Privacidade

Por Rodrigo Fernandes, para o TechTudo


Grandes empresas de tecnologia já estiveram envolvidas em casos de espionagem ou obtenção de dados de usuários sem consentimento. Um dos mais recentes envolve o aplicativo de e-mail Edison, disponível para iPhone (iOS), e outros serviços de correio de estarem capturando informações das caixas de entrada dos usuários para vendê-las a empresas voltadas para o segmento financeiro, de viagens e comércio, obtendo lucro com o repasse dos dados confidenciais.

Facebook, Apple e Google também foram relacionados como empresas que coletavam dados indevidamente. As empresas foram acusadas de captar diferentes informações, como gravações das assistentes virtuais ou a localização dos usuários, com diferentes finalidades para o uso desses arquivos. Confira, a seguir, seis casos de aplicativos que espionaram o celular ou obtiveram dados ilegalmente.

Veja casos em que empresas obtiveram dados de usuários ilegalmente — Foto: Luciana Maline/TechTudo

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1. Apps de e-mail leem as mensagens

Os aplicativos de gerenciamento de e-mail Edison, Cleanfox e Slice estão sendo acusados de fazerem uma leitura de dados das caixas de entrada dos usuários para obter informações pessoais sem o consentimento das vítimas, com o objetivo de vendê-las para outras empresas de forma anônima ou substituindo apenas alguns nomes.

Os conteúdos dos e-mails seriam usados para que as empresas compradoras dos dados pudessem tomar melhores decisões de investimento. Outra empresa que estaria praticando a venda de produtos baseados em dados coletados ilegalmente é a Foxintelligence, que teria como um dos principais clientes o PayPal.

De acordo com a Motherboard, da revista Vice, os dados capturados eram métricas de compra do consumidor e preferências de marcas, como itens que o usuário comprou e quanto pagou por ele. Segundo o Wall Street Journal, os funcionários do aplicativo Edison teriam acesso aos e-mails dos usuários somente para aprimorar o recurso de respostas inteligentes do app.

Em comunicado, o app Edison afirmou que coleta dados automaticamente de e-mails comerciais, extraindo informações de forma anônima, e que a tecnologia não inclui e-mails pessoais ou profissionais. A nota diz que os usuários têm total controle sobre como as informações são usadas no aplicativo, e que qualquer pessoa pode excluir o compartilhamento de dados da sua conta no app, sem afetar a experiência do serviço.

2. Facebook teria acesso a informações de apps de ciclo menstrual

Em 2019, o Facebook foi acusado de estar recebendo informações pessoais de usuárias de aplicativos de ciclo menstrual. Através do Kit de Desenvolvimento de Softwares do Facebook (SDK, em inglês), os desenvolvedores poderiam compartilhar informações fornecidas pelas usuárias, como dados sobre sua saúde e atividade sexual, por exemplo, embutidas em relatórios voltados para a melhoria da performance do app. Pelo menos seis aplicativos estariam envolvidos, entre eles o Maia e o Calendário Menstrual.

App Maia estaria envolvido em polêmica de envio de dados confidenciais ao Facebook — Foto: Raquel Freire/TechTudo

O Facebook negou que tivesse acesso aos dados, alegando que os termos de serviço proíbem que desenvolvedores enviem dados confidenciais dos usuários. A empresa responsável pelo aplicativo Maia, um dos envolvidos na polêmica, afirmou que realizaria mudanças no seu sistema de compartilhamento de dados.

3. Ouvir comandos de assistentes virtuais

Também em 2019, veio à tona a notícia de que funcionários contratados pela Apple estariam escutando trechos de áudios capturados pela Siri por meio do iPhone, do Apple Watch e do HomePod. Esses colaboradores poderiam ouvir informações privadas, como conversas íntimas, negociações ou até mesmo pessoas fazendo sexo.

A Apple confirmou que humanos teriam acesso a uma pequena quantidade de áudios da Siri, com o objetivo de detectar falhas técnicas na assistente virtual, mas se defendeu alegando que os protocolos de confidencialidade em suas instalações impediriam que os funcionários identificassem os usuários por meio das gravações.

Mesmo assim, a empresa suspendeu o programa global de análise de áudios no mês seguinte. Com o lançamento do iOS 13.2, a Apple passou a permitir apagar todas as gravações e optar por ativar ou não o envio de dados. O Google também revelou que usava humanos para analisar gravações do Google Assistente com o objetivo de aperfeiçoar a ferramenta, mas também suspendeu as escutas.

Funcionários da Apple ouviam trechos de áudios de consultas à Siri — Foto: Rubens Achilles/TechTudo

4. Bug permite ativar câmera em segundo plano no iPhone

Um bug no aplicativo do Facebook para iPhone permitia que a câmera do celular fosse ativada secretamente em segundo plano, enquanto a pessoa navegava pelo app. O comportamento sugeria que o app pudesse estar espionando usuários através das imagens.

O erro foi consertado em uma atualização do aplicativo, e a justificativa é de que a versão foi lançada incorretamente no modo paisagem. O Facebook também afirmou que não há evidências de que fotos ou vídeos foram exportados pelo bug.

5. App de marketing do Instagram coletava dados de perfis

O aplicativo Hyp3r, um dos parceiros oficiais de marketing do Facebook para a criação de campanhas no Instagram, foi banido da rede social por estar coletando dados de usuários sem autorização. As informações estavam sendo utilizadas para descobrir interesses das pessoas com a finalidade de usar em publicidades direcionadas. O app estaria armazenando permanentemente informações como localização, número de curtidas e Stories de centenas de milhares de usuários em todo o mundo.

Além de remover o aplicativo, o Instagram realizou alterações no produto para impedir que novas ferramentas pudessem seguir com a coleta abusiva de dados. No entanto, a empresa afirmou que não era possível solicitar que o app banido deletasse as informações capturadas até o momento.

6. Facebook acessa localização mesmo sem permissão

O Facebook admitiu que acessa a localização dos usuários mesmo quando a permissão não é concedida. A confissão foi feita após um questionamento de alguns senadores americanos, que notaram publicidades baseadas na região em que estavam, mesmo com o serviço de localização desabilitado.

Facebook acessa localização mesmo se usuário não der permissão — Foto: Divulgação/Facebook

O Facebook afirmou que identificava a localização dos usuários por meio de outras informações compartilhadas na rede social, como vídeos, marcações e o endereço IP do dispositivo. A empresa disse ainda que, embora os dados estivessem sendo utilizados para tornar os anúncios mais relevantes, os anunciantes não teriam acesso a essas informações. Por fim, o Facebook também afirmou que os locais identificados nesses casos não são adicionadas ao histórico de localização.

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