Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Cyberpunk 2077, SimCity 5, Fallout 76 e Marvel’s Avengers chegaram ao mercado com a promessa de jogabilidade diferenciada, tecnologia de ponta e uma experiência única. No entanto, esses jogos fracassaram em honrar a expectativa dos fãs, com lançamentos tumultuados e conteúdo distante do que foi prometido. O TechTudo separou sete games que decepcionaram o público e os motivos para a frustração.

Cyberpunk 2077 chegou em dezembro de 2020 com inúmeros bugs e travamentos — Foto: Divulgação/CD Projekt Red

1. SimCity 5

SimCity 5 era aguardado por 10 anos, mas os problemas fizeram com que ele desse espaço ao jogo Cities Skylines — Foto: Divulgação/Maxis

Sequência de uma adorada série de games de construção de cidades e estratégia em tempo real, SimCity 5 chegou em março de 2013 com a missão de reviver a franquia depois do hiato de dez anos do lançamento do último jogo. Mais ambicioso, o título usava um novo motor gráfico, prometia simulação mais aprofundada da vida em uma cidade e até continha um modo multiplayer.

Não demorou muito para que problemas sérios comprometessem a imagem de SimCity 5. Originalmente, o game exigia uma conexão com a Internet para funcionar, mas no lançamento não haviam servidores suficientes para dar conta da demanda, impedindo quem tinha o game de acessá-lo normalmente.

A má impressão com o lançamento e com o jogo em si, longe do que havia sido prometido, foram tão grandes que a série deu espaço ao game Cities Skylines, que hoje domina o gênero de construção de cidades.

2. Cyberpunk 2077

Cyberpunk 2077 prometia um grande lançamento, mas chegou com muitos erros — Foto: Divulgação/CD Projekt RED

Apresentado como um RPG de mundo aberto de proporções épicas, história envolvente e NPCs interativos com rotinas diárias reais, Cyberpunk 2077 virou um dos jogos mais esperados da década. Muito da expectativa em torno do título teria origem no sucesso da desenvolvedora CD Projekt Red com The Witcher 3, reconhecido como um dos melhores jogos da última década.

A grande promessa de Cybrepunk 2077 logo se mostrou vazia: o jogo não apresentava o grande nível de avanço técnico prometido pelos desenvolvedores e não tinha uma série de características de jogabilidade mostradas em trailers. Além disso, o lado RPG não agradou e contou com uma história que é mais focada em ação em mundo aberto do que na narrativa complexa e de múltiplas escolhas típicas do gênero.

Para completar, o jogo apresentou performance decepcionante em Xbox One e PlayStation 4 (PS4), com problemas de estabilidade gerais e diversos bugs, o que motivou programas de ressarcimento a jogadores insatisfeitos da Microsoft e Sony.

3. Fallout 76

Fallout 76 teve começo ruim, mas estado atual do jogo é muito superior — Foto: Reprodução/TechTudo

Anunciado em maio de 2018, Fallout 76 pegou fãs da série de RPGs de surpresa com o anúncio de que, ao contrário dos jogos anteriores, o game dispensaria um modo single-player convencional e seria centrado em gameplay multiplayer. Um abaixo-assinado para a inclusão do modo para um jogador de chegou a circular, mas outros abraçaram a iniciativa e Fallout 76 virou um dos games mais esperados do ano.

No lançamento, o jogo apresentava problemas graves de performance, com travamentos constantes e bugs que, se por um lado eram hilários, por outro comprometiam completamente a experiência dos jogadores. Além de não funcionar da forma esperada, Fallout 76 foi muito criticado por conta da falta do que se fazer no game: sem NPCs, com quests simples demais e poucos atrativos, o RPG online da Bethesda teve uma chegada extremamente atribulada.

4. Anthem

Anthem foi uma tentativa de reproduzir o sucesso de Destiny e Destiny 2 — Foto: Divulgação/EA

Havia muita expectativa em torno de Anthem: fruto das mãos competentes da BioWare, esperava-se que o jogo oferecesse uma história rica e complexa, marcas da trilogia Mass Effect criada pela desenvolvedora. Mais que isso, o game seria uma espécie de resposta da Eletronic Arts a Destiny, oferecendo as mecânicas de jogabilidade que viraram um grande sucesso para a série da Bungie. Os principais destaques foram a gameplay com atividades para um ou mais jogadores, enfoque no aspecto comunitário, e nas mecânicas “looter-shooter”, ou seja, para acumular itens ao derrotar inimigos.

Talvez as expectativas em torno de Anthem tenham sido altas demais. Embora o jogo tenha sido bem recebido em se tratando de gráficos e jogabilidade, foi questão de pouco tempo para que jogadores percebessem quão pouco conteúdo o game oferecia: sem muito o que fazer, quem desejasse progredir no universo de Anthem precisava repetir as mesmas atividades à exaustão. História genérica e de entrega inconsistente pelo jogo, também foram alvos de críticas recorrentes.

Houve um esforço da BioWare em corrigir os problemas do jogo e trazer mais conteúdo para a experiência, algo que ocorreu em alguma medida. Entretanto, a EA, responsável pela distribuição do jogo, decidiu encerrar a evolução de Anthem, admitindo o fracasso na criação do novo Destiny.

5. All Points Bulletin

Antecessor de GTA Online, APB: Reloaded continua em atividade — Foto: Reprodução/MrExotic

All Points Bulletin, ou simplesmente APB, foi mais uma tentativa ousada de explorar o sucesso de GTA. A ideia era oferecer, ainda em 2010, uma experiência completamente multiplayer em mundo aberto, muito semelhante ao que GTA Online se tornaria anos mais tarde.

No lançamento, nem tudo deu certo: a crítica reclamou que toda a promessa de uma metrópole dividida entre criminosos e policiais em ação frenética ficou distante da realidade, com poucas atividades para os jogadores participarem. Outros problemas apontados foram a gameplay que parecia ainda em desenvolvimento e controles imprecisos. APB deu errado e durou poucos meses no mercado, com o game sendo efetivamente tirado do ar no fim de 2010.

Em 2011, foi lançada uma nova versão do jogo, chamada APB: Reloaded, que corrigiu grande parte dos problemas e expandiu em muito a promessa de um MMO de GTA. Em um primeiro, o game chegou para PCs e anos depois para Xbox One (2016) e PS4 (2017).

6. Marvel's Avengers

O sucesso dos Vingadores e das franquias da Marvel no cinema gera a expectativa de que seus produtos são feitos com grande qualidade e estão longe do fracasso. Entretanto, Marvel’s Avengers (2010) mostra que é possível errar na dose e que nem tudo que funciona no cinema vai encaixar perfeitamente em um jogo – algo que os desenvolvedores que lançaram Superman para Nintendo 64 sabe muito bem.

Embora não seja um jogo ruim, Avengers ficou distante das expectativas — Foto: Reprodução/Rafael Monteiro

Seguindo o modelo “jogos como um serviço” (ou “GaaS”, na sigla em inglês), Avengers aposta em oferecer conteúdo e modos de jogo sempre em evolução para manter os jogadores engajados o tempo todo, em mais uma tentativa de repetir o sucesso de Destiny. Com queda de 96% dos jogadores já no lançamento, há várias teorias a respeito do porquê Avengers deu errado: personagens que parecem genéricos – sem acompanhar a aparência física das estrelas do cinema nos filmes, história superficial e conteúdo repetitivo foram as principais queixas.

Outro ponto é o próprio formato GaaS: hoje não mais uma novidade, o público entende que games desse tipo exigem quantidade enormes de tempo e dedicação. No entanto, uma parte dos jogadores simplesmente prefere ignorar games que seguem esse formato, seja pela indisponibilidade de tempo, ou por preferir outros títulos, como Destiny 2, Call of Duty Warzone, The Division 2 e Fortnite.

7. Fast & Furious: Crossroads

Jogo de Velozes & Furiosos pareceu genérico demais e não repetiu o sucesso dos filmes — Foto: Divulgação/Slightly Mad Studios

Mais uma tentativa de encaixar uma série de filmes em games, Fast & Furious: Crossrodas teve lançamento bem fraco, não agradou aos fãs da franquia das telonas e o público casual interessado em jogos de corrida do tipo arcade. Como o game teve um ciclo pré-lançamento de divulgação tímido, pouco se sabia a seu respeito, o que pode ser um dos responsáveis por fãs do filme esperarem muito mais do jogo.

Em termos práticos, o título para PS4, Xbox One e PCs, lançado em agosto de 2020, consiste basicamente em um tipo de prévia de cinco horas de gameplay de um novo filme. O jogo foi criticado pelos controles ruins, gameplay que não diverte e pela incapacidade de reproduzir o impacto, manobras e acrobacias que desafiam a física e são a marca registrada dos filmes. De positivo fica, no entanto, o registro de que, diferente de Avengers, o game usa o elenco original do cinema na dublagem dos personagens.

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