Sistemas operacionais

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


O Windows 8, lançado em outubro de 2012, foi um dos sistemas operacionais mais polêmicos da Microsoft. A plataforma apostou em diversas novidades disruptivas, como o fim do botão iniciar e uma interface gráfica mais adequada para dispositivos com tela touch, mas acabou irritando muita gente. Sua reputação negativa à dos Windows Vista e Windows Millenium Edition, outras duas versões bastante odiadas do sistema operacional da Microsoft. Veja, a seguir, alguns pontos negativos do Windows 8 e entenda por que ele é tão odiado.

Windows 8: entenda os motivos que tornaram o sistema tão "odiado" — Foto: Divulgação/Microsoft Windows 8: entenda os motivos que tornaram o sistema tão "odiado" — Foto: Divulgação/Microsoft

Windows 8: entenda os motivos que tornaram o sistema tão "odiado" — Foto: Divulgação/Microsoft

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1. Ausência do botão Iniciar

Uma das maiores críticas em relação ao Windows 8 foi a ausência do botão iniciar. O objetivo da Microsoft era modernizar o sistema, criando uma interface gráfica mais compatível com dispositivos com telas touch. Apesar de seus méritos, a ideia esbarrou na realidade de que, na maioria dos casos, o Windows 8 seria usado em PCs com mouse e teclado. Além disso, os usuários não estavam preparados para abandonar duas décadas de uso do botão iniciar em favor de uma interface radicalmente nova.

Windows 8 não tinha botão iniciar e usava a tela iniciar com os blocos coloridos da interface Metro — Foto: Reprodução/Carol Danelli Windows 8 não tinha botão iniciar e usava a tela iniciar com os blocos coloridos da interface Metro — Foto: Reprodução/Carol Danelli

Windows 8 não tinha botão iniciar e usava a tela iniciar com os blocos coloridos da interface Metro — Foto: Reprodução/Carol Danelli

A polêmica foi tão grande que a Microsoft se viu obrigada a trazer o recurso de volta na atualização para o Windows 8.1 e ainda mantém a ferramenta no Windows 10. Naquela época, uma série de apps de terceiros “corrigia” a ausência do botão, o que não diminuía a irritação de usuários confusos sobre como interagir com o sistema.

2. Interface Metro

A tal interface radicalmente nova tinha nome: “Metro UI”. Ela era formada por grandes blocos coloridos, pensados para tornar a manipulação do sistema mais confortável em telas sensíveis ao toque. O conceito era bom – desde que usado em dispositivos touch – e é até hoje um dos méritos do Windows Phone, já que muitos ainda elogiam a interface gráfica Metro aplicada no sistema.

Interface Metro, pensada para telas touch, resistiria até a versão 8.1 — Foto: Reprodução/Elson de Souza Interface Metro, pensada para telas touch, resistiria até a versão 8.1 — Foto: Reprodução/Elson de Souza

Interface Metro, pensada para telas touch, resistiria até a versão 8.1 — Foto: Reprodução/Elson de Souza

No desktop, no entanto, a ideia fracassou. Mover o cursor do mouse entre os grandes blocos não era algo ágil como apontar num ícone, ou tocar na tela com o dedo. A exigência em fazer com que os usuários se adaptassem a uma interface totalmente diferente daquilo que estavam habituados colaborou para a resistência em torno do Windows 8.

3. Necessidade de uma conta da Microsoft

Necessidade de conta na Micrososft para configurar o Windows começou na versão 8 e continua até hoje — Foto: Carolina Oschendorf/TechTudo Necessidade de conta na Micrososft para configurar o Windows começou na versão 8 e continua até hoje — Foto: Carolina Oschendorf/TechTudo

Necessidade de conta na Micrososft para configurar o Windows começou na versão 8 e continua até hoje — Foto: Carolina Oschendorf/TechTudo

Até o Windows 8, bastava que você instalasse o sistema em seu computador para começar a utilizá-lo. A partir dessa edição, a Microsoft começou a recomendar que o usuário criasse uma conta para usar a plataforma, em um movimento parecido com o que os sistemas Android e iOS (iPhone) já faziam na época. A novidade encontrou resistência porque, mais uma vez, representava uma mudança em torno daquilo que os usuários esperavam do Windows para algo cujos benefícios não ficavam claros. Outra preocupação estava relacionada à privacidade.

4. Integração com o SkyDrive

Antecessor do OneDrive, o SkyDrive era profundamente integrado ao Windows 8: não era possível remover o app — Foto: Divulgação/OneDrive Antecessor do OneDrive, o SkyDrive era profundamente integrado ao Windows 8: não era possível remover o app — Foto: Divulgação/OneDrive

Antecessor do OneDrive, o SkyDrive era profundamente integrado ao Windows 8: não era possível remover o app — Foto: Divulgação/OneDrive

Antigo nome do OneDrive, o SkyDrive era o serviço de armazenamento na nuvem da Microsoft integrado ao Windows 8. A integração era tanta que o usuário não tinha a possibilidade de desligar o recurso ou remover o app do computador. A novidade foi bem-vinda, mas a impossibilidade de desabilitar ou desinstalar o recurso e desinstalar o app se mostrou fonte de irritação dos usuários – especialmente aqueles que usavam serviços rivais, como o Dropbox ou Google Drive.

5. A confusão com o Windows RT

Um novo Windows, mais seguro e quase imune a vírus, capaz de rodar em dispositivos de hardware mais simples e em tablets com processadores ARM (a mesma arquitetura usada em CPUs de celulares e tablets, e diferente dos x86 de AMD e Intel nos PCs): essa era a ideia por trás do Windows RT. A versão chegou a aparecer em alguns produtos, como o Surface RT, mas exigia um grande sacrifício.

Windows RT foi pensado para tablets com CPU ARM, mas fracassou por conta da incompatibilidade com apps do Windows para desktops — Foto: Divulgação/Microsoft Windows RT foi pensado para tablets com CPU ARM, mas fracassou por conta da incompatibilidade com apps do Windows para desktops — Foto: Divulgação/Microsoft

Windows RT foi pensado para tablets com CPU ARM, mas fracassou por conta da incompatibilidade com apps do Windows para desktops — Foto: Divulgação/Microsoft

Fazer o Windows 8 no formato RT rodar em processadores ARM tinha como consequência o fato de que apps para a versão desktop do Windows não seriam compatíveis. Em resumo, seu aparelho com Windows RT poderia não rodar o Photoshop, mesmo que você tivesse uma assinatura da Adobe, se não houvesse uma edição RT do aplicativo. O problema ficou muito maior porque se tratava de aplicações desenvolvidas para diferentes versões do Windows por 20 anos.

O problema acabou ainda mais grave porque a Intel acabou criando processadores Atom para tablets. Esse modelos eram x86 e podiam rodar o Windows 8 comum, com suporte à toda a biblioteca de programas da plataforma. Isso criou um cenário em que existiam dois Windows 8 no mercado: um deles com acesso a todos os apps e outro com catálogo bem restrito. Como a comunicação da Microsoft em sobre as duas edições foi confusa, muita gente acabou comprando o Windows errado e associando o problema da falta de software ao Windows 8 como um todo.

6. Momento ruim do mercado de PCs

Lançado em outubro de 2012, o Windows 8 chegou em um momento bem ruim para o mercado de PCs. Aquela época era a febre dos tablets e muita gente preferiu comprar um iPad a investir em um novo laptop com o sistema da Microsoft. Esse cenário, aliás, explica um pouco a obsessão da empresa com interface nova e a intenção de criar um Windows para ARM.

Windows 8 chegou em 2012, um ano ruim para o mercado de PCs, fator que contribuiu para um ritmo de adesão lento — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Windows 8 chegou em 2012, um ano ruim para o mercado de PCs, fator que contribuiu para um ritmo de adesão lento — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Windows 8 chegou em 2012, um ano ruim para o mercado de PCs, fator que contribuiu para um ritmo de adesão lento — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Por um lado, isso não é necessariamente algo que fez as pessoas odiarem o Windows 8. Por outro, no entanto, explica parte do fracasso da Microsoft em convencer usuários a migrarem para a nova versão. Com pouca gente embarcando no Windows 8, as críticas acabaram ganhando mais espaço, alimentando um círculo vicioso em que cada vez menos gente realizava o upgrade. Assim, impressão era de que os problemas eram muito maiores e que o sistema tinha fracassado em poucos meses.

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