Roteadores

Por Filipe Garrett, para o TechTudo

Divulgação/Google

Confundir velocidade em "megas" com "megabytes por segundo", nunca atualizar o roteador e instalar equipamentos em locais contraindicados são alguns erros comuns com o Wi-Fi. A seguir, o TechTudo traz essas e outras práticas relacionadas a configuração, uso e manutenção de redes sem fio que podem comprometer a velocidade da sua internet.

Sete erros comuns sobre Wi-Fi que as pessoas cometem — Foto: Pond5

1. Velocidade em "megas"

É comum associar a velocidade em "megas" do plano de Internet com a ideia de "megabyte", uma unidade de medida comum no cotidiano para se referir ao tamanho de um arquivo. Nessa leitura equivocada, contratar um plano de "100 megas" com a operadora equivaleria a uma conexão de Internet com largura de banda de 100 MB/s (megabytes por segundo).

A questão é que o seu plano de internet é medido em outra escala. A largura de banda — móvel ou fixa — é medida em megabits (Mb), cuja relação de equivalência com o megabyte (MB) é medida em oito para um. Em resumo, cada megabyte vale oito megabits: um plano de Internet de 100 "mega" equivale à velocidade de 12,5 megabytes por segundo.

Velocidade em "megas" da sua operadora não equivale aos megabytes que você está mais acostumado — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Dependendo da característica da infraestrutura que a operadora oferece, qualidade de serviço e questões locais, como a instalação da rede na residência e tipo de equipamentos envolvidos, é provável que os resultados vistos sejam inferiores aos 12,5 megabytes contratados em testes de velocidade.

Se o teste retornar resultado medido em megabytes, em vez dos megabits efetivamente contratados, é possível que o consumidor ache que há problema na rede ou que a operadora está muito longe de oferecer o serviço adequado. Vale ficar atento.

2. Deixar a senha padrão de acesso ao roteador

Trocar login e senha padrão das configurações do roteador evita ataques na rede — Foto: Reprodução/Raquel Freire

Outro erro comum é o hábito de não mudar a senha de administrador do roteador que providencia acesso aos dispositivos. Por padrão, esses aparelhos podem sair de fábrica com uma senha comum a todos eles e bastante genérica. Caso não seja alterada pelo consumidor, ela acaba virando porta de entrada para invasores, sejam eles simplesmente curiosos, eventuais vizinhos com acesso à sua internet, ou mesmo criminosos.

O procedimento para alterar a senha interna do roteador varia de modelo a modelo e, principalmente, de fabricante a fabricante. Equipamentos mais modernos, com plataformas de gerenciamento mais avançadas em apps para celulares, tendem a facilitar esse tipo de correção de olho no aumento da segurança.

3. Nunca reiniciar o roteador

É interessante reiniciar o aparelho de vez em quando — Foto: Reprodução/Thiago Rocha

Um roteador é um tipo de computador extremamente especializado: ele tem capacidade de entrada e saída de dados, comunicação com o mundo externo, permite interação com um operador, tem seu processador interno, memória RAM etc. Como todo computador, ele está sujeito a fatores que degradam sua performance com o tempo.

Em roteadores mais simples e antigos, o hábito de reiniciar o equipamento ou desligá-lo quando não estiver em uso pode ser suficiente para reestabelecer conectividade de rede mais estável e rápida. Além disso, deixar o equipamento desligado ajuda a prolongar a vida útil, além de economizar energia elétrica.

4. Mal posicionamento de roteadores/repetidores no ambiente

Um melhor posicionamento do roteador pode melhorar o alcance da rede e mesmo a velocidade — Foto: Luciana Maline/TechTudo

O sinal de rede Wi-Fi nada mais é do que um sinal de rádio de curto alcance e que, por uma série de questões físicas, encontra grande dificuldade em superar alguns tipos de obstáculos, sobretudo lajes, paredes mais reforçadas e corpos. Por isso, é interessante que, em caso de má cobertura e instabilidade de sinal a curtas distâncias, o usuário reavalie o posicionamento do roteador em busca de um local mais privilegiado.

Outro detalhe relevante é que roteadores no geral — especificamente modelos limitados a redes de 2,4 GHz (802.11n, ou Wi-Fi 4) — são muito suscetíveis a interferências de espectro: a frequência de 2,4 GHz é a mesma usada em uma série de tecnologias de transmissão de dados sem fio, como controles remotos de diversos tipos, Bluetooth e fornos de micro-ondas. Uma boa ideia na hora de instalar equipamentos é procurar pontos em que esses tipos de interferências não sejam tão acentuadas.

5. Nunca fazer upgrade de roteador

Performance e segurança dos equipamentos podem melhorar com atualizações de firmware — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Roteadores são equipamentos de alta durabilidade e é comum que uma unidade fique em operação por anos a fio, 24 horas por dia, sem dar nenhum problema. O lado ruim de tanta resistência é que usuários mais desatentos podem acabar deixando de fazer atualizações de firmware.

O termo se refere a algo que pode ser descrito como o sistema operacional interno do aparelho e é comum que fabricantes liberem novas atualizações com o tempo. Essas correções implementam melhorias de segurança, novas funcionalidades e podem melhorar o desempenho geral do equipamento.

Além do lado software da questão, também é válido considerar os avanços em hardware: há muitos roteadores de entrada no Brasil comercializados com Wi-Fi 4 (802.11n), tecnologia que estreou no mercado em 2009 e que já foi superada pelos padrões Wi-Fi 5 (802.11bgn) e os recentes Wi-Fi 6 e 6E (802.11ax).

6. Velocidade máxima real e taxa máxima de transferência

Huawei AX3 promete Wi-Fi 6 de até 3 Gb/s em condições ideais difíceis de reproduzir em casa — Foto: Divulgação/Huawei

Roteadores podem ser classificados a partir de vários critérios e um deles é a taxa máxima de transferência de dados por segundo estimada por um fabricante. Um roteador Wi-Fi 6 de boa qualidade hoje pode encaixar numa classificação como 1600AX — algumas marcas até usam termos assim na nomenclatura de seus produtos, fazendo referência ao padrão de sexta geração (AX) e ao máximo que o fabricante promete de velocidade. Nesse caso, 1.600 Mb/s (megabits por segundo).

A questão é que essa velocidade toda de transferência para o Wi-Fi é medida em condições de laboratório e que não são viáveis no uso doméstico, algo que acaba resultando em velocidade de Wi-Fi menor, na prática.

7. Redes públicas

Redes públicas não são seguras — Foto: Divulgação/TP-Link

Redes públicas são um fator de risco sobretudo à sua segurança e você precisa considerar com cuidado o uso de seus dispositivos nesses ambientes, evitando ao máximo realizar operações que possam expor seus dados sensíveis a eventuais invasores.

Caso você planeje oferecer rede pública em seu negócio, também há considerações a se fazer: a largura de banda total será comprometida e você provavelmente terá de considerar um upgrade no hardware da sua rede ou até de plano, se seu ambiente prevê conexão de dezenas de dispositivos ao mesmo tempo.

Com informações de MakeUseOf, Astro e GoodHouseKeeping

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