Por Filipe Garrett, para o TechTudo


O PlayStation 4 coleciona alguns dos jogos mais elogiados pela crítica e pelos consumidores de todos os tempos: Uncharted 4, Persona 5 e Red Dead Redemption 2 são apenas alguns exemplos desses grandes sucessos. Mas a trajetória do console da Sony também conheceu sua dose de fracassos, como são é caso do exclusivo The Order: 1886, ou do lançamento acidentado de Driveclub. O próprio God of War, escolhido como o Jogo do Ano em 2018, conheceu sua parcela de controvérsias, sobretudo com os fãs mais dedicados da série. Relembre a seguir alguns dos jogos mais polêmicos do PS4.

The Order: 1886

The Order: 1886 apareceu com gráficos de alta qualidade, mas campanha curtinha e gameplay foram criticados — Foto: Divulgação/Sony The Order: 1886 apareceu com gráficos de alta qualidade, mas campanha curtinha e gameplay foram criticados — Foto: Divulgação/Sony

The Order: 1886 apareceu com gráficos de alta qualidade, mas campanha curtinha e gameplay foram criticados — Foto: Divulgação/Sony

Revelado como um dos exclusivos de lançamento do PlayStation 4, The Order foi cercado de expectativas por conta dos gráficos super realistas e da promessa de jogo de tiro em terceira pessoa ambientado numa releitura steampunk da Inglaterra vitoriana.

Embora não tenha frustrado essas expectativas, o jogo acabou decepcionando os jogadores por um modo campanha previsível e bem linear e que além disso tinha sessões recheadas dos “quick time events”, algo que tornava porções de The Order em grandes cutscenes jogáveis.

Outras críticas focaram na história curta demais – é possível terminar tudo em pouco mais de cinco horas – e até mesmo a decisão dos desenvolvedores em produzir o game em aspecto 21:9. Na visão da Ready at Dawn, responsável pelo game, essa decisão dá ao game uma pegada mais próxima do cinema.

Metal Gear Survive

Metal Gear Survive deixou de lado a ação furtiva e o criador Hideo Kojima para focar em ação e zumbis — Foto: Reprodução/Gematsu Metal Gear Survive deixou de lado a ação furtiva e o criador Hideo Kojima para focar em ação e zumbis — Foto: Reprodução/Gematsu

Metal Gear Survive deixou de lado a ação furtiva e o criador Hideo Kojima para focar em ação e zumbis — Foto: Reprodução/Gematsu

Primeiro Metal Gear desenvolvido depois da saída de Hideo Kojima da Konami, Survive foi recebido com má vontade quase que universal. A série Metal Gear é conhecida pelos jogos de ação furtiva e pela criatividade de Hideo Kojima, que à serviço da Konami dedicou boa parte da sua carreira no desenvolvimento dos jogos da série. Diante de toda essa história, e do processo de afastamento de Kojima da Konami, era natural que os fãs recebessem mal e com desconfiança qualquer novo Metal Gear sem a participação de Hideo Kojima.

Mas Metal Gear Survive tornou as coisas ainda mais difíceis porque não apenas representa uma ruptura com o trabalho de Kojima como ainda passa bem longe das mecânicas de ação e furtividade que marcam os principais jogos da série. Survive é um jogo de ação e tiro, em que jogadores precisam sobreviver a hordas e hordas de zumbis.

Watch Dogs

Watch Dogs apareceu com gráficos bem inferiores aos dos trailers — Foto: Reprodução / TechTudo Watch Dogs apareceu com gráficos bem inferiores aos dos trailers — Foto: Reprodução / TechTudo

Watch Dogs apareceu com gráficos bem inferiores aos dos trailers — Foto: Reprodução / TechTudo

Um dos jogos mais aguardados no lançamento do PS4, o mundo aberto da Ubisoft tinha despontado com enorme sucesso por conta de um trailer mostrado na E3 de 2012: gráficos que pareciam perfeitos e cheios de efeitos impossíveis no PS3 davam o tom de um jogo que teria tudo para ser um grande sucesso quando chegasse ao consumidor, em maio de 2014.

Mas a boa vontade da comunidade e as expectativas foram logo por água abaixo quando o jogo lançado tinha muito pouco a ver com os trailers: os gráficos de Watch Dogs sofreram um perceptível downgrade em relação ao que tinha sido mostrado na E3.

Driveclub

Driveclub teve lançamento tumultuado por sistemas online que não funcionavam — Foto: Reprodução/Rafael Monteiro Driveclub teve lançamento tumultuado por sistemas online que não funcionavam — Foto: Reprodução/Rafael Monteiro

Driveclub teve lançamento tumultuado por sistemas online que não funcionavam — Foto: Reprodução/Rafael Monteiro

Outro exclusivo de lançamento, Driveclub tinha a premissa de dar aos gamers do PS4 uma alternativa arcade ao Gran Turismo, mais ou menos nas linhas do que a série Forza Horizon oferece aos jogadores do Xbox. Driveclub também vinha carregado de expectativas por conta do aspecto social do jogo, que encorajava a formação de clubes e um ambiente de competição entre jogadores reais.

Entretanto, o lançamento sofreu vários atrasos e foi catastrófico em virtude de uma série de problemas de conectividade na janela de lançamento, que efetivamente tornava o aspecto online do jogo inviável. Outro problemas estavam relacionados com a inteligência artificial dos modos offline.

Eventualmente, os problemas foram sanados a partir de uma série de atualizações, mas entre as baixas está a Evolution Studios: a Sony decidiu fechar as portas da desenvolvedora responsável pelo jogo.

The Last Guardian

Desenvolvimento de quase 10 anos impôs limitações à The Last Guardian — Foto: Reprodução;Victor Teixeira Desenvolvimento de quase 10 anos impôs limitações à The Last Guardian — Foto: Reprodução;Victor Teixeira

Desenvolvimento de quase 10 anos impôs limitações à The Last Guardian — Foto: Reprodução;Victor Teixeira

Ao contrário de muitos jogos dessa lista, The Last Guardian não é cercado de polêmicas em virtude do gameplay, de qualidade duvidosa ou por problemas de lançamento. Ele é um jogo controverso principalmente por conta do longo período de desenvolvimento: anunciado ainda em 2007, o título que seria um exclusivo do PS3 só apareceu mesmo em 2016.

Além disso, a saída de Fumito Ueda, mente criativa por trás dos sucessos da Team ICO, criadora de The Last Guardian ainda em 2011 impôs uma série de dúvidas a respeito do quanto o jogo lançado respeita a visão original do designer. O longo período de desenvolvimento acabou deixando algumas marcas no produto final: o que seria revolucionário em 2007 pareceu apenas bom em 2016.

God of War

Mesmo com as desconfianças dos fãs de longa data, God of War conseguiu superar as polêmicas — Foto: Divulgação/Playstation Mesmo com as desconfianças dos fãs de longa data, God of War conseguiu superar as polêmicas — Foto: Divulgação/Playstation

Mesmo com as desconfianças dos fãs de longa data, God of War conseguiu superar as polêmicas — Foto: Divulgação/Playstation

Escolhido como o Jogo do Ano em 2018, God of War passa longe do fracasso e das polêmicas em torno de lançamentos acidentados da lista. Entretanto, o jogo teve uma fase de pré-lançamento controversa por conta das várias mudanças que o título de 2018 apresenta diante dos outros jogos da série, que apresentavam a mitologia grega e foram lançados para PS2, PSP e PS3.

Fãs de longa data dos jogos foram surpreendidos pela mudança de tom, a criação de um Kratos mais humanizado em virtude da paternidade, além da própria mudança de ares: saíram de cena os deuses do Olimpo e entraram as divindades da cultura nórdica.

Star Wars Battlefront 2

Insistência nas "loot boxes" arranhou a reputação da EA e lançou debate a respeito da legalidade da prática — Foto: Reprodução/Felipe Vinha Insistência nas "loot boxes" arranhou a reputação da EA e lançou debate a respeito da legalidade da prática — Foto: Reprodução/Felipe Vinha

Insistência nas "loot boxes" arranhou a reputação da EA e lançou debate a respeito da legalidade da prática — Foto: Reprodução/Felipe Vinha

A sequência de Star Wars Battlefront tinha tudo para agradar: ao contrário do primeiro jogo, a sequência viria com uma campanha singleplayer tradicional, tudo com a promessa de que o universo de Star Wars teria o mesmo trato de qualidade do primeiro jogo da franquia reiniciada pela EA em 2014.

Mas Battlefront 2 se embrenhou numa longa polêmica em torno das microtransações. Em seu estado original, o jogo era profundamente orientado a fazer com que os jogadores gastassem dinheiro de verdade para desbloquear itens e personagens cobiçados da série de filmes. As críticas foram tão duras que a EA se obrigou a rever toda a política e diversos países começaram a discutir a possibilidade de regulamentar o uso das chamadas loot-boxes em videogames.

Agony

Agony apresenta gráficos abaixo da média — Foto: Reprodução/Tais Carvalho Agony apresenta gráficos abaixo da média — Foto: Reprodução/Tais Carvalho

Agony apresenta gráficos abaixo da média — Foto: Reprodução/Tais Carvalho

Projeto financiado via Kickstarter, Agony prometia contar a jornada de uma alma atormentada pelas profundezas do inferno. O jogo teria uma pegada mais madura e teria imagens de violência e sexo.

Embora, em alguma medida, esses elementos façam parte da versão final do jogo, muitos dos jogadores que ajudaram a financiar o projeto reclamaram que o conteúdo foi amenizado para que o jogo pudesse receber selos indicativos mais amigáveis. Outras críticas ainda identificaram uma série de problemas de gameplay, gráficos de má qualidade e elenco de atuação de baixa qualidade nos diálogos.

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