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Por Ingo Müller; Para O TechTudo


No artigo anterior, acompanhamos a evolução da franquia Street Fighter do começo obscuro até sua transformação em fenômeno cultural que transcendeu as paredes dos fliperamas. Depois de mostrar todos os games da série principal, agora iremos abordar os títulos alternativos da saga – são jogos experimentais, não cânones, crossovers ou ainda games que simplesmente pegaram carona na marca para tentar fazer sucesso graças à empolgação dos fãs. Alguns deram certo, outros foram tão bem sucedidos quanto o Dojo do mestre Dan. Acompanhe agora os títulos “Lado B” da série.

O futuro do pretérito

Como o primeiro Street Fighter teve uma aceitação morna, a Capcom tentou novos rumos para a marca. Em Street Fighter 2010, um cartucho de 2 megabits desenvolvido para o nintendinho em 1990, o lutador Ken virou cientista após pendurar as luvas e, ao contrário do esperado, acabou se dando bem nesta segunda carreira.

SF 2010 — Foto: TechTudo

Porém, um parceiro de laboratório acaba roubando a última invenção do ex-lutador, que faz o que todo inventor/artista marcial faria numa situação dessas: Ken altera seu corpo com uma série de implantes biônicos que melhoravam suas capacidades físicas, e parte em busca do material roubado. Para isso, ele precisa derrotar uma série de monstros mutantes espalhados pelo Sistema Solar, viajando de planeta em planeta através de portais.

Street Fighter 2010 surgiu após um erro (intencional ou não) da Capcom, que localizou o protagonista de um game japonês como “Ken” na versão ocidental do jogo – surgiu assim o laço com a franquia de jogos de luta. Apesar de não ter qualquer outra similaridade com os demais jogos, SF 2010 não é um título ruim, e diverte bastante apesar de sua dificuldade exagerada.

Mesmo assim, é engraçado perceber que 2010 já passou há dois anos, e ainda não vimos mutantes, ciborgues ou portais para exploração interplanetária sendo anunciados pela ciência. Talvez, se Ken tivesse uma tarefa mais simples, como encontrar um smartphone roubado, o jogo tivesse sido mais preciso nas suas previsões.

Direto dos cinemas

O filme de Street Fighter com Raul Julia e Jean Claude Van Damme foi um erro, e fazer um jogo baseado nesta adaptação cinematográfica certamente não está entre uma das melhores decisões da Capcom. Mesmo assim, o game Street Fighter: The Movie foi lançado em 1995. O desenvolvimento desta pérola ficou nas mãos da americana Incredible Tecnologies, e o resultado foi o game de luta "mais ocidental" a levar o nome da franquia: os personagens do filme estavam lá, mas o design – que já não funcionava na telona – era simplesmente péssimo para os videogames.

SF the movie — Foto: TechTudo

Ainda assim, a Capcom fez uma segunda tentativa de transformar os atores digitalizados em personagens, desta vez nos consoles. A versão doméstica de Street Fighter The Movie saiu em 1995 para Saturno e Playstation, e era bem diferente da dos fliperamas, mas sofria dos mesmos defeitos da anterior. No final das contas, os dois jogos pareciam mais com um game da série Mortal Kombat sem os fatalities do que com um verdadeiro Street.

Gráficos poligonais

Depois de serem interpretados por atores digitalizados, os personagens da franquia foram retratados de acordo com outra estética muito popular na segunda metade dos anos 90: no lugar de sprites animados, os lutadores foram construídos com polígonos em Street Figher EX. A execução do projeto ficou a cargo da Arika, que deixou o elenco todo quadradão, mas conseguiu fazer um bom game de luta em 1996.

SF EX — Foto: TechTudo

O primeiro mérito da empresa foi conseguir acrescentar novos lutadores sem esquecer dos combatentes tradicionais. A jogabilidade também era satisfatória, agregando elementos de Super Street Fighter II e Street Fighter Alpha com um sistema de cancelamentos interessante, que permitia cortar uma sequência de golpes normais com um especial de forma bastante prática, o que gerava boas possibilidades de combos.

Porém, esses pontos positivos não escondiam os defeitos do game. Os gráficos eram feios, até mesmo se comparados a games mais antigos como Virtua Fighter, e havia relativamente pouca liberdade de ação – mesmo sendo um jogo tridimensional, os combates de Street EX ocorriam basicamente em duas dimensões. Fora isso, podemos dizer que o trabalho da Arika foi competente, tanto que a empresa desenvolveu outros dois jogos da série EX.

A continuação saiu em 1998, mantendo as características do último game com algumas modificações, como  golpes que quebram a defesa e o Excel Combo – um sistema de ataque que, quando ativo, permitia ao jogadorrealizar sequências de golpes com mais facilidade –, algo semelhante aos Custom Combos da série Alpha.

SF EX3 — Foto: TechTudo

O último jogo a levar EX no nome foi lançado no ano 2000, trazendo mudanças. A principal era um sistema de Tag, permitindo ao jogador controlar alternadamente mais de um personagem nas lutas, ou até mesmo trazer os dois para o ringue durante os especiais Critical Parade. Outras modificações mais sutis também entraram os combates: saiu o Guard Break, entrou o sistema de Surprise Blow, golpe que não gastava energia da barra de supercombo, mas podia ser defendido  em pé; e foi introduzido o sistema de Momentary Combo, que permitia cancelar um especial com outro especial para causar um belo dano ao inimigo.

SF EX 32 — Foto: TechTudo

Com essas modificações, EX3 conseguiu ser uma despedida digna da Arika no controle de uma franquia da série Street, tanto que alguns dos elementos presentes no game inspiraram mecânicas de Street Fighter IV, o primeiro Street poligonal planejado e executado pela Capcom.

 Bonitinhos e marrentos

Depois de tantos jogos mostrando seus protagonistas como fortões e atléticos, a Capcom deu uma outra guinada e refez os lutadores segundo o padrão Super Deformed (SD), um estilo muito comum no Japão em que o personagem fica pequenino e cabeçudo, com mãos e pés desproporcionais.

Puzzle — Foto: TechTudo

Claro que este físico não é o que se espera de um combatente, mas sem problemas, pois os brigões pararam de usar os punhos para priorizar a cérebro: o nome do título era Super Puzzle Fighter II Turbo, um quebra-cabeças lançado em 1996 que lembrava clássicos como Tetris e Columns, mas que contava com alguns dos mais famosos guerreiros mundiais e também com os Darkstalkers.

Guerreiro não foge ao combate, mesmo quando parece uma criancinha: o visual cartunizado de Puzzle Fighter agradou, e para aproveitar este sucesso repentino a Capcom lançou em setembro de 1997 Super Gem Fighter Mini Mix, colocando os personagens de volta ao ringue. E as caricaturas brigavam bem, fazendo deste um game cheio de humor, apesar de que não muito competitivo: o sistema de coleta de joias para aumentar o poder dos personagens conferia uma certa aleatoriedade ao gameplay, a ausência de “chip damage” favorecia um ataque mais conservador, e os combos – apesar de bastante animados – eram tão simples que não exigiam real habilidade do jogador. Mas tudo bem: Gem Fighter nunca foi feito para ser um jogo de torneios, cumprindo o seu papel de ser um game divertido para jogar com os amigos em uma tarde chuvosa.


Enfrentando heróis

Depois dos embates singelos de Puzzle Fighter, os brigões da Capcom arranjaram uma treta séria com os mutantes dos quadrinhos: no crossover X-Men x Street Fighter, Ryu e cia tiveram seu poder elevado a uma escala nunca antes vista – só assim eles puderam fazer frente aos alunos do professor Xavier e seus inimigos. Com uma jogabilidade tag, combos extensos e golpes exagerados, o jogo foi um sucesso e iniciou uma era de games que colocavam frente a frente os maiores guerreiros dos videogames com os personagens mais queridos dos quadrinhos Marvel.

Xmen — Foto: TechTudo

Um ano depois, em 1997, saiu Marvel Super Heroes vs. Street Fighter, adicionando novos lutadores à peleja. A partir daí, os personagens da Capcom tiveram de receber o reforço de outras franquias da empresa, o que gerou Marvel Versus Capcom e suas três continuações.

Contra os reis do punho de aço

O último capítulo dessa história chegou nas lojas em março: Street Fighter x Tekken, que traz os personagens da Namco para emocionantes combates contra os gladiadores da Capcom. O game promete um gameplay único, envolvendo a disputa por pedras do poder (algo que já foi feito em Power Stone) que conferem novas habilidades aos lutadores, possibilitando uma gama diferente de estratégias graças ao poder de customização conferido pelas joias. Ainda é cedo para prever o sucesso do jogo, mas considerando as sucessivas vitórias desta turma nos consoles, podemos imaginar que 2012 já tem um candidato certo a melhor jogo de luta do ano – algo adequado para comemorar as bodas de prata deste casamento entre o jogo de luta e seus fãs.


A celebração continuará com o já anunciado Tekken x Street Fighter, dessa vez desenvolvido pela Namco e previsto para 2013 – uma justa homenagem, de uma gigante do entretenimento para outra. Enquanto isso, nós do TechTudo gostaríamos de dizer parabéns, Capcom, e obrigado, Street Fighter, pelos últimos 25 anos de jogatina agradável e competitiva. E que continue assim, pelo menos pelo próximo quarto de século.

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