Por Raquel Freire, para o TechTudo


Quem nasceu nos anos 2000 pode nem se lembrar dos disquetes, mas eles já foram onipresentes nos computadores de todo o mundo. O auge aconteceu nos anos 90, com mais de 5 bilhões de unidades vendidas por ano. Mas esse tipo de armazenamento esteve presente desde os anos 70 até o início do século XXI, quando começaram a ser substituídos pelos CDs e pendrives.

O disquete revolucionou a transferência de dados, aumentando a capacidade das mídias portáteis, já que, até sua invenção, o principal sistema era o cartão perfurado, que guardava, no máximo, 80 caracteres. Sua popularidade foi tão grande que até hoje é usado como ícone para representar a ação de "salvar" na maioria dos programas. Confira a seguir dez curiosidades sobre o disquete de 3 ½ e suas versões um pouco menos conhecidas.

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Conheça dez fatos curiosos sobre os disquetes, o "pen drive" dos anos 80 e 90 — Foto: Filipe Garrett/TechTudo Conheça dez fatos curiosos sobre os disquetes, o "pen drive" dos anos 80 e 90 — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

Conheça dez fatos curiosos sobre os disquetes, o "pen drive" dos anos 80 e 90 — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

1. Baixa capacidade de armazenamento

O disquete mais comum era o de 3,5 polegadas (3 ½), que conseguia armazenar 1,44 MB. Hoje, uma simples foto tirada do celular ultrapassa esse tamanho, mas nos anos 80, 90 e início dos 2000 essa capacidade era suficiente para transportar diversos arquivos de um computador para o outro. Para se ter uma ideia da discrepância para os dias atuais, um pen drive baratinho de 16 GB equivale a nada menos que 11.378 disquetes.

2. Instalação de programas usava vários disquetes

Mesmo que os arquivos do dia a dia coubessem tranquilamente no disquete, o mesmo não se podia dizer dos arquivos de instalação de programas. O resultado era a necessidade de usar vários disquetes para instalar um software no computador, o que nem sempre terminava bem. Se alguma das mídias estivesse corrompida, era necessário reiniciar todo o processo de instalação, mas não sem antes identificar e substituir o disco defeituoso.

Por volta dos anos 90, esse método levava geralmente de três a cinco disquetes. Com o aumento do tamanho dos programas, porém, a rotina seria simplesmente inviável atualmente. A última versão do Photoshop CC (20.0), lançada em outubro de 2018, possui 3,1 GB: ou seja, seriam necessários mais de 2.200 disquetes para instalar o editor de imagens no Windows em 2019.

Seriam necessários mais de 2 mil disquetes para instalar último Photoshop no PC  — Foto: Divulgação/Adobe Seriam necessários mais de 2 mil disquetes para instalar último Photoshop no PC  — Foto: Divulgação/Adobe

Seriam necessários mais de 2 mil disquetes para instalar último Photoshop no PC — Foto: Divulgação/Adobe

3. Vários tamanhos e capacidades

Nem todo disquete tinha 3,5 polegadas e comportava 1,44 MB. Também foram construídos os formatos de 8 e ​5,25 (5 ¼) polegadas, antecessores da mídia de 3 ½. O disquete de 8 polegadas foi o primeiro a ser criado, tendo capacidade de 80 KB em sua versão original. Posteriormente, ele viu seu armazenamento ser aumentado para 1,2 MB.

O formato de 5 ¼ sucedeu o disquete de 8 polegadas, mas não apresentou melhorias em termos de capacidade, indo de 110 KB a 1,2 MB. Ele era vantajoso por ser mais compacto e de menor custo de fabricação, o que o permitiu ser empregado em larga escala nos computadores pessoais à época.

Da mesma forma, o formato de 3,5 polegadas passou por algumas mudanças ao longo do tempo. Iniciativas como o SuperDisk, que chegou a ter 240 MB, e o Zip Drive, que alcançou 750 MB, foram algumas neste sentido, embora esses dispositivos nunca tenham tido a popularidade do disquete de 1,44 MB.

4. Começaram a ser vendidos na década de 70

O disquete foi concebido pela IBM. Em 1967, a empresa reuniu uma equipe de engenheiros, liderada por David L. Noble, para criar um sistema confiável e barato para transportar instruções e instalar atualizações de software em computadores mainframe.

Os primeiros exemplares, com 8 polegadas, foram comercializados em 1971, como parte de produtos da companhia. Os disquetes passaram a ser vendidos separadamente a partir de 1972, tornando-se sucesso imediato.

A boa performance comercial se deu principalmente pela sua enorme capacidade de armazenamento em relação aos cartões perfurados, mídia usada na época. Um disquete de 80 KB, embora pareça irrisório atualmente, equivalia a nada menos que 3 mil cartões.

Disquetes nos formatos de 8, 5 ¼ e 3 ½ polegadas  — Foto: Divulgação/IBM Disquetes nos formatos de 8, 5 ¼ e 3 ½ polegadas  — Foto: Divulgação/IBM

Disquetes nos formatos de 8, 5 ¼ e 3 ½ polegadas — Foto: Divulgação/IBM

5. Primeiros a transmitir vírus de computador

O primeiro vírus de computador foi transmitido por disquete. Chamado Elk Cloner, o programa foi escrito em 1982 pelo então adolescente Rich Skrenta, de 15 anos. O jovem deixou o código malicioso, de 400 linhas, em uma máquina Apple II do colégio onde estudava. Qualquer um que inserisse um disco sem fazer uma reinicialização limpa era infectado.

O malware, descrito pelo autor como "uma pequena brincadeira idiota", rodava em PCs com o sistema operacional Apple DOS 3.3. Quando o disquete infectado era aberto nesse ambiente, o computador exibia a seguinte mensagem (traduzida do inglês em versão livre):

Elk Cloner: O programa com personalidade
Ele vai ficar em todos os seus discos
Ele vai se infiltrar em seus chips
Sim, é o Cloner!
Ele vai grudar em você como cola
Ele vai modificar a RAM também
Envie o Cloner!

6. Câmeras digitais também usaram disquete

Cartão de memória? Que nada. Câmeras digitais dos anos 90 usaram disquetes como forma de armazenamento móvel. A primeira a apresentar a novidade foi a Sony Mavica FD5, apresentada em 1997 juntamente com a Mavica FD7, que além do compartimento para disco ainda tinha zoom de 10x. A fabricante continuou a fazer máquinas com entrada para disquete até 2002, quando saiu a Sony FD Mavica MVC-FD200.

Nesse meio tempo, a gigante japonesa não foi a única a adotar a tecnologia. Uma das principais concorrentes da Mavica foi lançada pela Panasonic: a SD4090, que chegou ao mercado em 1999. Ela funcionava com o SuperDisk, na época com a capacidade original de 120 MB, embora também fosse compatível com o disco de 1,44 MB.

Sony Mavica FD7, câmera digitalc om entrada para disquete de 3,5 polegadas  — Foto: Divulgação/Sony Sony Mavica FD7, câmera digitalc om entrada para disquete de 3,5 polegadas  — Foto: Divulgação/Sony

Sony Mavica FD7, câmera digitalc om entrada para disquete de 3,5 polegadas — Foto: Divulgação/Sony

7. Trava física para bloquear gravação

Era comum ficar tentando salvar um arquivo no disquete e dar erro. Só então a pessoa percebia que a trava contra gravação, localizada na parte inferior da mídia, estava na posição ativada. A correção era bem simples: bastava ejetar o disco, deslizar a trava e inseri-lo novamente no computador. A trava era um mecanismo para proteger a mídia de ser infectada com vírus, garantindo que o disquete não ficasse com nenhum malware mesmo sendo inserido em um PC contaminado.

8. Gravação com fita magnética

O disquete armazenava dados usando magnetismo. No seu interior havia um disco de plástico fino e flexível, revestido em ambos os lados com óxido de ferro, material ferromagnético. Ao entrar no drive e ser submetido a um campo magnético, ele é magnetizado permanentemente, guardando os dados até que seja apagado ou utilizado para uma nova gravação.

O processo é similar ao da gravação de uma fita cassete, mas o formato de disco permite que o processo de leitura e escrita seja organizado por faixas. Assim, o software pode pular da faixa "1" para a "20" sem precisar percorrer os arquivos salvos nesse intervalo.

Drives de disquetes de 8, 5,25 e 3,5 polegadas — Foto: Divulgação/IBM Drives de disquetes de 8, 5,25 e 3,5 polegadas — Foto: Divulgação/IBM

Drives de disquetes de 8, 5,25 e 3,5 polegadas — Foto: Divulgação/IBM

9. Vida útil curta

A vida útil do disquete era, em média, de cinco anos. O tempo exato é difícil saber, já que essa mídia sofre bastante com as condições externas, como frio ou calor, podendo ter sua durabilidade aumentada ou reduzida. Além disso, o tempo invariavelmente causaria perda do magnetismo, afetando o funcionamento do disco. Para efeito comparativo, CDs e DVDs têm uma vida útil de até 25 anos sem gravação, conseguindo manter os dados por até 100 anos.

Kit de limpeza do drive de disquete  — Foto: Divulgação/Aidata Kit de limpeza do drive de disquete  — Foto: Divulgação/Aidata

Kit de limpeza do drive de disquete — Foto: Divulgação/Aidata

10. Tinha kit de limpeza do driver de disquete

Outro problema dos disquetes é que, com o uso, eles começavam a soltar fragmentos do disco magnético no drive. Isso podia fazer com que o leitor não conseguisse ler ou gravar os dados em outros discos, o que era solucionado com um disquete especial de limpeza. Esse disquete era normalmente vendido em um kit acompanhando um líquido não corrosivo. O usuário pingava algumas gotas nos cantos do disquete de limpeza, inseria-o no drive sujo e operava-o por cerca de 30 segundos.

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