Computadores

Por Júlia V. Kurtz, para o TechTudo


MCM/70, um dos primeiros computadores portáteis criados no mundo, completa 47 anos nesta sexta-feira (25). O modelo surgiu como alternativa mais em conta aos grandes e lentos mainframes da época, trazendo um hardware "de ponta" para a época. Seu sucesso inclusive impulsionou o mercado de PCs baseados em microchip, e a máquina tem até livro a seu respeito hoje em dia. Confira a seguir algumas curiosidades sobre o "avô" dos notebooks.

MCM/70 foi pioneiro na área de computadores pessoais e portáteis — Foto: Reprodução/Computer History

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Tecnologia canadense

O modelo foi criado no Canadá por Mers Kutt, professor de matemática e fundador da MCM. Ele apostou na substituição dos grandes mainframes da época por versões menores baseadas em microprocessadores. O desenvolvimento do PC, por exemplo, começou em 72, mesmo antes de ter todos os componentes prontos. O modelo só foi revelado durante uma

Kutt tinha um bom relacionamento com o então CEO da Intel, Bob Noyce, e participou da criação dos primeiros microchips. Para a tirar o MCM/70 do papel, também foi necessário adaptar outras tecnologias inexistentes na época, como o interpretador de APL, que até então era muito lento no chip Intel 8008 que equipava a máquina.

Nota mostra desenho inicial de Mers Kutt para o MCM/70 — Foto: Reprodução/X Number

Hardware "de ponta"

Comparado aos modelos atuais, o MCM/70 tem um hardware já bastante defasado. Mas, para os padrões da época, o computador oferecia o que havia de melhor no mundo da tecnologia. O "potente" PC vinha equipado com processador Intel 8008, 32 KB de memória ROM e até 8 KB de RAM, além de permitir expandir o armazenamento com duas fitas cassetes de 10 KB, equivalentes aos HD externos dos dias de hoje.

O computador contava ainda com uma tela de plasma capaz de exibir apenas uma linha de texto. O teclado, por sua vez, trazia layout específico de 46 teclas e funcionava com a linguagem de programação APL. O PC era compatível com drivers de disquetes de 8 polegadas, além de impressoras.

A praticidade e o preço mais acessível do MCM/70 fez com que ele fosse rapidamente adotado por grandes empresas no hemisfério norte, incluindo até mesmo órgãos federais dos Estados Unidos, como a NASA e o próprio exército do país.

PC possuia suporte para fitas cassete — Foto: Reprodução/Computer History Museum

Mais pesado que um gabinete atual

Na década de 1970, se a capacidade do harware era menor, o tamanho seguia o oposto. Com isso, o MCM/70 pesava, ao todo, cerca de 9 kg, sendo grande parte graças à bateria interna do portátil. Portanto, apesar de compacto, o peso do PC o tornava inviável para transporte, por exemplo.

Para se ter uma ideia, hoje em dia apenas os gabinetes mais potentes e com muitos recursos chegam perto do peso do modelo. E, para isso, é necessário adicionar outros periféricos, como monitor e teclados, à soma.

Placa do MCM/70 era maior e menos potente — Foto: Reprodução/Vintage Computer

Mais barato, mas...

O preço do computador variava de acordo com o modelo. O mais simples, sem entrada para fitas cassete, custava 4.950 dólares canadenses, enquanto a versão mais cara, equipada com 8 KB de RAM e dois drivers, saía a 9.800 dólares canadenses, pouco mais de R$ 20 e 40 mil na cotação atual. Atualmente, por esse valor, é possível encontrar até mesmo carros populares com 0 km rodados.

Apesar de muito altos, vale lembrar das limitações à época: as máquinas traziam mainframe com vários terminais compartilhando a capacidade computacional do sistema, entregando um uso bastante lento. Muito por conta disso, eram apenas 3.548 de computadores em todo o Canadá nos anos 1970, e os computadores eram vistos como máquinas voltadas para grandes empresas e até governos.

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Dessa forma, era possível até mesmo alugar esses terminais, mas por um preço bastante alto – e praticamente impossível para pequenas e médias empresas. Um desses computadores era o IBM System/300, cujo aluguel mensal saía por US$ 5.330 (R$ 29.367) e o preço de compra era de US$ 253.000, pouco menos de R$ 1,4 mi na cotação atual do dólar.

Virou livro!

A importância do MCM/70 na história da computação foi grande o suficiente para fazer com que o computador ganhasse um livro a seu respeito. Lançado em 2011, a obra Inventing the PC: The MCM/70 Story, escrita pelo professor Zbigniew Stachniak, da Universidade de York, em Toronto, detalha os passos tomados pela fabricante. O conteúdo inclui diversos momentos do processo, incluindo disputas burocráticas e a satisfação de criar o próprio conceito de computador pessoal e portátil.

Livro conta como o MCM/70 foi produzido — Foto: Reprodução/Amazon

Segundo Stachniak, o produto foi pensado para ter um bom custo-benefício, algo interessante para áreas desde negócios até pesquisa e educação, abrangendo ainda o mercado corporativo ao bater de frente com os grandes terminais da época.

Com o tempo, o MCM/70 ganhou atualizações que incorporavam os avanços tecnológicos da época. O modelo 800, por exemplo, foi lançado em 1975, contando com 16 KB de RAM e suporte a monitor externo. Já o 900, de 1978, expandia a RAM para 24 KB, possuindo ainda monitor embutido – característica chave dos notebooks atuais.

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