Redes sociais

Por Raquel Freire, para o TechTudo


O Twitter faz 15 anos nesta quinta-feira (15). Lançado em 15 de julho de 2006, o microblog revolucionou a comunicação — primeiro em 140 caracteres, e depois de várias formas, incluindo imagens, vídeos, GIFs. O responsável por popularizar as hashtags encurtou a distância entre empresas e consumidores, cidadãos e políticos, desempenhando papel central em campanhas eleitorais e manifestações populares ao redor do mundo.

O microblog foi fundado por Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone, embora tenha sido Noah Glass quem veio com o nome "Twitter". Inspirado pelos serviços de SMS, o Twitter foi criado pensando nos telefones celulares — não apenas os atuais comandantes Android e iPhone (iOS), mas também os BlackBerry, tão populares na época —, embora tenha sempre contado com versão web. Veja, a seguir, dez fatos interessantes sobre o Twitter nesses 15 anos de história.

Twitter faz 15 anos; veja dez curiosidades sobre a rede social — Foto: Luana Antunes/TechTudo

O que é Twitter e para que serve? Veja respostas no Fórum do TechTudo

1. Estreia como 'twttr'

Numa sessão de brainstorm, os fundadores pensaram em uma série de nomes que pudessem traduzir a ideia de enviar e receber atualizações de qualquer lugar. Eles queriam transmitir a sensação de que o usuário estaria "zumbindo no bolso do seu amigo", e um dos nomes que surgiram foi "twitch" (que pode ser traduzido como contração ou vibração).

O problema era que, a visão dos criadores, "twitch" não evocava uma imagem certa sobre o que se tratava a plataforma e, por isso, foi desconsiderado. O próximo passo foi buscar palavras relacionadas no dicionário, e eles se depararam com "twitter".

"Era simplesmente perfeito. A definição era 'uma breve explosão de informações inconsequentes' e 'gorjeios de pássaros'. Isso é exatamente o que o produto era", contou Jack Dorsey em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times.

No entanto, o domínio twitter.com já estava registrado por um admirador de pássaros. Inspirados nos códigos de SMS americanos, compostos por cinco caracteres, e no Flickr, que estava em alta na época, os criadores batizaram então a plataforma de "twttr". Ela ficou com esse nome por seis meses, até que os fundadores tiveram segurança de que o produto teria sucesso e resolveram investir na compra do domínio twitter.com.

Visual da primeira versão do Twitter, ainda sob nome 'twttr' — Foto: Reprodução/Twitter

2. Primeiro tuíte

A primeira publicação no Twitter foi feita pelo idealizador Jack Dorsey. Postado no dia 21 de março de 2006, o tuíte traz a mensagem "apenas configurando meu twttr" ("just setting up my twttr" no texto original, em inglês), como forma de estrear e testar a plataforma. A publicação ainda pode ser acessada no microblog (twitter.com/jack/status/20).

Primeiro post do Twitter, feito pelo fundador Jack Dorsey — Foto: Reprodução/Twitter

Apesar da trivialidade do conteúdo, o tuíte foi vendido em março deste ano por quase US$ 3 milhões (mais especificamente US$ 2.915.835,47, o equivalente a R$ 14,8 milhões, pela cotação atual da moeda americana). O post foi leiloado como NFT — sigla de non-fungible token, traduzido como token não fungível —, token criptográfico normalmente usado para comercialização de itens digitais únicos, como arte.

O post foi posto a leilão em 5 de março, na plataforma Valuables by Cent, especializada em vender tuítes "autografados por seus criadores originais". O comprador foi Sina Estavi, CEO da empresa de blockchain Bridge Oracle.

3. Abertura do capital

O sucesso do Twitter em seus primeiros anos foi avassalador e, em 2013, a empresa abriu seu capital na bolsa de Nova York. No dia de estreia, 7 de novembro, as ações foram lançadas com oferta pública inicial de US$ 26, o maior IPO entre as empresas de tecnologia dos Estados Unidos desde a abertura de capital do Facebook em 2012, a US$ 38.

Depois de algumas oscilações, os papéis fecharam o dia com preço na casa dos US$ 45 (R$ 104 na época e R$ 229 atualmente). A empresa alcançou então valor de mercado de US$ 31 bilhões, equivalente a R$ 71 bilhões em 2013. Hoje, a ação do Twitter na bolsa de Nova York (TWTR) está em torno de US$ 70 (cerca de R$ 356) e seu valor de mercado é de US$ 44 bilhões (R$ 223,8 bilhòes).

4. Twitter lançou Vine e Periscope

O Twitter foi o "pai" do Vine, rede social de vídeos curtos que permitia criar clipes em looping. É verdade que ele não foi exatamente o criador: o Vine foi fundado em junho de 2012, mas o Twitter comprou o serviço apenas três meses depois, ainda antes do lançamento oficial, que aconteceu em 2013.

Numa época anterior a TikTok e similares, o Vine inovou com a possibilidade de criar conteúdos engraçados e de maneira rápida. Embora fosse do Twitter, ele funcionava como uma rede social independente. A plataforma foi encerrada em 2017 e transformada no Vine Camera, app que manteve as funcionalidades, mas atrelado ao microblog.

O Periscope, que popularizou a transmissão de vídeos em tempo real, também pertencia ao Twitter. Ele foi comprado em 2015 e ficou seis anos funcionando sob a marca. O serviço saiu do ar definitivamente em março deste ano, em ação motivada pela queda brusca na utilização.

Periscope foi um dos serviços do Twitter que popularizaram recursos hoje presentes em apps rivais — Foto: Marvin Costa/TechTudo

5. Mudanças na logomarca

A primeira logomarca, ainda sob o nome "twttr", não tinha nada em comum com o pássaro que conhecemos hoje. Havia apenas a palavra sem vogais, escrita em dois tons de verde com gotículas escorrendo, além de uma espécie de espirro no "r". Na ocasião do lançamento oficial, em julho de 2006, as vogais já apareciam em um design bem mais limpo, com o azul característico até os dias atuais.

Primeiras logomarcas do Twitter, antes e depois do lançamento oficial, em julho de 2006 — Foto: Reprodução/Creative Bloq

O icônico passarinho só foi aparecer em setembro de 2010. Batizado de "Larry the Bird", em homenagem Larry Bird, ex-jogador de basquete da NBA, o primeiro pássaro trazia uma plumagem na cabeça, além de linhas gerais um pouco diferentes do desenho atual.

Primeira logo com passarinho do Twitter — Foto: Reprodução/Creative Blog

O pássaro original durou até junho de 2012, quando foi substituído por uma versão sem o "topete". As plumas das asas também foram simplificadas, sendo formadas por três círculos sobrepostos, conforme explicou o designer Douglas Bowman. A nova versão também foi rebatizada, abandonando o nome "Larry the Bird" e tornando-se apenas "Twitter Bird".

Twitter Bird, segundo desenho do pássaro do microblog — Foto: Reprodução/Twitter

Em janeiro deste ano, a plataforma mudou mais uma vez a logomarca. O pássaro continua idêntico, mas o fundo foi substituído por uma imagem com textos e códigos. A ideia é passar a "complexidade, fluidez e poder das conversas hoje", nas palavras da diretora de marketing do Twitter, Leslie Berland.

Versão de 2021 da logomarca do Twitter — Foto: Divulgação/Twitter

6. Caracteres por postagem

O Twitter foi conhecido como "a rede de 140 caracteres" por muitos anos. Depois de muita pressão, o microblog aumentou o limite para 280 caracteres — exceto para usuários dos idiomas japonês, coreano e chinês.

Na época, a estatística do site apontava que 9% dos tuítes em inglês e 3,5% em português atingiam 140 caracteres. Segundo publicação oficial do microblog, o esforço de encaixar um pensamento nesse espaço fazia com que muitas pessoas perdessem tempo na edição ou mesmo desistissem de postar. Com a mudança para 280 toques, apenas 1% dos tuítes chegava ao limite.

Total de tuítes que atingem o máximo de caracteres reduziu — Foto: Divulgação/Twitter

O limite de 140 caracteres veio da inspiração da plataforma nos serviços de SMS. Em 2006, a maioria dos celulares permitia textos de 160 caracteres antes de dividir as mensagens. Para garantir que as mensagens fossem entregues na íntegra, os desenvolvedores reservaram 20 caracteres para o nome de usuário e deixaram 140 para o conteúdo.

7. Contas mais seguidas

Com 129,7 milhões de seguidores, o ex-presidente Barack Obama possui o perfil mais seguido no Twitter. A conta, criada em 2007, soma mais de 16 mil tuítes e segue 590 mil perfis de volta.

Ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama tem 129,6 milhões de seguidores no Twitter — Foto: Reprodução/Twitter

Os perfis que formam o top 5 em número de seguidores no Twitter são:

  1. Barack Obama: 129,6 milhões
  2. Justin Bieber: 113,8 milhões
  3. Katy Perry: 108,8 milhões
  4. Rihanna: 102,5 milhões
  5. Cristiano Ronaldo: 92,8 milhões

8. Conversas de áudio ao vivo

No final de 2020, a plataforma introduziu o Spaces, recurso similar ao Clubhouse que permite criar salas de bate-papo por voz ao vivo. A funcionalidade está disponível no app para Android e iPhone, e permite que as pessoas se comuniquem com seus seguidores de maneira ainda mais intimista.

Apenas algumas contas podem criar os "espaços", mas todos os seguidores podem entrar na sala. O anfitrião consegue definir quais usuários podem falar, podendo selecionar qualquer participante ou apenas convidados.

Spaces é uma seção à parte do app para conversar por voz — Foto: Divulgação/Twitter

9. Contas verificadas

Ter uma conta verificada no Twitter sempre foi um desejo de vários usuários. Desde maio, o check azul pode ser solicitado por qualquer usuário que se encaixe nas categorias "instituições governamentais e líderes", "jornalistas e veículos de imprensa", "empresas e marcas", "artistas", "atletas" e "ativistas".

Conta verificada no Twitter pode ser solicitada por qualquer usuário por meio de formulário — Foto: Helito Beggiora/TechTudo

As solicitações são feitas por meio de formulário. O novo modelo estabelece outros critérios para concessão do selo azul. O usuário precisa ser ativo na plataforma, ter notoriedade e possuir perfil completo, com nome e foto, além de outras exigências.

Até então, os pedidos de verificação estavam pausados. A suspensão foi feita em 2017, depois que o microblog recebeu muitas críticas sobre os critérios para conceder o selo.

10. Fim dos Fleets

Nesta quarta-feira (14), o Twitter anunciou o fim dos Fleets, recurso similar ao Instagram Stories que funcionava no app. A funcionalidade será desativada no dia 3 de agosto pela rede social, que apontou baixa adesão entre os usuários. "Esperávamos que o recurso pudesse tornar a experiência de compartilhar ideias e opiniões momentâneas mais confortável", explicou o vice-presidente de produtos do Twitter, Ilya Brown.

Fleets, do Twitter, chegará ao fim — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

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