúncio da mudança pela Xiaomi: "Nome curto, mundo amplo" — Foto: Divulgação/Xiaomi

Anúncio da mudança pela Xiaomi: "Nome curto, mundo amplo" — Foto: Divulgação/Xiaomi

6. Ascensão e sumiço no Brasil

Com a estratégia de focar em mercados emergentes, a Xiaomi chegou ao Brasil em junho de 2015, com um grande evento em São Paulo. Inicialmente, a oferta de produtos se restringia ao smartphone Xiaomi RedMi 2, à pulseira fitness Mi Band e ao carregador portátil Mi Power Bank. Um destaque eram os preços competitivos para o mercado brasileiro.

Xiaomi chegou ao Brasil em 2015 — Foto: Reprodução/Xiaomi Xiaomi chegou ao Brasil em 2015 — Foto: Reprodução/Xiaomi

Xiaomi chegou ao Brasil em 2015 — Foto: Reprodução/Xiaomi

No entanto, no final de 2016, sem muito alarde, a Xiaomi decidiu deixar o país. O site mi.com.br parou de funcionar e as redes sociais deixaram de ser atualizadas. Na época, o TechTudo conversou com o então vice-presidente Hugo Barra, que afirmou se tratar de um reposicionamento estratégico da empresa e que os produtos seriam vendidos em lojas nacionais parceiras.

A verdade é que 2016 foi um ano difícil para a Xiaomi. O número de celulares vendidos no mundo todo passou de 70 milhões para apenas 41 milhões. Isso fez com a que a companhia fechasse escritórios não apenas no Brasil, mas também na Indonésia e em outros mercados. Esse passo foi importante para que a marca passasse a focar em outros produtos, como os voltados para a Internet das Coisas (IoT).

7. Lucro é limitado a 5%

A Xiaomi leva a sério a ideia de oferecer produtos premium por preços baixos. Em abril de 2018, o presidente Lei Jun anunciou que todos hardwares da marca teriam um lucro líquido máximo de 5%. A medida passou a valer para todas as linhas, desde smartphones até produtos para o dia a dia.

Apesar do gesto de transparência, analistas afirmam que, na verdade, poucas empresas de tecnologia conseguem lucros maiores do que 5% em seus smartphones — Apple e Samsung são algumas exceções. Por isso, muitos acreditam que a medida não faz tanta diferença, e que a aposta da Xiaomi para aumentar sua renda está mais em serviços via Internet, como streaming de vídeo e anúncios em redes sociais.

8. Marketing boca a boca

Diferente de outras empresas, a Xiaomi não investe milhões em propagandas nem aparece em filmes famosos. O segredo para o sucesso é o marketing boca a boca. A marca investiu em sua base de fãs, que postam reviews em sites, redes sociais e no YouTube, e, por isso, gastou muito pouco em anúncios para virar uma gigante dos eletrônicos.

Além disso, a companhia possui outras estratégias de baixo custo, como promoções relâmpago periódicas. Outras estratégias incluem criar escassez de produtos, para gerar algum buzz na Internet, e premiar clientes fiéis com descontos e outros benefícios.

9. Parceria com startups

Desde 2013, a Xiaomi tem financiado startups chinesas para criar outros produtos usando o nome e a estrutura da marca. Um dos primeiros sucessos dessa estratégia foi o Mi Band, criado em parceria com a Huami em 2014. Depois disso, mais companhias passaram a se associar à ela, como a fabricante de fones de ouvido 1MORE e a empresa de hoverboards Ninebot. Hoje, cerca de 100 startups fazem parte do "Ecossistema da Xiaomi". Segundo o site Tech in Asia, além de investir financeiramente nas empresas, a Xiaomi também ajuda na distribuição e no controle de qualidade dos produtos.

Xiaomi investe em novas tendências, como patinetes elétricos — Foto: Reprodução/ Gearbest Xiaomi investe em novas tendências, como patinetes elétricos — Foto: Reprodução/ Gearbest

Xiaomi investe em novas tendências, como patinetes elétricos — Foto: Reprodução/ Gearbest

10. Produtos curiosos

Como citamos acima, a Xiaomi ampliou bastante seu leque de opções graças ao investimento em startups. Por isso, além de smartphones e eletrônicos, está se tornando cada vez mais comum encontrar nas lojas online produtos "diferentões" com a marca. Um exemplo é a Mi Electric Toothbrush, escova de dente elétrica e smart que pode ser pareada com o celular. O produto faz a análise e o monitoramento de cada escovação, além de permitir programar o tempo e a intensidade da limpeza por meio do celular. A escova custa cerca de R$ 150.

Mi Electric Toothbrush, escova de dente elétrica que monitora dados da escovação  — Foto: Divulgação/Xiaomi Mi Electric Toothbrush, escova de dente elétrica que monitora dados da escovação  — Foto: Divulgação/Xiaomi

Mi Electric Toothbrush, escova de dente elétrica que monitora dados da escovação — Foto: Divulgação/Xiaomi

Outro produto inusitado é o ukulele inteligente Mi Populele. também pode ser pareado com um smartphone e ainda auxilia pessoas que queiram aprender a tocar o instrumento. Seu braço possui lâmpadas de LED que brilham de acordo com os acordes mostrados no celular, então, é só seguir as instruções para tocar a música de sua escolha. O Populele pode ser importado por cerca de R$ 358.

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