Bitcoin e moedas virtuais

Por Paulo Alves, para o TechTudo


Dogecoin é uma criptomoeda que surgiu como uma brincadeira, em 2013, ganhando a atenção de investidores. Em 2021, a moeda digital ganhou o noticiário após disparar de preço e alcançar uma valorização de 14.000%, impressionante até mesmo para o mercado de criptoativos, conhecido por sua alta volatilidade.

A alta foi suficiente para destacar a Dogecoin — ou DOGE, seu código de negociação —, especialmente após o surgimento de diversas histórias de pessoas que se tornaram milionárias da noite para o dia. Entenda, a seguir, como funciona a criptomoeda e suas especificidades de mercado.

Dogecoin: riptomoeda surgiu como brincadeira e disparou 14.000% em 2021 — Foto: Divulgação/Dogecoin

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O que Dogecoin é e como surgiu?

Dogecoin é uma moeda digital construída a partir de um código aberto na blockchain, criada em 6 de dezembro de 2013 por dois programadores, Billy Markus e Jackson Palmer, com a intenção de desenvolver uma moeda diferente do Bitcoin (BTC).

A ideia surgiu após uma uma brincadeira, começando pelo nome, que faz referência a um meme viral que é composto por um cachorro da raça japonesa Shiba Inu. Por esse motivo, a DOGE é chamada de criptomoeda meme, a primeira de muitas que chamaram a atenção neste ano.

A criptomoeda, assim como a maioria das milhares que existem no mercado, não tem lastro algum e o seu valor é atribuído somente ao tamanho da adoção. Quanto mais as pessoas se interessam por ela, mais o seu valor sobe.

Por um lado, a adoção depende de um aspecto especulativo e, por outro, da sua utilização no mundo real. Por enquanto, o segundo item não vem dando muito certo para a Dogecoin, apesar de algumas empresas nos Estados Unidos já a aceitarem como forma de pagamento para produtos e serviços. É o caso, por exemplo, do time da NBA Dallas Mavericks, que aceita a moeda digital na sua loja oficial.

Como funciona a Dogecoin?

A Dogecoin funciona de forma semelhante a outras criptomoedas já conhecidas. Além de código-fonte aberto, que permite que qualquer pessoa tenha acesso gratuito, a DOGE é uma moeda descentralizada, com blockchain disponível em vários computadores e de funcionamento peer-to-peer (P2P). Sendo assim, não envolve um servidor ou autoridade central únicos para autenticar as transações.

Mais especificamente, a Dogecoin é uma moeda que pode ser minerada utilizando os mesmos equipamentos destinados à mineração de Litecoin (LTC), uma das criptomoedas mais antigas, e com a qual a DOGE compartilha o mesmo algoritmo.

Taxas e preço de mercado

No começo deste ano, a Dogecoin era negociada a meio centavo de dólar, mas disparou 14.000% e alcançou US$ 0,73 em maio. Atualmente, mesmo após forte queda, o criptoativo ainda custa US$ 0,24, aproximadamente R$ 1,24 na conversão atual, com valorização acumulada de 4.700% em 2021.

Um dos responsáveis pelo fenômeno foi o bilionário Elon Musk, que passou a apoiar a moeda digital publicamente e provocou um forte salto de 50% no seu valor em fevereiro. O movimento ocorreu pouco antes de a Tesla, empresa na qual Musk é CEO, anunciar a compra de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões) em Bitcoin e entrar de vez no ramo das criptomoedas.

Musk defendeu que a Dogecoin seria uma alternativa mais barata para quem quer entrar no mundo das criptomoedas, muito embora o próprio Bitcoin permita comprar frações com pouco dinheiro. Atualmente, é possível comprar Bitcoin no Brasil por R$ 50 em corretoras ou por R$ 11, diretamente na bolsa de valores, por meio de um fundo de índice (ETF).

Entretanto, uma vantagem para a Dogecoin está nas taxas de rede. Usadas para recompensar mineradores que trabalham na verificação das transações e melhoram a segurança da blockchain, elas são consideradas baixas na comparação com diversas criptomoedas. Em tese, isso facilitaria seu uso como meio de pagamentos, especialmente na compra de artigos de baixo valor.

Diferenças para Bitcoin

As taxas representam uma das diferenças vantajosas da Dogecoin frente ao Bitcoin. Enquanto a blockchain do BTC chegou a cobrar uma média de US$ 60 por transação durante as máximas de preço vistas em abril, a rede da Dogecoin cobrou, no máximo, cerca de US$ 2,5 por operação no pico de 2021, registrado em maio.

A criptomoeda meme também é melhor que o Bitcoin em tempo de confirmação de transação. Enquanto a principal moeda digital do mundo leva dez minutos para obter uma confirmação, a Dogecoin realiza o procedimento em apenas um minuto.

Bitcoin: um dos tipos de criptomoeda digital mais conhecidos no mundo — Foto: Divulgação/FISL

Por outro lado, a Dogecoin é constantemente criticada por sua excessiva centralização, algo visto como perigoso por especialistas. Ao contrário do Bitcoin e do Ethereum, a segunda maior criptomoeda por valor de mercado, existem algumas poucas carteiras contendo bilhões de moedas DOGE. Esses usuários são conhecidos como baleias.

O receio da comunidade é que uma dessas baleias possa, em dado momento, se desfazer de seus ativos quando a criptomoeda atingir um determinado valor, o que ocasionaria num derretimento imediato de preços, deixando a maioria dos compradores com moedas sem valor. Um único endereço conta com 36,7 bilhões de DOGE, o equivalente a 28% de todas as unidades do mercado, segundo o BitInfoCharts.

Outra diferença positiva para o Bitcoin está na quantidade de unidades disponíveis. A Dogecoin tem mais de 130 bilhões de moedas em circulação e sua oferta é ilimitada, o que significa que ela poderá ser minerada para sempre. Já o Bitcoin tem oferta máxima definida em 21 milhões de unidades, algo visto como positivo para o preço, uma vez que a escassez tem o potencial de valorizar um ativo com alta adesão.

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