Atletas

Por Victor de Abreu, para o TechTudo


Os jogos competitivos como Fortnite, League of Legends (LoL) e Counter-Strike:Global Offensive (CS:GO) já foram palco de desentendimentos entre pro players e organizações. A maior parte dos casos são denúncias feitas pelos atletas e envolvem direitos não cobertos em contratos e falta de pagamentos. Os casos, em sua maioria, evidenciam a precariedade profissional e trabalhista que os jogadores de esports ainda vivenciam. A seguir, relembre alguns exemplos de escândalos que não ocorreram na frente da tela de um computador, mas na justiça.

Tfue x FaZe Clan

Tfue com a camisa da sua ex-equipe, FaZe Clan — Foto: Divulgação/FaZe Clan

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Astro norte-americano de Fortnite, Turner "Tfue" Tenney processou a FaZe Clan em 2019, alegando problemas em relação ao seu contrato. Segundo o jogador, que estava com a organização desde 2018, ele ficava com uma parcela considerada pequena dos lucros vindos dos vídeos que ele fazia com a marca, quando, em sua versão, deveria receber muito mais. A organização respondeu que o jogador adquiriu enorme popularidade por causa dela, além de faturar mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões) graças a tudo que lhe foi ensinado a respeito de profissionalismo.

Após a reação da comunidade, a FaZe ainda optou por processar Tfue por quebra contratual ao supostamente depreciar o nome da empresa e ainda criar uma organização rival de esportes eletrônicos. O caso ainda não teve um desfecho final na justiça.

Fifflaren x Ninjas in Pyjamas

Fifflaren atuando pela Ninjas in Pyjamas — Foto: Divulgação/Fragbite

Membro na lendária line up de CS:GO da Ninjas in Pyjamas de 2012, o ex-jogador sueco Robin "Fifflaren" Johansson, em 2019, acusou a organização de falta de pagamentos vindos de premiações e por mudanças que foram realizadas sem consultar os jogadores. Fifflaren destacou que ele e seus companheiros não receberam os valores merecidos pela grande fase da Ninjas in Pyjamas entre 2012 e 2013, quando eles atingiram a sequência de 87 vitórias seguidas. O pro player também comentou a respeito das estranhas cláusulas contratuais que poderiam demitir qualquer jogador sem avisos ou justificativas.

Os principais alvos de Fifflaren foram Emil “HeatoN” Christensenand, lenda do Counter-Strike 1.6 e manager da NiP entre 2012 e 2018, e Hicham Chahine, atual CEO da organização. Após ser chamado de mentiroso e trapaceiro, HeatoN se pronunciou no Twitter em agosto de 2019. Ele afirmou que todas as acusações feitas por Fifflaren eram falsas e que ele contava com documentos para se proteger no tribunal. Desde então, o caso não recebeu novas atualizações.

Caso Lowkey Esports

Lowkey Esports durante as finais da Rocket League Championship Series Season 8 — Foto: Divulgação/ZeeboDesigns

A Lowkey Esports é uma organização que tinha equipes de esports em diversas partes do mundo, como no Brasil, com suas line ups de Overwatch, Rocket League, Rainbow Six: Siege e CS:GO, e nas Filipinas, com uma line up de DotA 2. A organização vinha adquirindo certo sucesso, em especial na América do Sul. Mas os problemas financeiros acabaram gerando complicações, como a dificuldade de pagar os salários em dia, e a org liberou suas line ups.

Kenneth "Flysolo" Coloma, player de DotA 2, chegou a chamar a organização de "grande golpista" por conta dos problemas enfrentados. O brasileiro Enzo "tander" Toledo, da line up de Rocket League que foi ao Mundial da categoria em 2019, também se pronunciou no Twitter alegando a falta de pagamento da organização.

O theScore esports publicou um vídeo em seu canal do YouTube no dia 10 de janeiro de 2020 explicando a situação. O portal teve acesso aos valores que a Lowkey deve em cada uma das regiões que atuou nos esports. Só na América do Sul, onde sua área de maior atuação era o Brasil, a organização estaria devendo mais de US$ 28 mil (cerca de R$ 140 mil) para jogadores e funcionários. Somando todas as regiões onde tinha line ups, a dívida ultrapassaria a marca de US$ 137 mil (cerca de R$ 685 mil). Ainda não há confirmação se a Lowkey já realizou o pagamento da dívida.

Galatasaray banido da TCL

Equipe de LoL do Galatasaray — Foto: Divulgação/Riot Games

O Galatasaray é um time de futebol famoso na Turquia, mas que também se aventurou nos esports como Galasaray Esports, equipe criada em 2016. A organização chegou na elite turca de League of Legends, conhecida como Turkish Championship League (TCL), onde permaneceu até o final de 2019. Vale destacar que saída da liga não aconteceu por conta de rebaixamento. Na verdade, a organização foi banida pela Riot Games após reclamações dos jogadores da line up de LoL, que alegavam que não estava recebendo salários. Entre eles, estava o sul-coreano Lee “GBM” Chang-seok, que chegou a utilizar do Twitter para relatar sua situação em dezembro de 2019.

Segundo GBM, o Galatasaray não pagava os salários do jogadores há três meses. Seu antigo companheiro de time, Choi “BalKhan” Hyun-jin, hoje jogador da Redemption, também afirmou que a organização lhe devia salários. Um dos funcionários do Galatasaray, Erol Özmandıracı, negou as acusações de GBM e de seus companheiros, mas a Riot Games investigou o caso e acabou confirmando a versão dos jogadores. Como resultado, o Galatasaray foi banido da primeira etapa da TCL 2020, deixando a competição com apenas nove participantes.

Polêmica com o Besiktas

Equipe feminina de League of Legends da Besiktas Esports — Foto: Divulgação/Besiktas Arena Forum

A organização Besiktas Esports foi acusada, em 2019, de não pagar devidamente os salários de jogadores de diversas line ups. A acusação foi feita por Natalie "Stratospanda” Kristiansen, que atuava no time feminino de League of Legends desde outubro de 2018. Depois de deixar a organização em julho de 2019, ela comentou a respeito dos problemas enfrentados com a Besiktas desde o início do vínculo, como o primeiro salário levando semanas para ser recebido, e que isso também acontecia em outras line ups da organização. Segundo ela, foram cinco meses de atrasos ao todo.

Sua ex-companheira de equipe, Olimpia "Komedyja" Cichosz, ainda acrescentou que a Besiktas havia prometido bootcamps, que nunca ocorreram, além de afirmar que a organização derrubou o grupo de Discord dos jogadores por conta da denúncia. A Besiktas, que ainda administra um time profissional de futebol na Turquia, cujo jogadores também estavam sem receber, estaria enfrentando dificuldades financeiras. Em janeiro de 2019 notícias mostraram que a dívida da org superava os US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões), muito por conta de um novo estádio de futebol construído.

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