Por Filipe Garrett, para o TechTudo


A Memória RAM está presente em PCs, notebooks, celulares, tablets, consoles, smart TVs e basicamente qualquer dispositivo conectado atual. Sua função é armazenar informações de acesso frequente do sistema para acelerar a leitura desses dados, possibilitando que a execução de aplicativos e jogos ocorra mais rapidamente.

A pergunta "O que é memória RAM" apareceu na posição 11 em pesquisas no Google sobre computadores e eletrônicos em 2020, mostrando interesse de muitos usuários sobre o tema. O TechTudo preparou um guia para você conhecer mais o componente e como escolher o produto ideal.

Memória RAM é um componente presente em dispositivos eletrônicos — Foto: Divulgação/HyperX

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O que é memória RAM?

Memória RAM é um componente central em computadores, celulares e etc — Foto: Divulgação/HyperX

Memória RAM, ou simplesmente RAM (sigla, em inglês, para “memória de acesso randômico”), é um tipo de componente usado em computadores e outros dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets, consoles de videogame, relógios, smart TVs, etc. Sua função, basicamente, é guardar dados em uso pelo sistema, permitindo rápido acesso a essas informações sempre que necessário.

Designada como volátil, essa memória apenas retém informações enquanto há energia circulando. Se você desligar o computador, tudo que não está salvo em disco acaba eliminado da RAM. Sem esse componente, eletrônicos seriam muito mais lentos porque há uma enorme diferença de velocidade entre ler informações armazenadas no disco rígido – ou mesmo num SSD de alta qualidade – e a velocidade de acesso à RAM.

Para você ter uma ideia da amplitude dessa diferença, podemos normalizar um ciclo do processador – que levaria em média 0,3 nanosegundos (ns) – para um segundo. Se um ciclo da CPU consumisse esse tempo inteiro, o acesso à memória RAM levaria 43 segundos (ou 12,9 ns, na média). Seguindo na nossa escala, consultar informações no SSD de alta velocidade demoraria de dois a seis dias (entre 50 a 150 microssegundos). Ler informações no disco rígido mecânico comum, o HD, é uma tarefa que gastaria entre um a 12 meses! (1 a 10 milissegundos).

É por isso que a memória RAM é um componente sensível em qualquer tipo de dispositivo: questões relacionadas à sua velocidade, quantidade e tecnologia podem ter impacto decisivo no desempenho geral do computador, celular ou qualquer outro aparelho.

Posso usar pentes de memória RAM de tamanhos diferentes?

Um mito comum relacionado à RAM é o de que você não pode misturar pentes de memória de capacidades e velocidade diferentes no computador. No entanto, isso pode ser feito e o computador vai reconhecer normalmente.

Se você possui 4 GB de memória no computador e coloca um pente adicional com outros 8 GB, seu sistema irá dividir esse novo componente duas frações: uma com 4 GB, para funcionar em dual-channel com a RAM que você já possuía, reservando os 4 GB restantes para operar em um canal (single-channel).

Notebooks com parte da memória soldada podem dificultar o uso de pentes de memória de mesma capacidade — Foto: Reprodução/iFixIt

Esses canais são relacionados à forma como um computador acessa a memória e sistemas dual-channel são preferíveis porque são mais rápidos. Por isso, o ideal é combinar produtos do mesmo tamanho e especificações – em vez de um pente de 8 GB, o mais correto para melhor performance seria investir numa nova unidade de 4 GB.

Em algumas situações, a perda de desempenho por uso de pentes de capacidades diferentes pode compensar. Se o computador tem memória RAM soldada, como é o caso de vários notebooks, pode ser difícil – ou não muito interessante – equiparar a quantidade original de memória e, num caso assim, mais vale 12 ou 20 GB totais do que 8 ou 16 GB.

Aumentar a quantidade de memória RAM é importante?

Aumento de quantidade de memória é uma forma de melhorar a performance do computador — Foto: Divulgação/Lenovo

Sim, e mesmo que você use pentes diferentes. Isso ocorre por conta da forma como a maioria dos softwares são desenvolvidos: geralmente, desenvolvedores definem limites de acesso de memória por porcentagens da quantidade de RAM disponível.

Como exemplo, vamos imaginar um editor de imagens pesado, como o Photoshop, que é programado para ocupar 25% de toda memória RAM disponível no sistema. – ou seja, aquela que já não está ocupada. Em um computador de 4 GB com 3 GB livres isso representa 750 MB. Já em um sistema com 8 GB e 6,5 GB livres, o mesmo programa ocuparia 1,6 GB.

Na prática, isso faz com que o programa acesse uma quantidade de memória muito maior no computador de 8 GB, permitindo que seja executado mais rapidamente do que seria no computador com menos RAM. É por isso que recomendações de aumento de total de memória são tão comuns e geralmente fazem sentido.

Qual é a diferença de DDR3 para DDR4?

DDR3 e DDR4 são gerações diferentes de memória RAM e que, embora sigam basicamente as mesmas premissas de design, são incompatíveis entre si, com um slot não funcionando em outro.

Além da incompatibilidade, as duas gerações diferem em aspectos técnicos importantes. Memória DDR4 é mais eficiente e gasta menos energia, além de ser capaz de atingir velocidades maiores (a partir de 1.066 MHz).

A capacidade é a única especificação importante?

Além da capacidade, outros fatores decisivos para maior compatibilidade e performance são a velocidade específica do componente, bem como sua origem.

Pentes de RAM possuem uma velocidade interna referente à medida da rapidez com que conseguem acessar ou gravar dados. Isso vai variar bastante, mas é geralmente definida em faixas, como 2.100 MHz, 2.400 MHz ou 3.200 MHz, por exemplo.

Componentes de velocidades diferentes podem funcionar normalmente na máquina. A única restrição é que o sistema irá adotar a faixa comum entre os dois: se você misturar unidades de 3.200 MHz e 2.400 MHz, seu computador vai trabalhar com velocidades de 2.400 MHz.

Equalizar a velocidade dos pentes em uso no computador é importante para a maior performance possível — Foto: Divulgação/XPG

É comum que a placa-mãe ofereça limite para memória. Se a restrição for para memória RAM de até 1.333 MHz, esse será o máximo do sistema, independente da especificação interna dos pentes.

Por fim, outro detalhe importante é a marca e modelo da RAM. Em casos raros, misturar unidades de fabricantes diferentes pode causar falhas graves que impedem até mesmo o sistema operacional de ser carregado ao ligar o PC. Se possível, combine pentes de mesma especificação e marca.

Limpar a memória RAM deixa mais rápida?

Há um velho mito de que você deve limpar a RAM de tempos em tempos para garantir maior desempenho no PC ou celular, inclusive com acesso a apps que prometem realizar essa função, liberando espaço para deixar o sistema funcionando mais rápido e fluído.

Isso é um mito e é até contraproducente. A função do componente não é ficar em vazio, pelo contrário: memória ociosa é desperdiçada e é por isso que, geralmente, os sistemas operacionais buscam ocupar o máximo possível da RAM seguindo o raciocínio de que é muito melhor ocupa-la com tudo que pode ser necessário nos próximos instantes do que levar muito tempo indo consultar informações no disco.

Limpar memória RAM não tem muito efeito na performance geral do sistema — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Quando você usa um app que “limpa” a memória, o software vai eliminar um volume grande de dados que seu computador ou celular podiam acessar em alguns instantes, introduzindo aí um delay no processo, caso essas informações precisem ser recuperadas do armazenamento interno do dispositivo.

Não se assuste com estatísticas do seu sistema que dizem que seu computador está com muita memória ocupada. Diferente do seu SSD ou HD, a RAM é 'esperta' o suficiente para administrar os dados armazenados e consegue classificar com uma boa margem de precisão o que é importante guardar e o que pode ser eliminado.

Além disso, mesmo que a memória RAM acabe enchendo perto do limite, o sistema operacional possui algumas medidas para aliviar essas situações, usando aquilo que se chama de memória virtual. Windows 10, macOS, Linux, Android, iPhone (iOS) e outros sistemas, todos, funcionam reservando uma parcela do armazenamento do aparelho para usar como um tipo de apoio para a RAM, caso ela seja esgotada.

Existe diferença entre memória RAM de computador (PC) e de notebook?

Memória para notebook tem dimensões físicas menores e formato diferente do pente para desktop — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

A principal diferença do ponto de vista do consumidor é o tamanho físico: pentes de memória para notebooks usa o formado SODIMM (ou SO-DIMM), menor do que o pente que encaixa nos slots para desktops.

Outra diferença existente entre a RAM para notebooks e para PC de mesa diz respeito à voltagem necessária para funcionar. Portáteis, como laptops e celulares, são mais sensíveis ao consumo de energia por conta da necessidade de poupar bateria. Nesses dispositivos, a memória é de menor consumo e geralmente aparece designada como “LPDDR4” ou “LPDDR5”, em que esse “LP” vale para “baixa potência” (“low power”, no inglês).

Qual o máximo de RAM que um computador suporta?

Mac Pro 2019: até 1,5 TB de memória RAM com ECC — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

O que determina quanta memória RAM um computador aceita é uma combinação de especificações da placa-mãe, que precisa controlar o acesso à memória, e do processador, que é o componente responsável por acessá-la diretamente. PCs mais parrudos do momento batem em 128 GB máximos, mas é questão de tempo para que workstations capazes de 256 GB ou mais comecem a aparecer no mercado.

Computadores como o Mac Pro da Apple já podem ser configurados com 1,5 TB (terabytes) de memória. Entretanto, máquinas do tipo não são destinadas ao consumidor final e usam um tipo de RAM com ECC, recurso que corrige erros automaticamente e é reservado para versões de DDR4 disponíveis para servidores.

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