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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Escolher o processador certo para o seu computador é muito importante. Dependendo do tipo de uso desejado e do hardware disponível, comprar o chip errado pode significar pagar a mais sem necessidade ou até limitar o desempenho de uma máquina que deveria ser poderosa. Enquanto a Intel oferece diferentes modelos de Core i3, Core i5, Core i7 e Core i9, a AMD faz o mesmo com os Ryzen 3, Ryzen 5, Ryzen 7 e Ryzen 9, o que pode confundir o usuário na hora de comprar.

Além disso, há opções no mercado como os Intel Celeron e AMD Athlon, que podem ser interessantes para computadores mais básicos, mas pouco indicados para máquinas de performance intermediária, ou até os Intel Xeon e Ryzen Pro, mais voltados para máquinas poderosas. Pensando nisso, o TechTudo separou dicas que podem ajudar o usuário a escolher o melhor processador para montar ou melhorar seu PC.

Saiba como escolher o processador ideal para seu PC — Foto: Divulgação/Intel

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Saiba o tipo de uso desejado

O processador é o componente central de seu computador, e suas capacidades têm impacto direto no desempenho da máquina. Portanto, entender o tipo de uso desejado vai fazer a diferença na hora de comprar, evitando gastos excessivos ou até mesmo limitar o PC. É possível separar três grandes grupos de usuários com variados níveis de exigência: aqueles que trabalham com edição de vídeos e modelagem 3D, gamers em geral e usuários domésticos em geral.

Enquanto profissionais de design, por exemplo, precisam de um computador poderoso para lidar com as tarefas exigentes, gamers também podem aproveitar um alto desempenho, apesar de ser possível aproveitar uma máquina intermediária para jogar. Já para usar o PC no dia a dia, o foco é em agilidade para o sistema e boa fluidez para acessar a Internet, assistir a filmes e séries ou até aproveitar alguns títulos mais básicos.

Saber qual é o perfil de uso para o processador evita irritação com PC lento e jogar dinheiro fora com processador caro — Foto: Divulgação/Intel

No primeiro caso, o ideal deve ser um processador com boa quantidade de núcleos – e também mais caro. Se o foco é jogar com alta qualidade, o maior investimento pode ser feito em uma boa placa de vídeo. De qualquer forma, vale procurar por uma CPU com suporte a overclock e um bom número de núcleos. Já para uso casual, um dual-core mais acessível pode ser suficiente, o que não impede a compra de um bom Core i7 mais recente, por exemplo.

Por faixa de preço – e considerando opções de boa capacidade para cada tipo de uso –, é possível dividir assim:

  • Casual: Core i3 9100F (R$ 499) ou Ryzen 3 3300 (R$ 559). É possível encontrar até opções mais baratas, se não for um problema comprar um chip antigo;
  • Games: o Ryzen 5 3600X (R$ 1.700) é visto como uma das melhores opções de custo-benefício para um PC gamer em 2020. Um Core i5 9600K (R$ 1.235) também pode valer a pena;
  • Exigente: Ryzen 9 3900X (R$ 3.860) ou Core i9 9900K (R$ 2.732) são opções para não decepcionar até mesmo os mais exigentes;

Fique de olho no hardware que você tem

Em caso de upgrade, certifique-se de que o processador novo funciona com o hardware que você já tem em casa — Foto: Divulgação/AsRock

Caso você esteja pensando em realizar um upgrade de CPU, é importante atentar à compatibilidade do hardware. Gerações mais recentes podem não encaixar fisicamente na placa-mãe, ou até mesmo não funcionar no soquete ali disponível. Esses "encaixes" costumam ser fáceis de identificar: basta pesquisar a documentação relativa ao modelo da sua placa no site da fabricante para encontrar dados como LGA1151 ou LGA1200, usados em chips de 8ª e 10ª gerações da Intel, respectivamente.

A AMD também tem diferentes soquetes, mas, desde 2016, a marca lança todos seus processadores com o padrão AM4. A questão aqui é que processadores mais recentes, como os Ryzen 4000, podem até encaixar fisicamente na placa-mãe mais antiga, mas mesmo assim não funcionar. Dessa forma, é importante conferir se o Ryzen ou APU AMD desejado tem suporte por parte da placa.

Avalie a TDP

Medida em Watts, a TDP de um processador é muitas vezes confundida como uma medida de consumo de energia. O termo é, na verdade, uma sigla em inglês para “Energia Térmica de Design” (ou de Projeto), e está relacionada à medida máxima de calor que o sistema de refrigeração do computador precisa dar conta. Ou seja: se um determinado chip tem TDP de 95 Watts, isso significa que o mesmo vai liberar aquela quantidade de energia na forma de calor, que precisa ser trocado com o ambiente de forma eficiente. Caso contrário, a temperatura pode subir descontroladamente e levar a travamentos ou até danificar a peça.

TDP não mede o consumo, mas pode ter ser um bom indicativo; chips que esquentam muito podem significar um PC mais barulhento — Foto: Divulgação/AMD

Essa temperatura tem relação com consumo e performance. Apesar de não ser uma regra, é comum que processadores com alta TDP tenham maior consumo e, consequentemente, desempenho. Portanto, é um indicador relevante a se avaliar. Processadores no formato "box", por exemplo, costumam ser acompanhados por um cooler próprio da fabricante, e que pode dar conta das necessidades da CPU. Se a ideia é investir em um modelo OEM, mais barato, o chip vem sem essa solução extra. Nesse caso, é importante comprar um cooler de acordo com o perfil térmico necessário.

Outro detalhe importante é que um processador que tende a esquentar mais vai fazer com que o cooler trabalhe por mais tempo e em rotação mais alta. Isso, na prática, pode representar um computador mais barulhento, característica que pode ser bem ruim se você está pensando em usar um PC para consumir filmes e séries.

Gráficos integrados

Se a ideia é montar uma máquina para produtividade e entretenimento, pode ser melhor buscar um modelo de chip que tenha uma solução gráfica integrada. Isso porque o investimento em uma placa de vídeo é mais necessário para usuários exigentes ou gamers, que precisam de processamento dedicado para uma boa experiência. Portanto, vale buscar por uma CPU equipada com Intel UHD Graphics ou APUs da AMD com uma opção de Radeon integrada.

Processadores Ryzen da AMD não trazem gráficos integrados — Foto: Divulgação/AMD

Embora não tenha a mesma capacidade de uma placa dedicada, a GPU aliada ao processador não vai fazer falta para o uso no dia a dia. Atualmente, há modelos com fôlego suficiente para controlar várias telas simultâneas e até suporte para vídeos em 4K, seja em arquivo local ou via streaming. Mas, vale lembrar: para jogos mais recentes, a placa integrada vai ficar devendo, assim como para editores de vídeo em geral.

Considere a relação entre núcleos e velocidade

Processadores com múltiplos núcleos são cada vez mais comuns, e comprar um chip dual-core pode não ser mais tão interessante a longo prazo. Isso porque muitos softwares estão sendo desenvolvidos para tirar proveito dos variados núcleos. Já é possível encontrar modelos de entrada quad-core, por exemplo, tanto entre os Ryzen 3 quanto Core i3 ou Core i5.

Outro fator a ser considerado é a taxa de transferência, medida em gigahertz (GHz), e que precisa ser considerada de forma mais cuidadosa. O número faz sentido de fato quando são considerados chips equivalentes, ou seja, de uma mesma família. Portanto, embora seja importante para o processador, esse dado não é o único que reflete a velocidade real.

Relação entre quantidade de núcleos e velocidade é fundamental no processo de escolha — Foto: Divulgação/AMD

Dessa forma, se o processador precisa dar conta de tarefas exigentes em pouco tempo, como é o caso de um uso mais exigente, o ideal é priorizar a contagem de núcleos em favor dos GHz alcançados. Os Ryzen, por exemplo, têm tido um bom desempenho multicore, superando rivais da Intel nos últimos anos.

Em contrapartida, a velocidade bruta em GHz ainda é mais relevante que a contagem de núcleos no caso de PCs gamer ou para o dia a dia. Dessa forma, processadores da Intel vêm oferecendo um melhor desempenho por núcleo, o que faz a marca apontar o novo Core i9 10900K, de dez núcleos e até 5,3 GHz de velocidade, como o processador gamer mais rápido do mundo.

Também é importante considerar a função turbo, apesar de não ser essencial. Em geral, o recurso é aplicado em situações específicas e de acordo com a energia disponível no sistema. Por conta disso, a velocidade mais importante a se conferir na hora de comprar um novo processador é o clock base.

Quanto mais recente, melhor

Gerações mais atuais entregam melhor desempenho, suportam novas tecnologias, consomem menos energia e são mais seguras — Foto: Divulgação/Intel

Entre um processador quad-core de 2,0 GHz lançado há dois anos atrás e um chip de 2020, também quad-core, mas com 1,8 GHz de velocidade, o modelo mais recente é o mais rápido. Apesar do clock menor, um chip de hardware atualizado tem ajustes de design e ganhos de eficiência que permitem fazer mais coisas que a opção antiga em um determinado intervalo de tempo. Isso acontece porque os GHz são uma medida de quantos ciclos a CPU pode realizar dentro de um segundo, e não da quantidade de processamento efetivamente realizado nesse espaço.

Portanto, na hora de comparar modelos, vale considerar não apenas a velocidade indicada, mas também a geração dos chips e também a marca. Testes e comparativos de benchmark em sites especializados podem ajudar, já que mostram detalhes como a situação em que foram utilizados e se foram melhores ou piores em determinado cenário. Além de maior eficiência, gerações recentes terão suporte a tecnologias atuais, como PCle 4.0, memórias DDR4, entre outras. Outra vantagem é a segurança, já que correções a nível de hardware são necessárias em alguns casos.

Suporte a overclock

Mesmo processadores mais baratos da AMD permitem overclock (desde que instalados numa placa-mãe compatível) — Foto: Divulgação/AMD

Overclock é um cenário em que o usuário altera configurações internas do processador para atingir velocidades superiores. A prática tem alguns riscos, e pode até encurtar a vida útil do chip, além de exigir uma refrigeração mais robusta. Nem todos os modelos têm suporte ao recurso: a Intel reserva o acesso a linhas específicas, identificadas pela presença das letras K e X na nomenclatura, casos do Core i9 9900K ou do Core i7 7740X, por exemplo.

Já a AMD permite overclock em todos os modelos Ryzen, mas não em todas as placas-mãe. Há versões compatíveis com chips da marca que não têm suporte à função, e o usuário que busca realizar essa alteração precisa buscar informações sobre sua disponibilidade também ao escolher a placa.

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