Redes sociais

Por Raquel Freire, para o TechTudo


Quem começou a usar a Internet nos últimos 10 anos pode pensar que o WhatsApp sempre reinou absoluto pelos serviços de mensagem instantânea, mas isso não poderia estar mais errado. Muito antes do app surgir, serviços como ICQ, MSN e mIRC cumpriram a tarefa de conectar pessoas ao redor do mundo em tempo real, em chats privados e em grupo.

Esses precursores, que surgiram no final do século passado, mudaram de vez a forma como as pessoas conversam e compartilham informações. Há 20 anos, a conexão discada permitia um volume de dados muito menor, mas os mensageiros da época já traziam muitos dos recursos que usamos até hoje. Conheça, ou relembre, os programas que todo mundo usava no início dos anos 2000 para falar com os amigos - geralmente após a meia-noite.

Relembre os mensageiros que todo mundo usava no início dos anos 2000 — Foto: Reprodução/Raquel Freire

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Redes sociais que (quase) todo mundo já usou

Redes sociais que (quase) todo mundo já usou

1. ICQ

Primeiro grande mensageiro de sucesso, o ICQ viveu seus momentos de glória no início dos anos 2000, quando chegou a somar mais de 100 milhões de usuários registrados. Quem viveu aquela época certamente se lembra do icônico som de "uh-oh" que saía da caixinha do PC cada vez que chegava uma nova mensagem. Se vários contatos estivessem enviando texto ao mesmo tempo, o barulho se prolongava e gerava um rápido "uhoh-uhoh-uhoh".

A interface do software, criado em 1996, era tão marcante quanto seus efeitos sonoros. O ícone de florzinha é uma dessas características que vem logo à mente. Quando estava verde, era sinal de que o usuário estava online e disponível. Mas era possível mudar o ícone para ausente, indisponível, livre para bate-papo, ocupado, não perturbe, invisível, no telefone e fora para almoço.

ICQ marcou época como mensageiro repleto de funções no início dos anos 2000 — Foto: Divulgação/ICQ

O bate-papo mostrava todo o processo de redação da mensagem, em tempo real. Se alguém digitava algo errado e depois apagava, o amigo do outro lado via exatamente o que tinha sido escrito - o que muitas vezes gerava saia justa. O recurso eventualmente foi desativado, mas ficou na memória dos que usaram o mensageiro nas madrugadas de conexão discada.

Apesar de velho para os parâmetros da Internet, o ICQ inspirou muitos outros mensageiros, incluindo o WhatsApp. Muitas das funções presentes no app do Facebook foram herdadas do ICQ, como encontrar contatos adicionando número, inserir uma frase de status e os populares chats em grupo.

2. MSN

O MSN Messenger surgiu em 1999, já na carona do sucesso do portal MSN, lançado pela Microsoft quatro anos antes. Em sua primeira versão, o programa apresentava apenas uma lista de contatos para troca de mensagens e a possibilidade de alterar o status. A economia de funções o deixava atrás do concorrente ICQ, mas trazia como vantagem o tamanho reduzido do arquivo de instalação, de apenas 320 Kb. O mensageiro da Microsoft ganhou mais e mais funcionalidades. Possibilidade de customizar a interface, envio de arquivos, videoconferência, proteção anti-spam e "emoticons" animados foram alguns dos recursos introduzidos com o passar do tempo, acompanhando uma modernização no visual.

A popularidade foi quase imediata. Já em 2001, o MSN possuía 29,5 milhões de usuários. Em 2009, já com o nome de Windows Live Messenger, a plataforma registrava mais de 330 milhões de usuários ativos por mês. A versão lançada em 2010 trazia integração com algumas das redes sociais populares até hoje, como Facebook e YouTube.

MSN ganhou muitos recursos ao longo da primeira década de 2000, incluindo integração com o YouTube — Foto: Reprodução/MSN

3. mIRC

O sucesso do mIRC é até difícil de explicar para as gerações atuais. Para começar, a plataforma - nascida em 1995, com auge em 98 e ativa até hoje - é um cliente IRC, sigla em inglês para Internet Relay Chat. A grosso modo, ele conectava salas de bate-papo individuais ou em grupo que usavam o protocolo IRC.

Diferentemente dos demais mensageiros, sua interface era bem pouco intuitiva. O programa base trazia um visual todo branco, com fonte padrão preta. Cabia ao usuário customizar as janelas por meio de comandos, usando uma linguagem de programação própria. Para facilitar, havia scripts com configurações pré-definidas para baixar. Comparando com o que o usuário entende por fácil hoje em dia, mesmo esses automatismos eram complicados.

O software também não suportava foto de perfil. A identificação era apenas pelo nickname, que frequentemente acabava se tornando o apelido da pessoa no mundo offline. Apesar da simplicidade, o mIRC possuía recursos extremamente inovadores para a época, como a possibilidade de abrir diversas salas de chat em uma mesma janela. Além disso, ele podia realizar transferências de arquivos, e, em algumas versões, até tinha tocador de MP3.

mIRC conectava chats em grupo e individuais em uma só janela — Foto: Reprodução/Imgur

Suas peculiaridades fizeram com que ele fosse o tipo de programa que possuía verdadeiros fãs como usuários. É verdade que sua popularidade começou a cair com a chegada de mensageiros mais intuitivos, a exemplo do ICQ e MSN, mas ele manteve por muito tempo uma base de pessoas apaixonadas pelos canais, e, para esse nicho, a ausência de mudanças bruscas na interface foi e é uma grande vantagem.

4. AOL Instant Messenger (AIM)

O AOL Instant Messenger, também chamado de AIM, foi a iniciativa da America OnLine no mundo dos comunicadores. Sendo um dos principais provedores de Internet discada nos anos 90, a AOL obteve grande êxito ao lançar seu próprio mensageiro em 1997. O maior sucesso foi na América do Norte, onde o programa foi o líder de mercado por grande parte da primeira década dos 2000 - isso excluindo o ICQ, que também era da AOL.

A interface se assemelhava à do MSN, também seu principal rival, até no ícone. Enquanto a aplicação da Microsoft era representada por dois bonequinhos, a da AOL apresentava um boneco correndo. Assim como o concorrente, ele começou oferecendo serviço de troca de mensagens por texto e troca de arquivos, posteriormente recebendo recursos como videochamadas e jogar com os amigos online.

AOL Instant Messenger, ou simplesmente AIM, foi um dos principais mensageiros do início dos 2000 — Foto: Divulgação/AOL

Uma das características marcantes do AIM era a presença de chatbots para diferentes propósitos. O SmarterChild foi o primeiro a aparecer, sendo uma grande referência de inteligência artificial. No chat com o robô, você podia ter conversas engraçadas (por vezes sem sentido) e ainda ter acesso rápido a notícias, filmes, saber o placar de jogos, e assim por diante. O sucesso fez o mensageiro incorporar diversos outros chatbots e, eventualmente, outros mensageiros adotarem o recurso.

Com a chegada avassaladora das redes sociais, especialmente o Facebook com seu Messenger integrado, o AIM perdeu terreno, mas ele esteve oficialmente entre nós até pouco tempo: a AOL desativou o serviço em dezembro de 2017, cinco anos depois de ter encerrado o desenvolvimento ativo do programa.

5. Google Talk

A explosão de popularidade do Gmail trouxe também o Google Talk. Lançado em 2005, o GTalk ficava à esquerda do serviço de e-mail, sendo uma ferramenta quase natural para troca de mensagens com os contatos.

O fato de ser vinculado ao Gmail e de nascer já na era das redes sociais fez com que o mensageiro do Google assumisse uma vocação para o trabalho. Ali estavam as pessoas com quem você trocava correspondências eletrônicas no dia a dia, e era um jeito mais rápido e informal de se conectar a elas.

No chat, além de conversar por texto, era possível enviar mensagem de voz, ligar e fazer videochamadas. O GTalk nunca foi o campeão de funcionalidades, tampouco foi popular como ICQ ou mIRC, mas todo mundo que tinha conta Google acabava usando. A plataforma foi desativada em 2017, dando lugar ao Hangouts.

Google Talk funcionava dentro do Gmail — Foto: Divulgação/Google

6. Yahoo! Messenger

Lançado em 1998, o Yahoo! Messenger foi um mensageiro com muitos usuários, embora nunca tenha alcançado o status de icônico como os demais membros da lista. Sua popularidade aconteceu por causa do sucesso do portal Yahoo!, outro grande provedor de Internet no final dos anos 90.

O mensageiro ia acompanhando o que estava sendo feito pelos demais. Capacidade de ficar invisível, fazer chamadas de voz e de vídeo, transferir arquivos e reproduzir música: tudo isso foi, em algum momento, recurso do Y!M (que acabava sendo digitado como YIM).

Em 2010, se rendendo ao sucesso do Facebook, a plataforma chegou a incorporar o chat da rede social. Bastava fazer o login usando as credenciais da rede de Mark Zuckerberg para conversar com os contatos a partir do mensageiro. Seu fim definitivo aconteceu em 2018.

Yahoo! Messenger chegou a ganhar integração com o Facebook antes de ser encerrado — Foto: Reprodução/SnapFiles

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