Por Ricardo Farah; Para O TechTudo


Jogar em um aparelho portátil, seja ele um celular, um videogame ou um tablet, é garantia de mobilidade e diversão sem compromisso. Porém, diferente de muitas outras plataformas, o PSP foi o primeiro portátil da história a trazer jogos com a profundidade (e durabilidade) igual a de títulos robustos para plataformas de mesa ou PC. Justamente por parecer “um PS2 de bolso”, que muita gente ignorou o portátil da Sony. Mas nem de longe esse é um motivo para deixarmos de jogar muitos clássicos que foram lançados para o PSP.

A Sony confiou apenas nos gráficos do PSP, e isso foi um erro que a empresa admitiu (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

A “rápida” história do PSP

Lançado no final de 2004 no Japão e em 2005 nos EUA e Europa, o PSP havia sido batizado de “o Walkman do século XXI” pelo até então presidente mundial da Sony, Ken Kutaragi. Isso porque a Sony desde a primeira divulgação que fez do aparelho (durante a E3 de 2003) deixou claro que, mais do que um videogame portátil, o PlayStation Portable (nome completo do aparelho) estava sendo desenvolvido para ser um equipamento completo de entretenimento.

PSP Go (Divulgação) — Foto: TechTudo

Ainda assim, o trunfo da Sony (mas que se tornou o pesadelo, nos anos seguintes) foi a mídia proprietária criada para o portátil: o Universal Media Disc, ou simplesmente UMD – um disco de capacidade máxima de 2 GB que era usado tanto para comercializar os games do portátil quanto sua biblioteca de filmes vendidos neste formato.

O PSP também era reprodutor de MP3, o que o tornou um aparelho de música portátil versátil e atraente em uma época na qual o iPod caminhava para seu primeiro sucesso absoluto. Ainda assim, o maior recurso do portátil da Sony sem sombra de dúvida era a conexão Wi-Fi que permitia partidas multiplayer através da rede online, mas principalmente, acesso a PlayStation Network para comprar games, addons e outros itens digitais para o portátil.

Nos últimos sete anos o PSP teve cinco versões distintas que, assim como seu concorrente DS, aperfeiçoaram o hardware como puderam. Da primeira versão Slim, para a versão Slim 3000 (com maior autonomia da bateria), passando para o PSP Go (o fiasco da Sony que só aceitava mídia digital) até finalmente o PSP E1000 (lançado recentemente apenas na Europa como uma versão enxuta do aparelho por não trazer conexão Wi-Fi). Ao todo, o PSP vendeu até hoje pouco mais de 73 milhões de unidades no mundo todo (mais que o Xbox 360, por exemplo, mas bem menos que o Game Boy Advance).

As maiores críticas quanto ao PSP sempre foram diretamente ao seu design que não favorecia uma boa jogabilidade para jogadores com mãos muito grandes. Seu direcional digital é um tanto desconfortável e seu único direcional analógico é falho.

Porém, o grande motivo que fez do PSP um console com pouca aceitação do mercado não foi o hardware em si, mas sim o software. A pirataria no portátil foi desenvolvida com muita facilidade, permitindo que o PSP se transforma-se em um portátil recheado de emuladores de outras plataformas mas, principalmente, um aparelho fácil para acessar seus próprios games alternativos.

Graças a isso que os jogos no PSP nunca venderam de forma expressiva – cada vez mais as produtoras deixaram de investir em grandes produções.

Por isso que o PSVita está prestes a ser lançado. Ele tem tudo para ser o portátil com o design perfeito, os recursos ideais e, a segurança necessária para que desenvolvedores do mundo todo invistam em novos jogos.

TOP 3 – Jogo sério, não importa seu estilo

Monster Hunter Freedom Unite (Divulgação) — Foto: TechTudo

A premissa do jogo é simples: crie seu guerreiro e parta para uma viagem pelo mundo à caça de criaturas das mais variadas espécies possíveis. Derrote-as para conseguir alimento para sua aldeia e, principalmente, recursos para criar suas próprias armas, armaduras ou demais equipamentos.

Tem gente que acha que Monster Hunter é Pokémon para adultos. Eu diria que Monster Hunter é MMORPG para quem não quer compromisso, uma vez que as missões podem ser realizadas por no máximo quatro jogadores simultâneos (em partidas locais ou online através do PS3 para simular uma rede local no ambiente online).

Por conta dessa combinação de ideias e opções de jogo que eu, por exemplo, dediquei mais de 450 horas em Freedom Unite, criando diversas armaduras especiais para enfrentar criaturas de todos os tipos, além de armas como arcos, machados, espadas personalizadas prontas para aguentar qualquer desafio.
Freedom Unite é atualmente o mais novo jogo da série lançado neste canto do mundo. Se por algum milagre a versão Portable 3rd (disponível só no Japão) for lançada algum dia, saiba que ela entrará neste lugar da lista. Enquanto isso, ficamos com o mais desafiador e divertido dos games de PSP.

Patapon (Divulgação) — Foto: TechTudo

Porém, ao invés de um smash button clássico, estamos falando de um game musical, no qual você controla seu exército de guerreiros-bolotas baseado do ritmo da música. Cada combinação de botões serve para uma ação distinta: caminhar, defender, atacar e até mesmo invocar a chuva para realizar um ataque massivo são alguns dos recursos que você tem ao seu dispor.

Patapon evoluiu a cada game (o terceiro, por exemplo, possui inclusive modo online e multiplayer). Mas eu incluo o primeiro jogo da franquia no TOP baseado no meu critério de inovação e surpresa. Ainda assim, recomendo que você jogue a trilogia inteira desta fantástica franquia da Sony.

Crisis Core: Final Fantasy VII (Divulgação) — Foto: TechTudo

Caso você nunca tenha ouvido falar deste game, aí vai o resumo: eis aqui um prequel do game original lançado para PSOne que conta a história de ninguém menos que Sephiroth e a formação da corporação Shinra. Mais do que isso, Crisis Core mostra a origem dos SOLDIER, a classe de soldados da qual o protagonista Cloud Strike fez parte.

No game, você joga na verdade com Zack, amigo de Cloud e soldado que treina para graduar-se no nível mais alto de sua classe de guerreiro. Ao lado de Sephiroth, Zack descobre a verdade por trás da corporação, mas diferente de seu amigo, ele parte para uma jornada em busca da paz através do caminho do bem.

O sistema de batalha mistura elementos de ação em tempo real como visto em RPGs como Kingdom Hearts, mas também uma série de recursos que lembram Final Fantasy XII. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelo qual muita gente não se animou a jogar Crisis Core. Mas volto a dizer, a história do jogo vale cada segundo investido. Principalmente porque a Square Enix apostou em recursos para fazer deste um Final Fantasy de linha, com direito a CGs em alta qualidade e animações pra lá de caprichadas.

TOP 10 – Seleção de clássicos

Na seleção dos melhores games de PSP eu cheguei a considerar não incluir nenhum remake de algum clássico de outro console para o portátil da http://t.co/xjTry4g . Mas seria impossível deixar de colocar na lista dois jogos em especial. Veja os meus dez favoritos e saiba porquê cada um está aí:

Top 10: PSP (Reprodução) — Foto: TechTudo

1. Monster Hunter Freedom Unite
2. Patapon
3. Crisis Core: Final Fantasy VII
4. Metal Gear Solid: Peace Walker
5. LocoRoco
6. Castlevania: The Dracula X Chronicles
7. Final Fantasy Tactics: The War of the Lions
8. God of War: Ghost of Sparta
9. Jeanne d’Arc
10. Valkyrie Profile: Lenneth

MGS: Peace Walker foi o quarto game da franquia lançado para o PSP (se excluirmos a versão Digital Graphic Novel, é claro). Graças a isso, eis o mais ambicioso e bem acabado título da série para o portátil. Kojima soube redesenhar a jogabilidade toda da série especialmente para este jogo, de forma que mesmo com um direcional analógico a menos você consegue jogar com muita satisfação.

LocoRoco é o game exclusivo da Sony que se parece da Nintendo. Controlar o planeta usando apenas os botões L e R para movimentar sua bolota feliz é um mix de diversão e felicidade nunca visto em um console da Sony.

Castlevania: The Dracula X Chronicles e Final Fantasy Tactics: The War of the Lions são os dois remakes que eu citei acima. Estão na lista porque ficaram simplesmente perfeitos no PSP. Castlevania, por exemplo, é o remake de um game que nunca havia sido lançado no ocidente, ganhando um visual completamente remodelado e, até mesmo um modo secreto que libera o maior clássico da franquia: Symphony of the Night; FF Tactics apenas recebeu um tratamento em seus sprites, mas ganhou também cenas animadas e uma tonelada de extras que faz qualquer fã do RPG tático da Square Enix querer jogá-lo novamente.

God of War no PSP é curto, mas ainda assim é divertidíssimo e polido o suficiente para um portátil. Jeanne d’Arc é, possivelmente, o RPG exclusivo do PSP mais completo e original que já joguei, ao passo que Valkyrie Profile Lennith é a continuação perfeita do clássico de PSOne com direito a gráficos atualizados e sistema de combate na medida certa.

O que ficou faltando?
Caramba, pode não parecer mas o PSP teve muito game bom. Dos clássicos Lumines e Ridge Racer aos mais recentes lançamentos como Kingdom Hearts: Birth By Sleep e The 3rd Birthday (continuação de Parasite Eve). Até mesmo a franquia GTA deu as caras no portátil com três games distintos e ideais para a plataforma.

Mas mais impressionante mesmo foi a quantidade de remakes e ports de clássicos que foram lançados para o PSP. Dos RPGs da Square Enix, como Final Fantasy I, II e IV, ao primeiro Mega Man da Capcom (refeito totalmente em 3D), passando por Parappa the Rapper às compilações da Atari, Activision, Sega, Namco e Capcom. Clássicos como Street Fighter Alpha 3 Max, Samurai Shodown, Metal Slug ou The King of Fighters e Tekken; enfim, não dá para dizer que o PSP foi uma plataforma fraca de maneira alguma.

Onde jogar os clássicos de PSP hoje
Jogue no próprio PSP. O portátil está cada vez mais barato no mercado por conta do lançamento próximo do PSVita. Ainda assim, se você pretende investir de cara no novo portátil da Sony, recomendo aguardar alguns meses o possível anúncio da mãe do PlayStation que revelará a retrocompatibilidade do PSP para o PSVita baseado nos jogos comprados digitalmente através da PSN.

Eu, por exemplo, tenho apenas jogos de PSP em versões de UMD mesmo (pouco mais de 30 jogos). Se quiser jogá-los no Vita, provavelmente terei que comprá-los novamente em suas versões digitais. Vale o investimento? Com certeza sim.

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Enfim, a coluna especial “Aposentadoria Gamer” chega ao seu ponto máximo que o mercado de games se encontra. Como disse na semana passada, o PSP seria o último console no qual eu falaria nesta sequência.

Porém, este especial está longe de acabar. Mais cedo do que você imagina eu trarei para a lista o maior portátil da história: o Nintendo DS. Mas isso não acontecerá nas próximas semanas, pois ainda acredito que o portátil da Nintendo tenha alguns meses de sobrevida.

A partir de agora voltarei a programação normal da minha coluna: focada no mercado de games em geral e trazendo temas pertinentes ao atual cenário da indústria. Claro que, dada a incrível recepção que a “Aposentadoria Gamer” teve por aqui, eu iniciarei também outra série de especiais que ainda não posso revelar, mas tenho certeza que todos gostarão de acompanhar também.

Por hora, relembre todos os consoles que passaram por este especial e, por favor, participe desta coluna nos contando a sua história com o PSP.

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