Internet

Por Rodrigo Fernandes, para o TechTudo


Diversos aplicativos e serviços famosos estiveram envolvidos em polêmicas durante o ano de 2020. Entre as que mais repercutiram, está um bug no Facebook que exibia fotos de sexo explícito nas miniaturas de links, a denúncia de que o Twitter possuía um algoritmo racista e a descoberta de um bot que criava nudes falsos de mulheres e enviava pelo Telegram. A pandemia também foi tema de algumas polêmicas na Internet, como a criação de filtros para Instagram que “brincavam” com o coronavírus, e o site de traição que teve aumento no número de inscritos durante a quarentena.

Além disso, o Facebook também foi alvo dos holofotes quando grandes empresas cancelaram seus anúncios na rede social pedindo providências sobre discurso de ódio dentro da plataforma, e quando recebeu dois processos pela compra do Instagram e do WhatsApp. Confira, a seguir, as maiores polêmicas da Internet em 2020.

Veja polêmicas que repercutiram na Internet em 2020 — Foto: Divulgação/Unsplash

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1. Bug no Facebook mostrou sexo explícito

No mês de agosto, o Facebook virou notícia por exibir fotos de sexo explícito nas miniaturas que acompanhavam links no feed dos usuários. O bug fez com que as imagens fossem exibidas em publicações de sites legítimos, incluindo posts renomados veículos de imprensa e também em anúncios. Entretanto, ao clicar no link, o usuário era direcionado para a página correta, e não a um site adulto. Em nota, o Facebook reconheceu a falha e corrigiu o problema.

Bug no Facebook mostrou foto pornô em miniatura de links — Foto: Reprodução

2. Filtros de coronavírus no Instagram

Ainda no início da pandemia, no mês de março, alguns usuários criaram filtros no Instagram que "brincavam" com o coronavírus. Os efeitos utilizavam a tecnologia de realidade aumentada para aplicar máscaras no rosto dos usuários, colocar moléculas infecciosas no ambiente ao redor das pessoas ou exibir um jogo que definia se a pessoa ia morrer ou não de Covid-19.

Filtros brincam com pandemia do coronavírus e geram revolta no Instagram — Foto: Reprodução/Instagram

Diante da gravidade da situação, os filtros foram extremamente criticados por usuários de todo o mundo, que publicaram seu repúdio também nas redes sociais. Na época, o Facebook anunciou que removeu os filtros citados e passou a divulgar medidas informativas baseadas em fatos científicos sobre o vírus no Instagram.

3. Deepfake 'tirando a roupa' de mulheres no Telegram

A tecnologia deepfake ganhou notoriedade em 2020 por conta de vídeos engraçados envolvendo famosos e políticos, mas a técnica também foi usada para a prática de crimes. Em outubro, um bot hospedado no Telegram permitia fazer montagens e criar fotos de qualquer pessoa nua, tirando suas roupas das fotografias por meio do uso da tecnologia. Mais de 100 mil nudes fakes foram criados pela plataforma, e todas as vítimas eram mulheres.

Funcionamento do bot que gera nudes falsos no Telegram — Foto: Divulgação/Sensity.Montagem Raquel Freire

O esquema funcionava assim: o usuário enviava uma fotografia da vítima com roupas para o robô, que atendia em uma janela de conversa comum no Telegram. Em alguns minutos, o programa devolvia a mesma foto, mas com a pessoa sem roupas. O sistema usava aprendizagem profunda para prever como seria o corpo da mulher e então criar imagens realistas de suas partes íntimas. Procurado pelo TechTudo e por vários veículos de imprensa nacionais e internacionais, o Telegram não se pronunciou sobre o caso.

4. Site de traição fez sucesso na quarentena

O site de traição Ashley Madison conquistou grande número de novos usuários em 2020, especialmente após o início da quarentena provocada pela pandemia do coronavírus. Um dos países com maior índice de adesão foi o Brasil. Segundo um executivo da companhia, possíveis conflitos causados pelo isolamento podem ter influenciado a infidelidade das pessoas.

O site pode ser acessado por meio de diversas plataformas — Foto: Divulgação/ Ashley Madison

Até o mês de julho, a plataforma, que foi desenvolvida com o objetivo de ajudar pessoas comprometidas a marcarem encontros extraconjugais casuais, recebia 19 mil novos integrantes todos os dias, índice maior do que o esperado pelo site. Os Estados Unidos eram o país com maior número de novos inscritos no site em 2020, até que o Brasil alcançou o topo do ranking em outubro.

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5. Racismo no Twitter

O Twitter foi acusado de racismo por conta da sua ferramenta de corte inteligente de fotos. O recurso, que seleciona automaticamente padrões de destaque em imagens muito grandes para exibi-los nas miniaturas dos tuítes, sempre escolhia pessoas brancas e ignorava pessoas negras, independentemente da situação representada nas fotos. Diversos testes foram feitos pelos usuários com imagens de humanos, animais e até desenhos animados — em todos eles, os rostos negros eram ignorados pelo sistema.

Teste mostra como Twitter destaca pessoa branca em compridas postadas lado a lado — Foto: Reprodução/Twitter

O problema estaria no algoritmo da rede social, que utiliza machine learning para cortar as fotos automaticamente. Em comunicado, o Twitter revelou que fez testes de viés no sistema de inteligência artificial e que não encontrou evidências de preconceito. No entanto, a empresa reconheceu a existência do problema diante e se comprometeu a consertá-lo.

6. Falhas de segurança no Zoom

Um dos serviços de videochamada mais utilizados desde o início da pandemia para reuniões de trabalho, estudo ou encontros pessoais, o Zoom também esteve envolto em polêmicas, neste caso sobre a privacidade dos usuários. Em abril, um especialista em segurança digital acessou mais de 15 mil videochamadas gravadas pelos usuários no serviço de nuvem da plataforma, que não possuía proteção.

Zoom apresentou falhas de segurança nas videochamadas — Foto: Paulo Alves/TechTudo

Outro episódio mostrou que pessoas não autorizadas conseguiam entrar em reuniões particulares, com liberdade para compartilhar pornografia e distribuir malwares nos computadores dos participantes — foi por este motivo que o Zoom criou o recurso de “sala de espera”, para que o anfitrião pudesse autorizar ou bloquear o acesso de qualquer pessoa nas videoconferências.

O Zoom também teria compartilhado indevidamente dados pessoais de usuários do aplicativo para iPhone (iOS) com o Facebook, e também possuía uma brecha que permitia que criminosos sequestrassem o microfone e a webcam de computadores com macOS. A empresa se comprometeu a corrigir todos os problemas.

7. Boicote ao Facebook

Grandes empresas mundiais cancelaram ou suspenderam a veiculação de seus anúncios no Facebook, em um movimento coordenado que pretendia pressionar a rede social a remover conteúdos racistas e discurso de ódio dentro da plataforma. Marcas como Adidas, Coca-Cola, Heineken, Ford, Honda, Mozilla, Unilever, Puma e Colgate-Palmolive fizeram parte do grupo, que também pedia de volta o dinheiro investido na ferramenta, atingindo o principal meio de faturamento da rede social.

Entre as principais queixas das empresas, está a de que o Facebook não estaria moderando ou punindo com rigor pessoas que estivessem propagando ódio dentro da plataforma. As marcas não queriam ter sua imagem vinculada a posts que pregassem valores ligados à ideologia ultradireitista de supremacia branca, por exemplo.

Diante da situação, que aconteceu no mês de julho, Mark Zuckerberg prometeu tomar providências, sinalizando mais postagens e bloqueando publicações com conteúdos de ódio ou que reforcem os ideais racistas.

Facebook foi alvo de boicote de anunciantes — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

8. Facebook processado por monopólio ilegal

No início de dezembro, o Facebook voltou aos holofotes por conta de dois processos dos quais está sendo alvo. A rede social foi acusada de monopólio ilegal por ter comprado o Instagram, em 2012, e o WhatsApp, em 2014. Segundo a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos e 48 estados norte-americanos, responsáveis pela abertura dos processos, o conglomerado de mídia foi criado por Mark Zuckerberg com o objetivo de evitar o surgimento de novos concorrentes.

A Comissão solicitou que o acordo de compra das plataformas fosse desfeito, isto é, que o Facebook se desfizesse dos outros dois aplicativos. No entanto, o processo deve correr por um longo período. O Facebook se defendeu dizendo que a própria Comissão Federal de Comércio autorizou a aquisição anos atrás.

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