Celular
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Por Katarina Bandeira, para o TechTudo

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Antes de Xiaomi, Apple e Samsung dominarem o mercado de celulares, empresas como Blackberry, Siemens e LG também tiveram algum protagonismo. No entanto, com a evolução tecnológica e as mudanças no mercado consumidor, essas e outras marcas populares do passado sumiram do mapa no Brasil. Confira, nas linhas a seguir, dez marcas de dispositivos móveis que atualmente ocupam apenas o imaginário popular no universo dos telefones.

Os celulares comercializados entre os anos de 1990 e 2000 traziam teclados analógicos, baterias duradouras e minúsculos displays. A chegada do iPhone, em 2007, revolucionou o mercado e algumas marcas não conseguiram sobreviver aos muitos avanços em alta velocidade.

Siemens A50 marcou época nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Siemens

Celular da Xuxa era muito popular nos anos 2000 — Foto: Barbara Mannara/TechTudo

A Siemens foi uma das marcas de celulares mais atuantes no Brasil e no mundo nos anos 2000. Um dos modelos que ficou popular entre os consumidores brasileiros foi o A40. Lançado há exatos 20 anos, o A40 chegou a ter um apelo forte para o público infanto-juvenil com a comercialização do Oi MTV e do Oi Xuxa, este último com ringtone da música Ilariê, mensagem da caixa postal com a voz da apresentadora e também serviços de piadas e horóscopo. O modelo era vendido por R$ 249 no pós e R$ 299 no plano pré-pago.

Com parcerias com operadoras e apelo popular de seus celulares, a Siemens ainda conseguiu emplacar os modelos A50, M55 e até mesmo o SL45, que reproduzia MP3.

O sucesso não foi suficiente para manter a divisão de celulares, vendida em 2005 para a fabricante taiwanesa BenQ. Apesar de ter se comprometido a continuar a produção em sua filial alemã, a então responsável pela fabricação dos celulares declarou falência cerca de um ano depois. A Siemens segue funcionando, mas nunca mais voltou a se aventurar pela telefonia.

2. LG

LG Chocolate, de 2006, tinha câmera com gravação de vídeo — Foto: Divulgação/LG

A LG decidiu deixar o segmento de celulares em 2021, após anos de prejuízo do mercado. A empresa costumava figurar entre as principais fabricantes do mundo, considerada concorrente direta da também sul-coreana Samsung. Antes de dar adeus, a fabricante chegou até mesmo a se colocar na corrida dos telefones dobráveis ao apresentar um dispositivo com tela enrolável durante a feira CES 2021. Ela encerrou as atividades sem trazer o aparelho ao mercado.

A marca se instalou no Brasil em 1997 e trouxe celulares icônicos como o LG Chocolate, o primeiro modelo da série Black Label com teclado "deslizável"; o LG Viewty, que imitava o design de uma câmera digital; e toda a série LG K, popular com seus telefones intermediários.

Vale ressaltar que a LG ainda produzia smartphones com bateria removível em 2020, hábito abandonado pelas demais fabricantes.

3. Ericsson

Ericsson fez sucesso nos anos 90 — Foto: Reprodução/MGM

Entre seus feitos históricos, a sueca Ericsson foi pioneira ao usar a tecnologia Bluetooth. Ela esteve envolvida na criação de tecnologias como o GSM e foi a primeira a usar o termo "telefone inteligente" – ou smartphone – em seus aparelhos, ainda nos anos 2000.

Ela se fundiu com a Sony em 2001 e deu origem à Sony Ericsson, responsável por celulares que eram verdadeiros objetos de desejo de uma geração.

A Ericsson começou a investir no mercado de telefonia móvel em 1987, com o Hot Line Pocket, mas só dez anos depois chegou a se tornar a empresa líder do segmento com o modelo 788 (mesmo que apenas por alguns meses).

Sony Ericsson Xperia Pro era objeto de desejo — Foto: Divulgação

A Sony Ericsson operou por 11 anos antes de afundar em prejuízo. No entanto, seus primeiros anos foram de sucesso, com modelos que atraíam principalmente os jovens, por conta do design moderno e de recursos como o presente no Sony Ericsson W380, que inovou ao levar os comandos do player de música para o visor externo. Outro dispositivo que também tentou atrair pelo gosto musical dos usuários foi o Sony Ericsson W200, considerado um celular-walkman.

O dia 15 de fevereiro de 2012 ficou marcado pelo fim da parceria entre as duas empresas, mesmo com o relativo sucesso da linha Xperia. A Sony comprou a parte da Ericsson e passou a divulgar apenas a sua marca. Já a companhia sueca retornou aos outros empreendimentos em tecnologia.

5. Nokia Lumia

Nokia Lumia 520 era um dos modelos mais populares — Foto: Murilo Molina/TechTudo

Se fizéssemos uma lista com as empresas marcaram o mercado de telefonia brasileiro durante os anos 2000, a Nokia certamente estaria entre as primeiras posições. Seja pela fama de fabricar celulares indestrutíveis — como o modelo 3310, conhecido como “Tijolão” — ou por proporcionar modelos acessíveis, como o Nokia 1100 – que vinha com o jogo da cobrinha –, a empresa chegou ao Brasil em meados de 1998 e se tornou a queridinha de muitos usuários.

No entanto, a finlandesa amargou a queda de popularidade ao não acompanhar as outras fabricantes. Em 2013, a Microsoft até tentou dar uma sobrevida à marca, comprando a divisão e diversas patentes. O casamento só durou cerca de 18 meses. Vendas abaixo do esperado ajudaram a decretar o fim de era.

Vale ressaltar que atualmente a Nokia opera no Brasil, mas sem a parceria com a empresa de Bill Gates. A HMD Global atualmente detém os direitos da marca. Já o nome "Lumia" desapareceu.

6. ZTE

Nubia Z20 tem sistema com duas telas e nenhuma câmera frontal — Foto: Divulgação/ZTE

Com um nome difícil de pronunciar, a Shenzen Zhongxing New Telecommunications Equipment virou ZTE no mercado dos celulares. Chegando ao Brasil em 2006, a empresa tentou conquistar até mesmo os consumidores amantes de futebol, com modelos de telefones personalizados de acordo com o time do coração do cliente. A fabricante chegou a ser considerada a quarta maior vendedora de telefones do mundo em 2012, principalmente após lançar os smartphones Nubia, que tinham Cristiano Ronaldo como garoto-propaganda.

Com o sucesso, a marca acabou investindo em modelos inusitados, como o ZTE Open, um dos primeiros smartphones com o sistema Firefox OS, desenvolvido pela Mozilla. Ela parou de vender celulares no Brasil em 2012 e tentou retornar ao país em 2016, numa empreitada que durou apenas um ano. A ZTE continua produzindo smartphones em pequena escala, mas a comercialização é feita apenas no exterior.

7. Micromax

Micromax Q55 Bling, o celular com teclas cravejadas com brilhantes de zircônia da Swarovski — Foto: Reprodução/GSM Arena

A tradicional fabricante de dispositivos móveis indiana Micromax chegou ao Brasil em 2011, investindo pesado para garantir sua presença no mercado nacional. Mesmo com um montante de cerca R$ 20 milhões, a aposta acabou não sendo tão atrativa para os consumidores.

A marca convocou a apresentadora Sabrina Sato como garota-propaganda e trouxe modelos de custo atrativo, entre R$ 120 e R$ 450. Ainda assim, a Micromax não conseguiu chamar atenção das principais operadoras de telefonia da época, Claro, Oi, TIM e Vivo , consideradas essenciais para chegar ao consumidor final. A empresa acabou voltando para Índia, onde permanece funcionando até hoje.

8. Acer

O Acer Liquid S2 tem processador Snapdragon 800 e câmera de 13 megapixels que grava vídeos em 4K (Foto:Reprodução/IDG.se) (Foto: O Acer Liquid S2 tem processador Snapdragon 800 e câmera de 13 megapixels que grava vídeos em 4K (Foto:Reprodução/IDG.se)) — Foto: TechTudo

Conhecida principalmente pela sua atuação no segmento de computadores e monitores, a Acer também já se aventurou pelos aparelhos celulares. A empresa chinesa chegou ao Brasil em 1992. Sua atuação no mercado de telefones acabou em 2016, mas foi o suficiente para deixar marcas.

Entre os modelos lançados pela Acer que merecem destaque está o Liquid S2, primeiro smartphone capaz de gravar vídeos em 4K. Voltando um pouco mais no tempo, ela também comercializou o primeiro smartphone Android com processador Snapdragon, da Qualcomm. Atualmente, a marca segue no país principalmente no campo dos notebooks para o público gamer.

BlackBerry Curve 8520 (Foto: Divulgação/BlackBerry) — Foto: TechTudo

No início dos anos 2000, os aparelhos que levavam o nome de Blackberry se tornaram sonho de consumo principalmente entre aqueles que começavam a usar os celulares como ferramentas de trabalho. O destaque de seus dispositivos ficava por conta do eficiente teclado feito de plástico, que facilitava o envio de e-mails e a digitação de mensagens, como no BlackBerry 5810.

A fabricante chinesa TCL chegou a assumir a operação de vendas em 2015, mas acabou encerrando o contrato apenas cinco anos depois. Em 2022 foi decretado o fim oficial dos aparelhos.

10. BLU

O BLU Vivo 5R roda Android 6.0 e, durante os testes, não houve travamentos (Foto: Luciana Maline/TechTudo) — Foto: TechTudo

A Blu nunca chegou a sair oficialmente do Brasil, mas vez ou outra desaparece das prateleiras nacionais. A fabricante norte-americana é especializada em aparelhos de baixo custo equipados com Android e veio ao mercado tupiniquim com a proposta de trazer celulares mais em conta para os consumidores. Entre os modelos que pisaram por aqui estão o Blu Life Play, Blu Vivo 4.3 e o Blu Amour, com um botão de Home feio de zircônio.

Com forte entrada em 2014, a empresa desapareceu pouco tempo depois, tentando retornar ao país em 2018 com o smartphone Blu Vivo XI Plus. O aparelho não teve o retorno esperado e a companhia sumiu de novo, voltando em 2021, com a linha B.

Longe dos smartphones, é possível encontrar o selo BLU em telefones com teclados analógicos, vendidos na faixa dos R$ 200, no estilo de modelos comercializados nos anos de 1990.

Confira no vídeo abaixo 5 jogos que marcaram os anos 90

Cinco jogos que marcaram os anos 90

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