Veículos

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Carros inteligentes são veículos com sistema operacional que traz funções e informações a mais aos motoristas. Marcas como Volkswagen, Fiat, BMW e Hyundai já têm automóveis funcionando com softwares integrados, que se destacam por trazer recursos nativos, como relatórios da saúde do veículo e GPS de alta precisão. Além dos softwares nativos, também existem tecnologias como o Android Auto, do Google, e o CarPlay, da Apple, que tornam um 'qualquer carro' inteligente.

Os recursos são interessantes, mas podem não funcionar tão bem quanto um sistema de bordo, pensado especificamente para o veículo. Em conjunto com o gerente de engenharia elétrica da Volkswagen no Brasil, Matheus Arantes, o TechTudo traz, a seguir, as principais vantagens de sistemas operacionais em relação aos recursos ativados pelo celular.

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1. Maior integração com o veículo

Entre as principais vantagens dos sistemas operacionais integrados aos carros estão as funções nativas e a segurança. Para Matheus Arantes, opções como o Android Auto e Apple CarPlay – que rodam no smartphone e são espelhadas para a tela do carro – são mais limitadas. O especialista aponta que nessas plataformas externas “muitas vezes o usuário se vê obrigado a pegar o celular na mão para buscar alguma função específica, o que vai contra as recomendações de segurança”.

Sistemas operacionais como o VW Play são mais completos e funcionais do que Android Auto e Apple CarPlay — Foto: Divulgação/VW

Um exemplo típico de como sistemas pensados para rodar no carro são superiores, é o GPS. No seu celular, a leitura de posição pode ser imprecisa porque o sistema atualiza a triangulação da sua posição via satélite em intervalos mais longos como uma forma de não gastar muita bateria. No automóvel em si, essa preocupação não existe, já que a localização acontece por meio das antenas, maiores, garantindo maior precisão em serviços de mapas e navegação nativos do veículo.

Tanto a tecnologia do Google quanto a da Apple não possibilitam, por exemplo, ajustes e leitura de recursos do carro, já que rodam no celular, e não no automóvel. Já sistemas mais completos, como Android Automotive ou o VW Play, dão acesso a essas e outras informações. Sendo assim, é possível que o usuário encontre acesso para ajustes de temperatura do ar-condicionado, monitore estimativa de autonomia, tenha acesso a dados dinâmicos do veículo e rode apps próprios para cada automóvel.

2. Uso simples para usuários inexperientes

Sistemas como o OS7 da BMW são mais fáceis de usar do que o Auto e CarPlay — Foto: Divulgação/BMW

Configurar Android Auto e CarPlay no carro é um processo que pode não ser tão simples, especialmente para usuários iniciantes. No Android, é necessário baixar o app Auto, configurá-lo e confirmar as permissões. Além disso, usar ou não usar o cabo USB não é uma opção garantida a todos os usuários, afinal, existem versões do Android Auto que não funcionam sem fio.

Soma-se a isso o fato de que a qualidade de conexão e experiência de uso variam de acordo com o celular, que deve trazer uma versão recente do sistema operacional para funcionar bem.

Por fim, problemas na conectividade e ter o celular esquentando enquanto fica ligado no carro não são constantes em veículos com sistemas nativos. Não há tantas dificuldade entre o usuário e a plataforma, e o ato de interagir com o sistema fica 100% concentrado no automóvel.

3. Suporte adequado aos serviços de Google e Apple

Sistemas permitem instalar apps no carro — Foto: Divulgação/Volvo Polestar

Embora sejam diferentes de usar Android Auto e Apple CarPlay, sistemas para carros ainda assim têm ampla conectividade com produtos da Google e Apple – além da Amazon, já que a assistente Alexa é compatível com plataformas da Fiat, por exemplo.

Isso significa que, mesmo tendo um software integrado, você pode usar aplicativos do seu celular no veículo, algo vantajoso por trazer acesso a interfaces e recursos ajustados para o painel do veículo, com ícones grandes que facilitam a navegação enquanto dirige, além dos comandos de voz.

4. Pode ajudar na manutenção

Sistemas operacionais em carros permitem acompanhar de perto as condições do veículo — Foto: Divulgação/BMW

Sistemas operacionais nativos em automóveis também têm relevância em relação à manutenção. O VW Play, por exemplo, conta com um manual eletrônico de fácil acesso para quem não guarda a versão impressa no carro. O usuário também pode realizar agendamentos e receber alertas a respeito de revisões programadas e outros serviços na rede de concessionárias.

Dependendo do sistema, do modelo e da fabricante, o carro pode ter recursos mais avançados de diagnóstico. Isso possibilita gerar relatórios e avisar de forma mais precisa a respeito de problemas e pontos que precisam ser revistos. Em vez de uma luz misteriosa que acende no painel para avisar uma ampla gama de potenciais problemas mecânicos, mensagens de erro e alertas mais diretos podem ser exibidos na tela para que o usuário tenha uma ideia mais objetiva dos problemas.

5. Armazenamento próprio

Quando você roda CarPlay ou Android Auto no carro, os conteúdos e apps executados na tela do painel são, na verdade, instalados no seu celular. Na prática, isso significa que recursos do tipo acabam pesando na memória interna do aparelho e podem consumir frações importantes de espaço que você poderia aproveitar melhor com fotos, vídeos e apps para guardar no smartphone.

Já os sistemas operacionais embarcados contornam esse tipo de limitação porque, assim como em outros dispositivos conectados, chegam acompanhados de unidades de armazenamento interno de dados. No caso da Volkswagen, modelos com VW Play podem oferecer 10 GB de capacidade para que o usuário instale apps próprios para o carro, sem precisar sacrificar espaço disponível no celular.

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