Redes sociais

Por Paulo Alves, para o TechTudo


O Telegram é um aplicativo que começou a ganhar popularidade em 2014, logo depois do anúncio da venda do WhatsApp para o Facebook – na época, o mensageiro registrou um pico até então inédito de cinco milhões de novos downloads. Mais tarde, passou a ser sempre lembrado por brasileiros nos episódios de bloqueio judicial do WhatsApp e por trazer funções de privacidade, como o chat secreto.

O app também já se envolveu em polêmicas, que vão desde atritos com o governo russo e com o FBI, até o vazamento de conversas entre o Ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador do Ministério Público Federal Deltan Dallagnol, reveladas pelo site The Intercept Brasil. Nesta quarta-feira (12), o aplicativo revelou ter sido alvo de um ataque DDoS – e usou uma analogia sobre fast food para explicar o problema. Veja, a seguir, sete fatos curiosos e polêmicos sobre o Telegram.

Telegram: quatro funções curiosas

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1. Ataque DDoS explicado de forma inusitada

O Telegram usou o Twitter para contar, nesta quarta-feira (12), que estava lidando com um ataque DDoS. Esse tipo de problema é relativamente comum em grandes serviços de Internet, e ocorre quando há um excesso proposital de requisições a servidores na tentativa de derrubar um serviço online. O que chamou atenção dessa vez foi a explicação criativa dada pelo aplicativo, que usou uma lanchonete fast food lotada como exemplo.

“Imagine que um exército de lemmings [personagens de um jogo clássico para Commodore Amiga] passou na sua frente na fila do McDonald’s – e cada um está pedindo um Whopper [sanduíche do Burger King]. O servidor está ocupado dizendo para os lemmings que eles foram ao lugar errado – mas há tantos deles que o servidor não pode ver você e anotar o seu pedido.

O ataque afetou vários usuários no mundo, mas foi resolvido cerca de uma hora depois.

2. Relação com a Rússia

Comumente referido como um aplicativo russo, o Telegram não quer ser conhecido dessa maneira. Fundado pelos irmãos russos Pavel e Nikolai Durov, um empreendedor e outro programador e matemático, o app tem, na verdade, uma história de atrito com o governo da Rússia. Desde abril de 2018, o mensageiro é bloqueado no país por ordem do Serviço Federal de Supervisão de Telecomunicações, conhecido como Roskomnadzor.

Segundo autoridades russas, o motivo seria a recusa do Telegram em conceder acesso a mensagens de usuários. Antes do banimento, o aplicativo sofreu uma série de entraves, com cerca de 17 milhões de IPs bloqueados pelo órgão de monitoramento de comunicações ligado ao Kremlin.

Pavel Durov deixou a Rússia em 2014 e, com um investimento de US$ 250 mil, ganhou cidadania de São Cristóvão e Nevis, uma pequena ilha do Caribe com 55 mil habitantes. Atualmente, as operações do Telegram estão baseadas em Dubai.

3. Fundado pelo “Mark Zuckerberg russo”

Pavel Durov é o nome mais proeminente por trás do Telegram. Ele ganhou notoriedade por ter fundado, em 2006, a rede social russa VKontakte, chamada atualmente apenas de VK. O site se tornou rapidamente a rede social mais usada do país e, por conta disso, Durov começou a ser apelidado de “Mark Zuckerberg russo”.

Além da carreira de empreendedor, ele compartilha com Zuck a fama de ter uma personalidade reservada e misteriosa. Ele também quase não dá entrevistas e acumula algumas situações excêntricas: certa vez, ele teria jogado dinheiro pela janela de um dos escritórios do VKontakte, em São Petersburgo.

Pavel Durov é criador da maior rede social da Russia e do aplicativo Telegram  — Foto: Reprodução/Instagram Pavel Durov é criador da maior rede social da Russia e do aplicativo Telegram  — Foto: Reprodução/Instagram

Pavel Durov é criador da maior rede social da Russia e do aplicativo Telegram — Foto: Reprodução/Instagram

Assim como Zuckerberg, Durov é bilionário. Boa parte da fortuna é originada da venda de sua participação na VKontakte – em 2014, ele entrou em atrito com investidores pró-Putin e deixou a empresa. Na época, ele divulgou uma carta em que mostrava descontentamento com os rumos que a rede social havia tomado, supostamente passando a contribuir com o governo russo – daí também o motivo para que ele deixasse o país.

4. Críticas ao WhatsApp e ao FBI

O fundador do Telegram ataca publicamente o WhatsApp sempre que pode e chega a sugerir que o aplicativo já tenha entregue as “chaves” dos servidores às autoridades dos Estados Unidos. Segundo Durov, agentes do FBI chegaram a visitá-lo quando esteve momentaneamente na Califórnia, por ocasião do Google I/O, em 2016, para solicitar acesso a mensagens de usuários do Telegram. Após ouvir recusa, o órgão americano equivalente à Polícia Federal brasileira teria optado, supostamente, por tentar invadir os servidores do mensageiro.

“Uma única semana que nossa equipe passou nos EUA em 2016 nos deu três tentativas de infiltração do FBI. Imagine o que 10 anos nesse ambiente podem fazer para uma empresa com sede nos EUA”, escreveu Durov em maio deste ano, levantando suspeitas sobre a segurança do WhatsApp.

5. Menor privacidade em relação ao WhatsApp

Apesar dos ataques constantes ao rival, especialistas que comparam os apps de mensagens consideram que o Telegram pode estar em desvantagem quando o assunto é proteção à privacidade. A causa estaria na criptografia de ponta-a-ponta, recurso que está presente por padrão no WhatsApp, mas, no Telegram, é ativado apenas no chat secreto.

O chat secreto é um modo de conversa que permite habilitar autodestruição de mensagens, bloquear encaminhamentos e identificar quando um contato tira print. Quando esse tipo de chat está em ação, o aplicativo também não faz backup do conteúdo na nuvem, o que impede a recuperação do histórico em outro dispositivo mesmo que o usuário faça login na sua conta.

Aprenda a colocar senha em chats secretos do Telegram X no Android — Foto: Raquel Freire/TechTudo Aprenda a colocar senha em chats secretos do Telegram X no Android — Foto: Raquel Freire/TechTudo

Aprenda a colocar senha em chats secretos do Telegram X no Android — Foto: Raquel Freire/TechTudo

6. Vazamento de conversas no Brasil

O aplicativo voltou a ganhar espaço na mídia no último domingo (9) por conta do vazamento de conversas entre o atual Ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador do Ministério Público Federal em Curitiba Deltan Dallagnol. O Telegram descartou que tenha havido invasão nos seus servidores. Segundo o aplicativo, se as conversas foram de fato roubadas por hackers, as chances são de que o furto tenha ocorrido por meio de invasão da conta com interceptação de SMS de verificação, ou por infecção dos celulares das autoridades com malware.

7. Criptomoeda própria

O Telegram vem se aventurando no mundo cripto e já tem uma espécie de Bitcoin próprio, chamado de Gram. Na verdade, trata-se de um token, ativo que serve a propósitos mais variados que as criptomoedas convencionais, que procuram emular o dinheiro. O Telegram realizou em maio de 2018 uma venda inicial de tokens que arrecadou o recorde de US$ 1,7 bilhão. Em julho, o Gram será ofertado pela primeira vez em um mercado de criptos para um público mais amplo. A expectativa é de que a comercialização geral inicie até o final de 2019.

Vale lembrar que jornais como The New York Times e The Wall Street Journal revelaram planos similares do WhatsApp: o mensageiro estaria preparando uma moeda batizada de GlobalCoin, com previsão de chegada em 2020.

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